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Ártico aqueceu mais rápido do que o esperado
Sociedade 3 min. 11.08.2022
Crise climática

Ártico aqueceu mais rápido do que o esperado

Crise climática

Ártico aqueceu mais rápido do que o esperado

Foto: Guillaume Falco/Pexels
Sociedade 3 min. 11.08.2022
Crise climática

Ártico aqueceu mais rápido do que o esperado

AFP
AFP
A informação é de um novo estudo publicado na revista Communications Earth & Environment.

O Ártico aqueceu quase quatro vezes mais depressa do que o resto do mundo nos últimos 40 anos: as conclusões de um novo estudo fazem temer a subestimação dos modelos climáticos dos polos, cujo aquecimento tem uma influência preponderante na subida do nível do mar.

O estudo, publicado na revista Communications Earth & Environment do grupo Nature group, reavalia e eleva substancialmente a taxa de aquecimento na região em redor do Pólo Norte.


O fogo perto da praia em Pyla sur Mer, em França, ao lado de um hotel de 5 estrelas nesta localidade.
Finalmente assustados?
Já podemos romper a conspiração de silêncio e falar sobre o assunto que verdadeiramente importa: a nossa sobrevivência na Terra.

Em 2019, o painel de peritos do clima das Nações Unidas (IPCC, na sigla inglesa) estimou que o Ártico estava a aquecer "mais do dobro da média global", devido a um processo específico na região.

Este fenómeno, conhecido como "amplificação ártica", ocorre quando o gelo marinho e a neve, que refletem naturalmente o calor do sol, derretem e se tornam em água do mar, que absorve mais radiação solar e aquece.

Região aqueceu 0,75ºC por década

Embora os cientistas há muito concordem que o Ártico está a aquecer a um ritmo acelerado, as suas estimativas do fenómeno variam em função do período de tempo que escolhem estudar ou da amplitude com que definem a área geográfica do Ártico.

No novo estudo, os investigadores, radicados na Noruega e Finlândia, analisaram quatro conjuntos de dados de temperatura recolhidos por satélites ao longo de todo o Círculo Ártico desde 1979 - o ano em que os dados de satélite se tornaram disponíveis.

Concluíram que o Ártico aqueceu em média 0,75°C por década, quase quatro vezes mais rápido do que o resto do planeta.


A temperatura no Ártico pode aumentar cinco graus até 2050
Este aumento pode provocar um considerável aumento do nível do mar e devastar muitas zonas do planeta.

Devido aos gases com efeito de estufa gerados pelas atividades humanas, principalmente os combustíveis fósseis, o planeta já aqueceu quase 1,2°C desde a era pré-industrial.

"A literatura científica considera que o Ártico está a aquecer a cerca do dobro da velocidade do resto do planeta, por isso fiquei surpreendido pela nossa conclusão ser muito superior ao número habitual", disse Antti Lipponen, membro do Instituto Meteorológico Finlandês e co-autor do estudo, à AFP.

Modelos climáticos desatualizados?

No entanto, o estudo encontrou grandes variações locais na taxa de aquecimento dentro do Círculo Ártico. Por exemplo, o sector eurasiático do Oceano Ártico, perto do arquipélago norueguês de Svalbard e do arquipélago russo da Nova Zembla, aqueceu 1,25°C por década, cerca de sete vezes mais rápido do que o resto do mundo.

A equipa descobriu que os modelos climáticos mais avançados previam que o Ártico aqueceria cerca de um terço menos do que os seus dados demonstravam.

Esta discrepância, dizem, poderá ser explicada pela obsolescência dos modelos anteriores de clima ártico, que estão constantemente a ser aperfeiçoados.

"O passo seguinte pode ser dar uma olhadela nestes modelos, ver porque não preveem o que constatámos nas observações e que impacto isto tem nas projeções climáticas futuras", referiu Lipponen.


Já não é possível reverter o degelo e a subida do nível da água
Os efeitos das alterações climáticas podem provocar 280 milhões de deslocados, segundo a ONU. Ainda é possível adiar algumas consequências, mas os danos feitos até agora - que afetam o gelo e os oceanos - são irreversíveis. O alerta foi feito pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC).

O intenso aquecimento do Ártico, para além de um sério impacto na população local e na vida selvagem, que dependem da continuidade da caça ao gelo marinho, terá também repercussões globais.

Ritmo de subida do mar quase triplicou

"A mudança climática é feita pelo homem e à medida que o Ártico aquece, os seus glaciares derreterão, o que terá um impacto global no nível do mar", observa Lipponen. "Algo está a acontecer no Ártico e vai afetar-nos a todos."

As calotas de gelo derretidas são o principal motor da subida do nível do mar, seguido pelo derretimento dos glaciares e a expansão do oceano devido à água mais quente. O derretimento do gelo marinho não provoca a subida do nível do mar.

De acordo com o IPCC, o nível do mar subiu 20cm desde 1900. No entanto, o ritmo de subida quase triplicou desde 1990 e, dependendo do cenário, os oceanos poderiam subir mais 40 a 85cm até ao final do século.

A calota de gelo da Gronelândia, que pode estar a aproximar-se do "ponto de viragem" do degelo de acordo com estudos recentes, contém uma quantidade de água congelada capaz de elevar o nível dos oceanos da Terra em até seis metros.

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