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Quase 23% das mulheres sofrem "corte" no períneo durante o parto
Sociedade 12.11.2019

Quase 23% das mulheres sofrem "corte" no períneo durante o parto

Quase 23% das mulheres sofrem "corte" no períneo durante o parto

© DragonImages/Istock.com
Sociedade 12.11.2019

Quase 23% das mulheres sofrem "corte" no períneo durante o parto

Diana ALVES
Diana ALVES
Chama-se episiotomia e continua a ser prática comum nas maternidades do Luxemburgo, embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) diga que não se deve fazer dela uma rotina.

Dados divulgados pelo ministro da Saúde indicam que quase 23% das mulheres que deram à luz no Grão-Ducado em 2016 sofreram o chamado "corte no períneo" durante o parto.

Na resposta a uma questão parlamentar do deputado Gusty Graas, do DP, o ministro da Saúde, Étienne Schneider, revela que a taxa baixou entre 2014 e 2016, passando de 26% para 22,5%. Apesar da diminuição, o país continua a apresentar uma taxa elevada, superando por exemplo a registada em França. No país vizinho, a percentagem baixou de 27%, em 2010, para 20%, em 2016.

Os dados referentes ao Luxemburgo – extraídos do relatório PERINAT 2015-2016 – surgem na resposta a uma questão parlamentar do deputado liberal sobre a violência obstétrica. Um fenómeno que inclui várias práticas durante o parto tais como a episiotomia, a compressão abdominal ou os casos em que a dor da mulher é ignorada pelos profissionais de saúde.

No caso do corte cirúrgico na zona do períneo, o procedimento levanta muitas questões, até porque por vezes é feito sem que a mulher saiba. Além disso, a OMS alerta que não há provas de que o recurso constante à técnica tenha os efeitos desejados, isto é, que facilite de facto o parto. Num artigo divulgado no ano passado no seu site oficial, a organização sublinha que o uso excessivo deste procedimento "não é recomendado", embora reconheça que é difícil determinar qual deve ser a taxa aceitável de episiotomias.

Além dos números sobre o chamado "corte", o ministro da Saúde diz não haver registos específicos sobre eventuais casos de violência obstétrica durante o trabalho de parto. Étienne Schneider acredita no entanto que é necessário sensibilizar a comunidade médica para esta problemática. Daí já ter pedido um parecer sobre a matéria ao Conselho Científico na área da saúde.