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Salve vidas e ajude o ambiente. Coma menos carne de vaca, diz a Lancet
Sociedade 2 min. 07.12.2020

Salve vidas e ajude o ambiente. Coma menos carne de vaca, diz a Lancet

Salve vidas e ajude o ambiente. Coma menos carne de vaca, diz a Lancet

Sociedade 2 min. 07.12.2020

Salve vidas e ajude o ambiente. Coma menos carne de vaca, diz a Lancet

AFP
AFP
O conselho não é novo, mas desta vez vem da prestigiada revista científica The Lancet. No relatório anual "Countdown on Health and Climate Change" a publicação refere que reduzir o consumo de carne é não só benéfico para a saúde humana como também para o ambiente.

Os autores contabilizaram um aumento de 70% de mortes relacionadas com o consumo excessivo de carne vermelha nos últimos 30 anos. A maioria das cerca de um milhão de mortes anuais concentra-se na China, Coreia e Austrália. A Lancet diz mesmo que a pandemia da covid-19 veio exacerbar ainda mais esta realidade, apanhando os sistemas de saúde um pouco por todo o mundo desprevenidos para lidar com os piores impactos das alterações climáticas, incluindo as doenças coronárias. 

Entre os mais velhos, houve um aumento de 54% nas doenças coronárias nos últimos 20 anos, a par com um recorde de 2,9 biliões de dias adicionais de exposição a temperaturas elevadas que afetam sobretudo as pessoas com mais de 65 anos em  2019, quase o dobro dos recordes registados anteriormente.

Ao mesmo tempo, a produção e consumo de carne vermelha sobrecarregam o planeta, contribuindo para um aumento da emissão de gases poluentes, daí os investigadores sugerirem que a redução do consumo deste produto é benéfica para o ambiente.  

A produção alimentar é responsável por 25% do total das emissões de gases poluentes a nível mundial, sendo a maior parte atribuída à carne e aos laticínios. A este respeito, o relatório refere ainda que as emissões derivadas do consumo de carne bovina aumentaram 5,5% entre 2000 e 2017.

"É muito importante termos em conta a produção e o consumo de emissões, da mesma forma que o fazemos para outros setores", afirmou Ian Hamilton, director executivo da Lancet Countdown. O estudo analisa todos anos as questões que ligam as alterações climáticas e a saúde. "A externalização das emissões para outros países, para aqueles que as compram, e depois os riscos em torno disso em termos de mudança alimentar", referiu ainda. 


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Cadeia de 'fast food' vai lançar uma gama de alimentos sem proteína animal.

As dietas veganas - sem proteína animal - têm ganho popularidade sobretudo na Europa e EUA por preocupações com a saúde e ambiente. A tendência tem mesmo levado várias empresas a adaptar a oferta de produtos plant-based, incluindo produtos sem proteína animal ou bebidas vegetais em substituição dos laticínios. Embora se verifique uma melhoria dos fatores de risco associados à alimentação na Europa, em parte associados à crescente popularidade do veganismo, o continente contribui com 3,4% entre as mortes globais associadas ao consumo de carne vermelha, acrescenta o relatório.

Desigualdades na saúde a aumentar

O aumento das temperaturas globais teve um impacto tremendo no quotidiano de milhões, salientam, sobretudo quem trabalha fora de portas nas regiões menos desenvolvidas. Só a Índia registou 40% do total de 302 biliões de horas de trabalho perdidas. No mesmo sentido, as vagas de calor e seca estão a fazer aumentar os incêndios, sendo os incêndios devastadores na Califórnia dos maiores exemplos em 2019.

"As alterações climáticas são uma grande pressão que está a fazer aumentar as desigualdades existentes na saúde entre e dentro dos países", considera o estudo.

No estudo - liderado pela University College em Londres - colaboram especialistas de mais de 35 instituições mundiais reputadas, incluindo a Organização Mundial de Saúde e o Banco Mundial. Os cientistas consideram que nenhum país está imune aos impactos das alterações climáticas. Apenas metade dos países inquiridos no estudo têm planos sobre a saúde e clima. 

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