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Radiografia da comunidade: Imigração cabo-verdiana vai ser discutida em reunião inter-ministerial

Radiografia da comunidade: Imigração cabo-verdiana vai ser discutida em reunião inter-ministerial

Foto: Henrique de Burgo
Sociedade 2 min. 07.02.2018

Radiografia da comunidade: Imigração cabo-verdiana vai ser discutida em reunião inter-ministerial

O Gabinete Luxemburguês de Acolhimento e Integração vai levar os resultados do estudo do CEFIS sobre a imigração cabo-verdiana a debate no comité inter-ministerial. O estudo diz que 48% dos cabo-verdianos no Luxemburgo ganha o salário mínimo e que as crianças continuam a engrossar o ensino modular e técnico.

Os principais indicadores da imigração cabo-verdiana no Luxemburgo são preocupantes. Depois de quase 60 anos de imigração, os números do recente estudo do Centro de Estudos e de Formação Intercultural e Social (CEFIS) revelam que 48% dos cabo-verdianos no Luxemburgo ganha o salário mínimo. O desemprego ronda o triplo da média nacional, a maioria dos cabo-verdianos tem profissões não qualificadas e as crianças são empurradas para o ensino modular e técnico.

As principais conclusões deste estudo vão ser discutidas em reunião inter-ministerial, como garantiu ao Contacto a responsável da divisão de integração do Gabinete Luxemburguês de Acolhimento e Integração (OLAI), Laure Amoyel.

“O estudo apresenta um olhar importante sobre o diagnóstico da situação. Como há temas que envolvem vários ministérios, o OLAI coordena esta política de integração. Vamos levar a cabo algumas interpelações, que é papel do OLAI. Vamos tentar abordar este tema brevemente no comité inter-ministerial, que poderá discutir diferentes assuntos com o Ministério da Educação, a Administração de Emprego (Adem) ou outras entidades concernidas”, refere, Laure Amoyel.

Sob coordenação do OLAI, a próxima reunião está agendada para final de março e o estudo do CEFIS “vai ser discutido numa das próximas reuniões”, complementa a responsável de projetos do OLAI, Véronique Piquard. Apoiado pelo fundo europeu Asilo, Migração e Integração (AMIF), que é gerido pelo OLAI, o estudo do CEFIS deverá ter um seguimento.

“Vamos ver o que se pode fazer a partir daqui porque é um primeiro diagnóstico. Veremos que ministério ou fundo europeu poderá ter competência para seguir este projeto e determinar outras medidas”, porque “o processo de integração é dinâmico e há sempre a possibilidade de pôr as coisas a funcionar de maneira regular e de fazer adaptações”, conclui Laure Amoyel.

A Federação das Associações Cabo-verdianas (FACVL) saúda a "boa iniciativa" do OLAI e reconhece que "há pontos a mudar". "O estudo é bom porque faz-nos abrir os olhos sobre certos pontos que temos de melhorar. A federação e as associações vão trabalhar no sentido de melhorar esses pontos", disse ao Contacto o vice-presidente da FACVL, Pedro Santos.

Este é o primeiro estudo do género, totalmente dedicado à comunidade cabo-verdiana e com esta amplitude. Se houver seguimento deste estudo, como espera Pedro Santos, o dirigente associativo acredita que as estatísticas vão melhorar, até porque “muitos dos dados [deste estudo] não eram atuais”.

“Tenho a certeza de que os números vão mudar. Estou cá há mais de 40 anos e já vi muitas mudanças, como nos últimos anos na educação. As coisas agora estão diferentes e tenho a certeza de que os pais estão mais empenhados no acompanhamento dos filhos na escola. Há menos insucesso escolar e há mais jovens formados, como ficou demonstrado no projeto “N ta Konsigui” (Eu consigo) apresentado pela associação Amizade Cabo-verdiana na Universidade de Esch-Belval”, diz Pedro Santos. 

"Este estudo deve continuar e vamos reunir na próxima semana com o CEFIS e a embaixada de Cabo Verde no Luxemburgo para ver o que se pode fazer para dar seguimento a isso", conclui.

Henrique de Burgo

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