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Supremo derruba "censura" contra Porta dos Fundos
Sociedade 2 min. 10.01.2020

Supremo derruba "censura" contra Porta dos Fundos

Supremo derruba "censura" contra Porta dos Fundos

Foto: Porta dos Fundos
Sociedade 2 min. 10.01.2020

Supremo derruba "censura" contra Porta dos Fundos

Teresa CAMARÃO
Teresa CAMARÃO
O Supremo Tribunal Federal diz que "não é de se supor que uma sátira humorística tenha o condão de abalar valores da fé cristã".

O impasse não durou mais de 24 horas. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, Dias Toffoli, desautorizou o juiz desembargador do Rio de Janeiro que ordenou a retirada do especial de Natal "A Primeira Tentação de Crista" do Porta dos Fundos da Netflix.

Em resposta ao recurso apresentado pela plataforma de streaming, Tofolli diz que "não é de se supor, contudo, que uma sátira humorística tenha o condão de abalar valores da fé cristã, cuja existência retrocede há mais de 2 mil anos, estando insculpida na crença da maioria dos cidadãos brasileiros". 

A censura à produção dos humoristas brasileiros foi imposta, de resto, a pedido de uma associação católica conservadora. Na defesa, a Netflix argumentou que a "decisão proferida pelo TJ-RJ tem efeito equivalente ao da bomba utilizada no atentado terrorista à sede do Porta dos Fundos: silencia por meio do medo e da intimidação". A plataforma que distribui conteúdos em praticamente todo o mundo, chama "censura" à decisão inicial do tribunal carioca. 

"A verdade é que a censura, quando aplicada, gera prejuízos e danos irreparáveis. Inibe. Embaraça. Silencia e esfria a produção artística", criticou a empresa.

Também os humoristas visados comentaram a decisão do desembargador do tribunal inferior, afirmando ser "contra qualquer ato de censura, violência, ilegalidade, autoritarismo e tudo aquilo que não esperávamos mais ter de repudiar em pleno 2020". 

Disponível desde 3 de dezembro, a sátira que retrata Jesus como um homossexual e Maria como uma adúltera dependente de drogas espoletou a ira do Centro Dom Bosco que reuniu mais de 1,4 milhões de assinaturas num abaixo-assinado que deu entrada na justiça. 

Também na Polónia, o especial de Natal mereceu críticas com o número dois do governo, Jaroslaw Gowin, a exigir a remoção do "filme blasfemo" do Netflix. 

A ofensiva não se limitou a estas tomadas de posição. Na véspera de Natal, a sede do Porta dos Fundos no Rio de Janeiro foi atacada com duas bombas artesanais. O atentado foi reivindicado por um grupo que ressuscitou um movimento extremista dos anos 30, inspirado no fascismo italiano. 

De acordo com o El País Brasil, a Polícia Federal pediu a intervenção da polícia de investigação internacional na captura do economista e empresário Eduardo Fauzi. Foragido desde 31 de dezembro, quando as autoridades do Rio de Janeiro tentaram cumprir o mandado de prisão, o principal suspeito do atentado pode ser preso por qualquer força policial do mundo. Estará na Rússia desde 29 do mesmo mês. 

O Ministério da Justiça já terá pedido formalmente ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil que avance com o pedido de extradição do suspeito que terá ligações à extrema-direita brasileira.


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