Rei Juan Carlos pagou milhões a amante através de contas no Luxemburgo
Rei Juan Carlos pagou milhões a amante através de contas no Luxemburgo
A alemã Corinna Larsen tornou-se na amante mais famosa do rei espanhol pelas piores razões para Juan Carlos. Por causa dela, o rei emérito, de 82 anos, teve agora de 'fugir' do país para tentar credibilizar o reinado do seu filho, Felipe VI. O antigo monarca é suspeito de lavagem de dinheiro, são 65 milhões de euros que terá depositado numa conta na Suíça e alegadamente terá oferecido a Corinna.
Mas há 24 anos, uma outra amante, a espanhola Bárbara Rey, apresentadora e atriz, hoje com 70 anos, esteve prestes a originar um escândalo, que na altura, poderia ter sido muito desastroso para Juan Carlos e para a coroa. O caso aconteceu em 1996 e teria abalado muito a imagem do rei, que pagou mais de três milhões de euros ( 500 milhões de pesetas na altura), para comprar o silêncio da atriz, então com 46 anos.
Isto para além de uma mesada de 70 milhões de pesetas que aquela ‘sex simbol’ espanhola recebeu do monarca durante muitos dos quase 20 anos em que manteve uma relação secreta com ele.
A chantagem de Barbara Rey
Em 1996, Juan Carlos era Rei de Espanha, mas foi apanhado numa chantagem de Barbara Rey, que durante os anos que esteve envolvida com o monarca gravou secretamente em vídeo e áudio os encontros dos dois, no “nikito de amor”, como chamavam os serviços secretos à casa em Madrid alugada para o 'casal'.
Para que esses vídeos privados, considerados “explosivos”, não caíssem nas mãos erradas ou fossem divulgados, o rei acordou pagar através dos serviços secretos espanhóis mais de três milhões de euros a Barbara, dois anos depois do rei ter terminado a relação com ela.
Para tal, abriram uma conta no Luxemburgo de onde mensalmente transferiram parcelas do montante entre 1996 e 1997, como revelou o jornal espanhol OK Diario em 2017, num artigo onde conta todos os pormenores desta transação, que chocou Espanha. Mas como Juan Carlos já tinha abdicado não houve consequências daquela vez.
As contas criadas no Luxemburgo
A conta no Kredietbank Luxemburgo para pagar a chantagem foi criada sob um nome de uma firma comercial, uma sociedade offshore sediada num paraíso fiscal, para ocultar as identidades e mesmo para as transferências para Barbara Rey foram usados nomes falsos, revela o jornal espanhol OKDiário, que publica extratos dessa conta. Mensalmente, o Cesid, os antigos serviços secretos espanhóis, ali depositavam 160 mil euros (26,3 millones de pesetas) para a ex-amante não divulgar o material escandaloso, revelou o OKDiario.
Quando o pagamento ficou completo, esta conta no Luxemburgo foi fechada. No entanto, esta amante do rei Juan Carlos foi ao longo dos anos recebendo dinheiro de outras contas secretas criadas para si no Luxemburgo, mas também na Suíça, Paris ou Bélgica como garante a escritora Pilar Urbano no seu livro ‘Yo entrei no Cesid’.
Uma mesada de mais de 11.500 euros
“Barbara Rey recebia uma mesada de 11.647 euros (70 milhões de pesetas) por mês do rei”, garantiu Pilar Urbano numa entrevista no programa ‘Salva-me’ da Telecinco, e outras na imprensa espanhola, em 1997.
Fontes do antigo Cesid confirmaram ao OKDiário que no Luxemburgo e na Suíça foram contas “secretas sob identidades falsas ou sociedades”, “antes do verão de 1997”, “tendo saído da nossa sede 40 milhões de pesetas (cerca de 6.655 milhões de euros) de fundos reservados para comprar vontades no caso Barbara Rey”. “Desconheço o destino do dinheiro”, afirmou a fonte.
O Cesid era o antigo Centro Nacional de Inteligência espanhol, ou seja, os serviços secretos. Eram altos funcionários que tratavam destes assuntos de saias do monarca e pagavam a Barbara Rey com dinheiros de fundos reservados à luta contra o terrorismo e crime organizado, adianta o OKDiário. Como são fundos reservados para estes fins as autoridades que fazem a sua gestão não estão obrigadas a identificar a quem são entregues nem os seus beneficiários finais, explica este diário espanhol. E foi assim que a atriz espanhola foi recebendo mensalmente quantias elevadas mensais oferecidas pelo rei.
Juan Carlos aceitou pagar a chantagem, pois em 1996, Barbara Rey passava por dificuldades económicas, estava cheia de dívidas nomeadamente devido ao vício do jogo, e penhorara as suas jóias, menos as que o rei lhe fora oferecendo. Para os serviços secretos esta situação foi avaliada como “um assunto de Estado de alto risco”, segundo reconheceu um ex funcionário com um alto cargo no Cesid ao OKDiário.
Quando os serviços secretos assaltaram a casa de Barbara
Poucos meses depois do pagamento final no Luxemburgo a atriz veio a público afirmar que lhe tinham assaltado a casa e levado vídeos e gravações áudio que comprometiam “uma personalidade muito importante de Espanha”. Dias antes, a atriz tinha denunciado numa esquadra de polícia em Madrid as pressões que estava a receber “de amigos do rei e dos serviços secretos e acusou-os de roubar o material vídeo e áudio que tinha em sua casa, as tais gravações com o rei, que a atriz guardava numa ‘caixa forte’ em casa. A denúncia nunca foi investigada e Bárbara Rey nunca mais viu Juan Carlos.
“Estou a ser ameaçada, eu e os meus filhos, desde há meses. Mas fixa-me o rosto que estou a olhar diretamente par a câmara. Podem matar-me mas todo o mundo saberá quem foi”, declarou Bárbara Rey num programa de televisão em 1997.
Uma relação secreta com quase 20 anos
O romance proibido com o rei casado iniciou-se na década de 70, tinha a espanhola 20 e poucos anos e era tida como a mais sensual atriz do país. Esta primeira fase durou até o rei decidir terminar tudo e pouco depois a estrela decidiu casar-se com um domador de elefantes, em 1980, deixando os palcos e televisão e indo para o circo. O casamento com Ángel Cristo, com quem viveu numa caravana circense terminou em 1987. Anos mais tarde, barbara Rey acusou o marido de maus-tratos e obrigou-o a pagar uma pensão alimentar aos dois filhos do ex-casal. Pouco depois, Juan Carlos e Barbara Rey voltariam a recomeçar a relação que durou até 1994. Em 1996, chantageou-o.
“Se esta senhora – disse referindo-se à sua ex-mulher – foi capaz de chantagear um dos homens mais importantes deste país, como não vai destruir um pobre homem de circo como eu!”, ouviu-se Ángel Cristo, já falecido, dizer numa gravação audio que a filha Sofia mostrou no programa de televisão espanhol, Crónicas Marcianas, em 2000. Essa senhora, era Barbara Rey, claro.
Agora a ex-amante defende Juan Carlos
Ao longo dos anos, Barbara Rey foi prometendo por várias vezes revelar tudo sobre a sua vida, e quem era o tal "homem muito importante", mas nunca o fez.
Mas desde a última quinta-feira que esta ex-amante tem manifestado o seu apoio ao rei emérito Juan Carlos, na sua conta de instagram, compartilhando mensagens de defensores do rei ou de políticos alegadamente corruptos.
Na imprensa espanhola já se especula se é desta vez que a apresentadora irá confirmar a relação que manteve com o rei de Espanha e os segredos que tem prometido revelar.
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