Rastreio de doentes covid-19 desencadeia debate na Europa
Rastreio de doentes covid-19 desencadeia debate na Europa
Os smartphones como uma nova barreira sanitária? Esta é a espinhosa questão debatida nas últimas semanas em vários países europeus. Se aos olhos da Comissão Europeia o rastreio dos pacientes parece ser um "elemento importante" para o bom funcionamento da desconfinamento, os 27 mostram-se particularmente divididos quanto a esta questão.
Embora a Áustria, a Islândia e a Noruega já tenham lançado a sua própria versão com base no modelo chinês, a questão está longe de ser unânime. Em causa estão as preocupações com a privacidade e as liberdades individuais.
No Luxemburgo, o primeiro-ministro, Xavier Bettel, declarou, no início de abril, em alto e bom som a sua oposição à utilização de um tal mecanismo, mas um mês depois, a situação parece ter mudado. O chefe do governo afirmou aos eurodeputados que estava "aberto" a alguma forma de rastreio, porém, sob certas condições, defendendo, nomeadamente, que esse rastreio deverá ser anónimo e numa base voluntária.
O Primeiro-Ministro justifica esta reviravolta por não querer que o Luxemburgo seja "apanhado desprevenido". Uma referência a uma potencial acção europeia que conduza à criação de uma aplicação comum. E que tem razão de ser, uma vez que "existe uma pressão externa dos nossos parceiros europeus", explica Sven Clement (Partido Pirata) ao Quotidien, antes de acrescentar que alguns países poderiam "[impor] a utilização de tal aplicação para permitir o tráfego e as viagens de novo", o que é se revela uma questão importante após seis semanas de contenção.
Um debate necessário
Só que a Alemanha já contrapôs esta ideia, anunciando uma preferência por outra aplicação. Esta viragem justifica-se, sobretudo, pela falta de protecção da privacidade dos utilizadores e pelo desejo de um lançamento mais rápido.
Tal como no Grão-Ducado, Berlim pretende que a utilização da sua futura aplicação seja anónima e que funcione numa base voluntária.
Os mesmos receios existem em França, onde as autoridades se comprometeram, no entanto, a instaurar um sistema deste tipo até 11 de Maio. Mas no país, a noção de "rastreio" permanece politicamente sensível e é difícil de convencer.
O primeiro-ministro francês Edouard Philippe garantiu na terça-feira, 28 de abril, que será organizado um debate "quando a aplicação actualmente em desenvolvimento estiver operacional e antes da sua implementação".
A Bélgica, por seu lado, optou por uma solução alternativa para controlar a propagação da epidemia. Caso o país não venha a utilizar uma aplicação, será criado um sistema de rastreio alternativo, disse na sexta-feira a Primeira-Ministra Sophie Wilmès.
Este é um mal necessário para o epidemiologista Marius Gilbert, para quem este tipo de dispositivo permitirá "cortar as cadeias de transmissão do vírus". Mas, sobretudo, afirmou no final de abril, a substituição da contenção colectiva "por medidas individuais e específicas".
Cada um tem a sua própria estratégia, mas a questão do rastreio está longe de estar resolvida e deve permanecer na ribalta durante mais algumas semanas. Porque, como defendem os especialistas, as medidas de protecção atualmente em vigor poderão ter de permanecer em vigor "durante mais algumas semanas, ou mesmo meses".
(Artigo traduzido e originalmente publicado na edição francesa do Luxemburger Wort)
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