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"Quando falamos de violência contra mulheres e raparigas, não estamos só a falar de violência doméstica"
Sociedade 4 min. 25.11.2021
Orange Week

"Quando falamos de violência contra mulheres e raparigas, não estamos só a falar de violência doméstica"

Orange Week

"Quando falamos de violência contra mulheres e raparigas, não estamos só a falar de violência doméstica"

Foto: Shutterstock
Sociedade 4 min. 25.11.2021
Orange Week

"Quando falamos de violência contra mulheres e raparigas, não estamos só a falar de violência doméstica"

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
No Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, Anik Raskin, da CNFL, lembra que é preciso olhar para todas as formas de violência contra as mulheres e combatê-las em várias frentes.

Esta quinta-feira, 25 de novembro, assinala-se mais um Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres. No Luxemburgo, a data faz parte de toda uma semana (a Orange Week) dedicada a sensibilizar e a combater este flagelo social, que tem, muitas vezes, uma expressão mais visível nos casos de violência doméstica, mas que não se fica por aqui.

Um dos objetivos que Anik Raskin, diretora do Conseil National des Femmes du Luxembourg (CNFL), espera que a edição de 2021 da Orange Week (Semana Laranja) consiga alcançar é, precisamente, o de colocar sobre o mesmo foco as outras formas de violência que atingem as mulheres.

"Gostaríamos de chamar a atenção para o facto de que quando falamos de violência contra mulheres e raparigas, não estamos só a falar de violência doméstica. É importante falar também de assédio sexual (na rua e no local de trabalho), assim como de abuso sexual e por aí adiante", refere ao Contacto.  

Apesar disso, a edição deste ano da Orange Week acontece dias depois de o Governo ter divulgado a estratégia de combate à violência doméstica, que vai envolver três ministérios: Igualdade, Justiça e Segurança Interna.


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Segundo o comunicado do Ministério da Igualdade entre Mulheres e Homens (MEGA), divulgado esta quarta-feira, para assinalar o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres e a Orange Week, a violência doméstica continua a ser uma realidade diária, no Luxemburgo, que afeta todos os meios sociais e todas as comunidades. Em 2020, registaram-se 943 intervenções policiais e 278 expulsões de agressores, tendo sido sinalizadas 1003 vítimas do sexo feminino, num total de 1672.  

Na estratégia conjunta, apresentada a 12 de novembro, os ministros que tutelam aquelas três pastas (Taina Bofferding, Sam Tanson e Henri Kox) comprometeram-se a desenvolver, além das suas próprias políticas para combater o problema, ações concertadas para melhorar a proteção das vítimas de violência doméstica. 


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Para Anik Raskin, "cada iniciativa é bem-vinda", mas a ativista considera que "seria importante incluir o Ministério da Educação nesses planos".

A responsável da CNFL vê, de resto, na educação um dos principais pilares para acabar com a violência de género, não apenas a que acontece em contexto doméstico e relacionada com o parceiro. 

Quando questionada pelo Contacto sobre quais deveriam ser as prioridades nas políticas tomadas para combater a violência contra as mulheres, essa é a que coloca em primeiro lugar, mas não a única. "Educação, trabalho social, combate aos estereótipos, livre acesso das vítimas à justiça, formação para a polícia, para os juízes e todos os profissionais envolvidos". São estas as prioridades que considera que devem estar no topo das preocupações políticas, numa altura em que também aumentam as queixas de agressões sexuais contra mulheres em bairros problemáticos da capital, como os da Gare e de Bonnevoie, e nos transportes públicos.

Uma semana de sensibilização para ser praticada o ano todo

Sobre os pontos altos desta edição da Orange Week, Anik Raskin destaca a marcha de solidariedade realizada no passado sábado, em Esch-sur-Alzette, que foi encabeçada pelo Grão-Duque Henri e pela Grã-Duquesa Maria Teresa, ao lado da ministra da Igualdade, Taina Bofferding, e que reuniu ativistas e organizações luxemburguesas que combatem a violência contra as mulheres e defendem os seus direitos.


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Além disso, "há cerca de 50 eventos a decorrer durante a campanha", acrescenta sem querer selecionar, remetendo para a programação que pode ser consultada no site da CNFL sobre a campanha. 

A Orange Week decorre até 10 de dezembro, data em que se assinala o Dia Internacional dos Direitos Humanos. No comunicado do MEGA, Taina Bofferding sublinhou a importância simbólica desta semana e das suas atividades de esclarecimento e sensibilização, mas defendeu que  "o empenho da sociedade deve ir além destes dias de ativismo para fazer da luta contra a violência de género uma prioridade diária", lembrando as parcerias que têm sido feitas com organizações da sociedade civil, do mundo empresarial e com os municípios, na luta contra a violência sobre as mulheres.


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