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Site de encontros? Sim, mas só para católicos
Sociedade 5 min. 20.07.2016

Site de encontros? Sim, mas só para católicos

O datescatolicos.org é um site de encontros só para católicos

Site de encontros? Sim, mas só para católicos

O datescatolicos.org é um site de encontros só para católicos
Foto: Alexandre Torres
Sociedade 5 min. 20.07.2016

Site de encontros? Sim, mas só para católicos

Os católicos têm um site especializado para conhecer pessoas. O site está em Portugal, mas tem membros que são portugueses e estão no Luxemburgo.

“És solteiro e bom rapaz?”; “Rapariga procura rapaz para relacionamento sério e duradouro”. Estas frases podem ser familiares, mas são mesmo algumas das condições para aceder ao site datescatólicos.org: um site de encontros, mas só para católicos. Esta é a condição ’si ne qua non’ para se poder entrar e fazer parte da plataforma que pretende promover o encontro entre jovens. Já lhe chamaram o Tinder para católicos, mas é mais do que isso, já que o objectivo deverá ser o casamento.

A vantagem é, segundo alguns dos utilizadores do site, separar o trigo do joio que se encontra todos os dias noutros sites de encontros como no Tinder, ou nas redes sociais como o Facebook ou ainda nos tempos do hi5 e encontrar pessoas que partilhem os mesmos valores.

Para facilitar a tarefa, o datescatolicos.org pede que seja preenchido um perfil com a idade, altura, a localização geográfica, mas também que seja respondido um questionário que inclui algumas perguntas que vão desde temas mais fracturantes a rotinas do dia-a-dia. Além disso, os utilizadores têm de declarar que são católicos e que pretendem casar pela Igreja. É com base nas respostas dadas que o site faz depois um ’matching’, que calcula a percentagem de compatibilidade entre membros.

No questionário, os candidatos devem responder a questões como se são ou não fumadores, quantos filhos querem ter, se gostam de mulheres (homens) “muito magras (os)” ou “cheínhas (os)”, se aceitam ou não que a sua cara metade fume. São ainda colocadas questões sobre a forma como preferem passar um sábado, tendo o candidato que optar entre se prefere dormir, ler, descansar ou considerar que o sábado é um dia de trabalho e compromisso, já que “Deus só descansou no Domingo”. Ou o que faz quando encontra um mendigo: pergunta se pode ajudar, ou segue o seu caminho e pensa que dinheiro não é solução e que também trabalha para ter o seu dinheiro.

No entanto, e apesar de ser feito um ’matching’ de forma automática, os membros não têm de seguir esta indicação, sendo livres para contactar outros utilizadores através do ’chat’ privado ou público.

A plataforma original é austríaca e já existe há dez anos, mas só chegou a Portugal em Outubro do ano passado. Apesar de recente, o sistema conta já com três mil seguidores, alguns dos quais no Luxemburgo. O responsável do site, António Pimenta de Brito, falou com o CONTACTO e explica como funciona: os utilizadores que se inscrevem podem “ter acesso aos membros das comunidades internacionais”. Desta forma, podem ter contacto com pessoas de outros países, incluindo o Luxemburgo, já que alguns membros do site estão no Grão-Ducado. Mas podem também contactar com pessoas na Suíça, Áustria, Alemanha, Lituânia, entre outros.

MISSÃO: CASAR PELA IGREJA

O que é que distingue este site dos outros? “O objectivo principal é o casamento, o que não acontece logo”, refere António Brito, sobretudo tendo em conta que o site é recente e as pessoas demoram algum tempo a conhecer-se até chegar à fase do casamento. “Mas já houve um”, adianta. Contudo, ressalva que “também é importante que as pessoas se conheçam e desenvolvam amizades”.

Francisco (nome fictício), de 33 anos, vive em Lisboa e trabalha na área da banca. Já conhecia outros sites de encontros, mas não corresponderam às suas expectativas. “Sou católico, acredito em Deus e quero constituir família: o que procuro não são relações de uma noite ou de uma semana”, afirmou ao CONTACTO. “É difícil conhecer pessoas que se revejam na fé católica noutras redes sociais, e onde se troquem opiniões sobre temas mais profundos”, considerou. Alexandra (nome fictício), de 30 anos, tem o mesmo tipo de experiência. O site “é um possível caminho para encontrar pessoas com os mesmos valores e que querem formar família”. “Quando uns amigos me falaram no site, fiquei na dúvida, mas depois resolvi arriscar e inscrevi-me em Março deste ano”. O balanço tem sido positivo, além de conhecer pessoas online, Alexandra participa noutras actividades organizadas pela plataforma, como retiros em Fátima, por exemplo. São realizadas diversas actividades, como caminhadas ou workshops, para promover o encontro entre os membros.

Apesar de, na opinião dos utilizadores, ser um ponto de partida mais sólido, não significa que quando as relações evoluem para o ’offline’ tenham sucesso. Francisco reconhece isso mesmo: já conheceu cinco pessoas no datescatolicos.org e chegou a ter um relacionamento de três meses. “Ela tinha uma postura perante a Igreja um pouco diferente da minha, um pouco mais extremada e penso que tem de haver um equilíbrio”, refere. Sair da plataforma não está, contudo, nos seus planos. “É uma forma de conhecer pessoas, umas vezes estou mais activo na plataforma, outras menos”. Alexandra também já passou do universo online para o offline, “com uns encontros mais positivos e outros menos”, como referiu, mas a busca continua.

Para fazerem parte desta comunidade, os interessados têm de pagar 24 euros por trimestre ou 60 euros por ano. O objectivo de António Brito é chegar a cinco mil utilizadores nos próximos dois anos e aos dez mil em sete. O responsável sente que ainda há algum preconceito em relação aos sites de encontros, mas afirma que se dirigem tanto a pessoas com menos contactos como aqueles que têm vidas muito preenchidas “e que chegam aos 30 ou 40 anos solteiros com o desejo de encontrar alguém e de formar uma família”.

Quanto à segurança, afirma que “se deve experimentar e falar com as pessoas, mas usar a mesma prudência que se usa ’cá fora’”. “Quando conheço alguém não dou logo os meus dados todos nem marco um encontro num sítio privado ou num beco escuro”, exemplifica. “Aconselhamos a mesma prudência, mas também a serem ousados e falarem com várias pessoas”, remata.

Paula Cravina de Sousa