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Sistema automático poderá estar na origem da queda dos dois aviões Max 8
Sociedade 4 min. 18.03.2019

Sistema automático poderá estar na origem da queda dos dois aviões Max 8

Sistema automático poderá estar na origem da queda dos dois aviões Max 8

Foto: AFP
Sociedade 4 min. 18.03.2019

Sistema automático poderá estar na origem da queda dos dois aviões Max 8

A fabricante de aeronaves vai corrigir algumas falhas no sistema automático de estabilização de voo.

As circunstâncias em torno dos dois voos Boeing 737 Max que caíram no espaço de seis meses, um em março de 2019 e o outro em outubro de 2018, demonstram "semelhanças claras"  que poderão estar na origem do acidente com ambas. Segundo a agência noticiosa AFP, os dois aparelhos registaram subidas e descidas irregulares logo após a descolagem.

A informação foi avançada ontem pela ministra dos Transportes da Etiópia, Dagmawit Moges, em conferência de imprensa.  "Durante a análise do Flight Data Recorder (FDR) - software que grava todas as conversações e manobras técnicas durante o voo - foram notadas semelhanças claras entre o voo 302 da Ethiopian Airlines e o voo 610 da Lion Air".  Estes paralelos "devem ser consequentemente investigados", acrescentou.

 Apesar de não especificar em concreto as falhas o executivo informou que o relatório preliminar das causas da queda será conhecido dentro de um mês. As caixas negras, descobertas na semana passada, foram enviadas para o Centro de Investigação e Análise em França (BEA, em francês) que consegiu recuperar com sucesso todos os dados para análise.  

Mas segundo a AFP, as semelhanças entre ambos os acidentes poderão indiciar falhas no sistema automático de estabilização em voo  - o MCAS, em inglês - uma espécie de automatismo que é acionado em "situações anormais" nos modelos Max. Entretanto, a Boeing já anunciou que está a fazer uma revisão e melhoramenntos do MCAS. 

Entretanto, o departamento de Transporte norte-americano anunciou que vai rever as circunstâncias do acidente da Lion Air, na Indonésia, em outubro de 2018, para saber se a Federação de Aviação Americana (FFA, em inglês) mantém ou levanta a interdição dos aparelhos Max 8, noticiou ontem o jornal The Wall Street Journal. Os EUA foram um dos poucos países que resistiram em suspender este modelo de aviões no seu espaço aéreo. Só vários dias após o acidente da Ethiopian Airlines, que vitimou 157 pessoas, o país, juntamente com o Canadá, aderiu à interdição levantada por mais de 60 países, incluindo os 28 Estados-membros da União Europeia. 

Durante o fim de semana, centenas de pessas prestaram homenagem aos 17 etíopes que morreram no acidente, na catedral de Adis Abeba, na capital da Etiópia O acidente de 10 de março é o segundo no espaço de seis meses, com o mesmo modelo da Boeing: o 737 Max 8. Em outubro passado, um aparelho Max 8, da Lion Air, caiu no mar ao largo da Indonésia, provocando 189 mortos. 

O que é o sistema de estabilização de voo?

As conclusões preliminares ao acidente da Lion Air, com o Max 8, indiciaram um mau funcionamento do sistema de estabilização de voo, o Sistema de Aumento das Características de Manobra (MCAS, em inglês) criado para impedir a paragem da aeronave.

Foto: APA/dpa

O MCAS foi projetado especificamente para os aparelhos 737 Max para lidar com motores maiores e mais pesados ​​do que a geração anterior. Visto que os motores mais eficientes alteram as propriedades aerodinâmicas dos aparelhos, que poderiam por exemplo causar que o "nariz" do avião fique apontado para cima em certas condições durante o voo manual,  o MCAS foi criado exatamente para colmatar estas falhas.

De acordo com a fabricante de aviões o MCAS não tem influência no avião em condições normais de voo, entrando apenas em ação em "situações anormais". Exemplos de situações anormais poderão ser viragens bruscas ou após a descolagem em que o avião atinge uma velocidade mais baixa.  

Desta forma, os sensores do aparelho 'comunicam' ao MCAS para manter o nariz da aeronave apontado para baixo, em caso iminente de perigo de paragem dos motores. Isto é feito através dos estabilizadores horizontais localizados na cauda do avião que são ativados pelo software de controlador de voo da aeronave. 

De acordo com o software de gravação de voo, os pilotos da Lion Flight tiveram dificuldades em controlar o aparelho devido à ativação do MCAS que manteve o "nariz" do avião virado para baixo após a descolagem. Já num voo anterior no mesmo modelo, outros pilotos tinham reportado dificuldades em controlar este sistema de automático mas acabaram por conseguir fazê-lo com sucesso. 

Logo após a queda do voo da Lion Air, a Boeing foi criticada por não ter informado ou mesmo formado adequadamente os pilotos sobre o funcionamento do MCAS. Como consequência, a empresa enviou um boletim informativo às companhias aéreas detentoras deste modelo de aeronave sobre como suspender o MCAS. 

No domingo a empresa anunciou também que estaria a finalizar as atualizações de software deste sistema, bem como a rever a formação dada aos pilotos do modelo Max. "A Boeing está a finalizar o desenvolvimento da atualização de software previamente anunciada e uma revisão da formação de pilotos que irá incidir sobre os comportamentos do sistema de controlo MCAS em resposta a inputs de sensores incorretos", afirmou o CEO da Boeing, Dennis Muilenberg. 

Segundo a empresa, o modelo Max teve o maior número de vendas em pouco tempo, com mais de 5 mil encomendas de cerca de 100 clientes.  

Contacto/AFP

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