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Salmonela em produtos Kinder levou à "maior recolha de produtos em 20 anos"
Sociedade 3 min. 27.05.2022 Do nosso arquivo online
Segurança alimentar

Salmonela em produtos Kinder levou à "maior recolha de produtos em 20 anos"

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Salmonela em produtos Kinder levou à "maior recolha de produtos em 20 anos"

Foto: Victoria Jones/PA Wire/dpa
Sociedade 3 min. 27.05.2022 Do nosso arquivo online
Segurança alimentar

Salmonela em produtos Kinder levou à "maior recolha de produtos em 20 anos"

AFP
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É "a maior recolha de produtos dos últimos 20 anos", admite o diretor-geral da Ferrero France, que falou pela primeira vez desde o início do escândalo sanitário que está a custar caro ao fabricante de Kinder, tanto financeiramente como em termos de reputação. numa entrevista com o diário Le Parisien na quinta-feira.

Desde o início de abril, mais de 3.000 toneladas de produtos Kinder foram retiradas do mercado em França, onde foram detetados 81 casos de salmonelose, na sua maioria em crianças com menos de dez anos. No Luxemburgo, foram detetados dois casos da doença.

O impacto financeiro para o grupo é importante. "Estará na ordem das várias dezenas de milhões de euros", revelou Nicolas Neykov em entrevista ao diário Le Parisien na quinta-feira. Só durante o período da Páscoa, um ponto alto para o fabricante italiano, a marca perdeu 40% do seu volume de negócios habitual.


Kinder. Já há 266 casos confirmados de salmonela na Europa, incluindo no Luxemburgo
A grande maioria dos casos (86,3%) envolveu crianças com 10 anos ou menos.

A marca, que é amada pelos mais novos, estima que "60% dos consumidores já não têm confiança" nela, diz Neykov, que lançou uma campanha para recuperar a notoriedade da marca e quer jogar a carta da transparência.

Bactéria terá chegado a Arlon em matérias-primas ou pessoas

"Segundo as nossas investigações, a contaminação veio de "um filtro localizado num tanque de manteiga láctea" na fábrica de Arlon, na Bélgica, e chegou ali "através de matérias-primas contaminadas ou através de pessoas", detalhou.

A fábrica de Arlon, nas Ardenas belgas, de onde provêem os produtos Kinder incriminados, foi encerrada no início de abril. Todos os produtos fabricados nesta unidade (Kinder Surprise, Kinder Mini Eggs, Kinder Surprise Maxi 100g e Kinder Schoko-Bons) foram recolhidos.

O grupo, criticado por não ter encerrado a unidade a 15 de dezembro, altura em que a salmonela foi detetada pela primeira vez, voltou a defender-se esta quinta-feira. "No dia 15 de dezembro (...) parámos todas as linhas de produção, fechámos a fábrica, deitámos fora o que tinha sido fabricado", explica o diretor-geral.


A fábrica da Ferrero em Arlon, na Bélgica, foi encerrada na semana passada depois de suspeitas de vários casos de salmonela em produtos da gama Kinder produzidos nesta unidade fabril em 2021.
Ministério Público belga investiga Ferrero por contaminação de chocolates Kinder
A informação foi confirmada pelo Ministério Público da província do Luxemburgo, na Bélgica, à comunicação social local esta segunda. As autoridades belgas já tinham ordenado o encerramento da fábrica de Arlon, responsável por 7% da produção anual da gama Kinder.

"Todos os nossos testes realizados nos dias seguintes foram negativos, o que nos permitiu reabrir a fábrica", acrescentou. "Neste momento, estamos absolutamente certos de que nenhum produto contaminado foi colocado no mercado. O que aconteceu depois disso? A investigação dirá", diz Nicolas Neykov. A justiça belga abriu uma investigação judicial ao grupo em abril.

O responsável afirma que "foi apenas a 2 de abril que as autoridades britânicas estabeleceram uma correspondência estatística [dos casos existentes] com o consumo de Kinder Surprise", levando o grupo a recolher os seus produtos no Reino Unido e, no dia seguinte, em França.

Ferrero recebeu mais de 150 mil pedidos de compensação

A Ferrero recebeu mais de 150.000 pedidos de compensação e 90% deles foram "satisfeitos", segundo o CEO, sob a forma de vales de desconto em qualquer produto alimentar ou vales Kinder, o que representou um custo de menos de dois milhões de euros.


A maioria dos 600 trabalhadores da fábrica são transfronteiriços franceses
Salmonela. Fábrica da Ferrero em Arlon reabre no final de junho
Quase um mês e meio após o encerramento devido ao surto de salmonela, a unidade de produção está a ser alvo de uma limpeza a fundo.

O grupo pretende agora retomar a produção o mais rapidamente possível e pediu que a sua fábrica belga fosse reaberta a 13 de junho. Reconhecendo as falhas no processo de controlo de qualidade, a Ferrero anunciou que 50% das inspeções seriam agora efetuadas por um laboratório externo, mas "por enquanto" tudo se baseia num sistema de autocontrolo interno.

Além disso, a empresa apresentou um plano às autoridades de saúde no dia 4 de maio relativo à limpeza a fundo que envolve 1.000 funcionários, a trabalhar sete dias por semana para reabrir a fábrica. "Serão desmontadas 10.000 peças e limpas uma a uma", precisa.

No plano jurídico, a organização de defesa do consumidor Foodwatch France anunciou a 19 de maio que apresentou uma queixa em Paris na sequência da contaminação dos chocolates da marca. Ao mesmo tempo, apresentou outra queixa contra o grupo Nestlé e a sua gama Fraîch'Up de pizzas, contaminadas com a bactéria E.coli.

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