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"Professores luxemburgueses vão aprender português"
Sociedade 6 min. 20.09.2022
Entrevista

"Professores luxemburgueses vão aprender português"

Entrevista

"Professores luxemburgueses vão aprender português"

Foto: Marc Wilwert
Sociedade 6 min. 20.09.2022
Entrevista

"Professores luxemburgueses vão aprender português"

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Claude Meisch, ministro da Educação visita Portugal, em breve, para reforçar ensino de português no Luxemburgo.

O que podemos fazer para melhor os resultados dos alunos que estão abaixo da média dos países da OCDE em competências como a matemática, ciências e leitura? A resposta é diversificar a oferta como estão a fazer?

É uma das nossas respostas. Constatámos, com as análises Pisa, e também com outras análises nacionais e internacionais, que oferecemos um sistema escolar que está bem adaptado à população luxemburguesa e também a uma população não luxemburguesa, muito heterogénea. Por isso é que começámos há seis anos, o processo de abertura das escolas europeias agregadas públicas, para dar oportunidade a todos os alunos, se quiserem, ter uma segunda alternativa num modelo que corresponde mais às suas necessidades. Há cinco anos lançámos uma segunda iniciativa que passa por reforçar as competências de comunicação e linguísticas nas crianças mais jovens, nas cresces e pré-escolar. Porque muitos estudos demonstraram que, no momento de entrada da criança na escola existe uma grande diferença entre os que provém de um meio favorecido, com pais com um certo nível de educação, e os que provém de um meio desfavorecido, sobretudo ao nível da comunicação quotidiana. 

As crianças portuguesas são as nossas crianças.

Claude Meisch, ministro da Educação

Uma criança que não fala, que fica sozinho todo o dia, ou que a única comunicação que tem é com a  televisão ou com outro dispositivo eletrónico, não desenvolve a capacidade de comunicação. O que faz com que tenha desvantagens ao nível de aprendizagem da sua língua maternal e de outras línguas estrangeiros e ao nível da leitura e da escrita. Por isso insistimos muito no estímulo da comunicação em idades muito precoces. Existem outros fatores de desigualdade. Não dizemos unicamente que são crianças que saem de famílias de migrantes com problemas no nosso sistema escolar. Mas também crianças que provém de meios mais desfavorecidos, que não têm as mesmas hipóteses de ter sucesso. 

A opção para diminuir esta desigualdade passa por oferece uma escola em jornada contínua. Foi isso que fizemos todos os anos com o desenvolvimento das “maison relais”, investindo na sua qualidade e agora, na sua gratuitidade. Para garantir que todas as crianças terão acesso a essa educação não formal. A educação formal é obrigatória e gratuita e a educação não formal é facultativa, mas mesmo assim gratuita e de elevada qualidade. A ciência diz que é o que podemos fazer para dar as melhores oportunidades a todas as crianças. Claro que isso levará algum tempo.

O estudo Pisa avalia as competências das crianças de 15 anos. Se investir nas competências de comunicação de crianças de três anos isso vai demorar tempo a ter efeito: 12 anos antes desta geração participar num estudo Pisa. Felizmente temos a nossa monitorização escolar desenvolvida pela Universidade do Luxemburgo. Em cada 3 ou  4 anos todos os alunos são testados. Um momento em que podemos constatar todas as diferenças e desenvolvimentos. Podemos também avaliar projetos piloto como a alfabetização em língua francesa. Ou a introdução de novos manuais e uma nova metodologia de ensinar o francês.  Assim poderemos avaliar os resultados e verificar se pudemos melhorar ou evoluir.


Alfabetização em francês deverá ser opção em todas as escolas luxemburguesas
No futuro, aprender a ler e a escrever em francês poderá vir a ser uma escolha para os pais em todas as escolas do Luxemburgo, revela o Ministro da Educação, Claude Meisch, em entrevista ao Contacto.

Porque é que vai visitar Portugal este ano?

