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Saúde mental. "Feridas no cérebro manifestam-se no corpo"
Sociedade 2 min. 10.03.2021 Do nosso arquivo online

Saúde mental. "Feridas no cérebro manifestam-se no corpo"

Saúde mental. "Feridas no cérebro manifestam-se no corpo"

Foto: Shutterstock
Sociedade 2 min. 10.03.2021 Do nosso arquivo online

Saúde mental. "Feridas no cérebro manifestam-se no corpo"

Teresa CAMARÃO
Teresa CAMARÃO
Com 30% da população a admitir o desgaste psicológico da pandemia, os médicos defendem a equiparação da saúde mental à física.

A ideia foi lançada para a opinião pública pelo próprio primeiro-ministro e pela ministra da Saúde. A urgência de acabar com a fronteira entre a medicina pura e dura e as salas de espera dos gabinetes dos psicólogos dominou grande parte do debate dedicado precisamente à degradação da saúde mental dos residentes do Luxemburgo, promovido pela CLAE, no Festival das Migrações.

"Restaurar a confiança das pessoas é indissociável do investimento na saúde mental", não hesita em dizer a psicoterapeuta Elisabeth Seimetz. Responsável pelo Centro de Informação e Prevenção da Liga Luxemburguesa de Higiene Mental, a psicóloga foi a primeira do painel a apontar o dedo à "discriminação" que continua a afastar as pessoas dos tratamentos. "Há gente que não pode gastar um cêntimo a mais no orçamento e são os que ficam à porta porque a ida a um psicólogo não é sequer comparticipada no Luxemburgo", lamenta.

Sem retirar palavra, a psiquiatra infantil Salima Aarab reconhece, no entanto, que a situação é particularmente difícil nos adultos, uma vez que "a maioria das crianças têm a possibilidade de ser acompanhadas nas escolas".


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Drama da "cronificação"

À frente da unidade infantil do hospital de Kirchberg, a médica prevê que "para muitas crianças vai ser difícil voltar às rotinas da pré-pandemia". Não está sozinha no raciocínio. Psicóloga nos hospitais Robert Schuman, Giuliana Andreini, acredita que as depressões, as crises de ansiedade e os distúrbios alimentares desencadeados pelo desnorte da pandemia "correm o risco de se transformar em problemas crónicos". Chama-lhe "cronificação dos efeitos mentais da pandemia". No painel, ninguém a contraria.

"As feridas no cérebro manifestam-se no corpo e podem ter consequências gravíssimas", resume. Mais uma vez , o silêncio das interlocutoras mostra que não está sozinha no raciocínio. Mais do que investir nas unidades hospitalares de saúde mental, defende que o trabalho se deve focar na prevenção. "A oferta é pequena, não temos condições para manter ninguém internado durante muito tempo, mas para que não chegue a uma situação limite temos de olhar para o momento da pré-hospitalização e evitá-la".

Informar e relativizar

Estatisticamente, 30% da população luxemburguesa diz-se vítima do desgaste psicológico, mas os números do Statec continuam a esconder os que não chegam a procurar ajuda. "Percebemos facilmente que todas as doenças mentais estão a aumentar com o isolamento. Desde as intenções suicidas aos ataques de pânico, passando pelas depressões está tudo a crescer e ainda pode aumentar mais", alerta Elisabeth Seimetz. Para a psicóloga do Centro de Informação e Prevenção da Liga Luxemburguesa de Higiene Mental "é preciso informar. É preciso quebrar tabus e explicar às pessoas que há especialistas e tratamentos, profissionais capazes de ajudar a resolver aquilo que muitas vezes parece não ter solução".

Na mesma linha, a clínica especializada em Psicologia Transformativa, Sandra Rendall, abre as portas do consultório: ninguém se cura sozinho. "Há que pedir ajuda, não hesitar sequer para evitar que se chegue a um ponto sem retorno", atira. "Temos de aprender a relativizar, perceber que a vida tem ciclos e não parar de sorrir", remata com otimismo.

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