Não há grandes decisões a tomar. Tudo o que poderá ser decidido fizemo-lo há alguns anos. Mas estamos em contacto muito estreito com a embaixada de Portugal e as autoridades portuguesas para ter uma troca sobre os diferentes pontos. Para mim, é importante comunicar e explicar como vemos as coisas. Tento explicar a situação em que estamos e quais os nossos desafios gerais. Mas também de documentar o que fazemos como esforço suplementar e aí é importante ter uma troca regular. Temos algumas mudanças de lei que foram feitas ou que serão feitas no futuro até ao final da legislatura. A interculturalidade que terá lugar na nova lei escolar, na lei sobre integração dos emigrantes que chegam que é um tema muito importante. Porque a maioria dos emigrantes que chegam têm crianças que começaram a sua escolaridade noutro país e que vêm para o Luxemburgo para seguir a sua escolaridade.

Há um segundo relatório de avaliação sobre os novos cursos complementares de português ao nível da escola fundamental. Porque há cinco anos houve uma grande discussão porque a participação em cursos de língua portuguesa estava a cair. Porque muitas administrações comunais se opuseram.

Porque havia apenas uma hipótese de frequentar estes cursos de português,  que passava por deixar a sua aula de ciência para frequentar o curso em língua portuguesa. Muitas autoridades comunais diziam que esses alunos faltavam ao curso em  ciências. Por isso lançámos uma iniciativa de um curso complementar de língua portuguesa que pode ser frequentado depois da escola.  

Este modelo que agrada mais às autoridades comunais, e o número de inscrições está a aumentar.

Pretendemos melhorar os procedimentos de reconhecimento de diplomas.

Claude Meisch, ministro da Educação

Estamos também a trabalhar sobre a presença de cursos complementares de língua portuguesa nas escolas internacionais, que ainda não existem. Há uma oferta de cursos de língua portuguesa como opção ao nível do liceu, que infelizmente não são muito frequentados e trabalhamos sobre a qualidade, currículos e certificação destes cursos. Um jovem português, por vezes, não domina tão bem a língua alemão, o que é uma desvantagem no meio escolar. Mas se ele domina a língua portuguesa, porque não dar-lhe a oportunidade de  certificar essas competências em português e colocá-lo no boletim das classificações e no diploma?


Por que é que o ensino em português no Luxemburgo é uma má notícia?
Uma das notícias mais comentadas esta semana foi o ensino de algumas disciplinas em português na nova escola internacional do Luxemburgo.

Depois estamos a discutir a introdução da língua portuguesa nos cursos de formação de adultos. Para que uma grande maioria de adultos possam desenvolver o seu português e certificá-lo. Haverá também cursos de português destinados aos professores luxemburgueses para aprenderem a língua e a cultura portuguesas. O que é muito importante na comunicação com os pais e para ter uma compreensão da situação de migração e das famílias dos alunos.

Haverá ainda contratos de colaboração da Escola de Hotelaria de Turismo do Luxemburgo com escolas portuguesas. Discutiremos, ainda,  o reconhecimento de diplomas nas duas direções.

Que é um grande problema…

Pretendemos melhorar os procedimentos de reconhecimento de diplomas e comunicar o que é reconhecido e o que não e reconhecido. Estão previstos encontros com os ministros da Educação e Negócios Estrangeiros. O encontro devera acontecer em meados de novembro.

Quer deixar uma mensagem à comunidade portuguesa?

Como sempre, digo mesmo às autoridades portuguesas e ao ministro da educação as crianças portuguesas são as nossas crianças e tentamos que sejam integrados no nosso sistema escolar adaptando-o a esta diversidade. Não há apenas a comunidade portuguesa, existem muitas outras línguas e nacionalidades que também estão presentes. É há um grande desafio da integração e ao nível escolar. Trabalhamos para que todas as crianças e também as crianças portuguesas possam ter sucesso.

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