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Príncipe André envolvido em escândalo com banco do Luxemburgo
Sociedade 5 min. 02.12.2019

Príncipe André envolvido em escândalo com banco do Luxemburgo

Príncipe André envolvido em escândalo com banco do Luxemburgo

Swen Pförtner/dpa
Sociedade 5 min. 02.12.2019

Príncipe André envolvido em escândalo com banco do Luxemburgo

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
O duque de York terá usado missões comerciais oficiais como embaixador do comércio do Reino Unido para promover o Banco Havilland, sediado no Luxemburgo e propriedade do empresário David Rowland.

O nome do príncipe André, 59 anos, continua a ser arrastado para as primeiras páginas dos jornais por causa de mais um escândalo.  

Depois do caso de abuso sexual de menores que envolveu o milionário e predador sexual, Jeffrey Epstein, e que obrigou o duque de York a retirar-se da vida pública e abdicar de todos os seus deveres enquanto monarca, eis que surge outra notícia que volta a colocar em causa o caráter do príncipe. 

O jornal britânico Daily Mail divulgou recentemente emails que deixam André numa situação muito delicada, já que provam que este aproveitava as missões comerciais oficiais como embaixador do comércio do Reino Unido para promover o Banco Havilland, sediado no Luxemburgo e propriedade do empresário David Rowland.

Os emails que se tornaram agora públicos são também do filho de David, Jonathan Rowland, e provam que o André tinha uma participação de 40% numa empresa com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, a Inverness Asset Management, que existiu até março deste ano. O filho da rainha Isabel II é também acusado de mostrar documentos confidenciais do governo à família Rowland.

Conflito de interesses

A posição de André como embaixador do comércio do Reino Unido entre 2001 e 2011 era considerada de alto nível. Cabia ao príncipe promover os negócios britânicos e atrair investimento estrangeiro, fazendo-o através de viagens oficiais ao exterior financiadas pelos contribuintes. 

Os emails mostram que, numa viagem oficial à China, Andrew foi acompanhado por Jonathan Rowland e ajudou-o a visar potenciais novos clientes ricos

A visita à China aconteceu em março de 2010. A razão da viagem de três dias  prendia-se com a assinatura de um acordo de gás de 31 mil milhões de euros entre o BG Group, a multinacional britânica de petróleo e gás, e a China National Overseas Oil Corporation, uma empresa estatal de petróleo. 

Na altura o Reino Unido ainda estava a recuperar do colapso financeiro de 2008 e era vital impulsionar o comércio com países em expansão, como é o caso da China. 

Amanda Thirsk, então vice-secretária particular de André, organizou a participação de Jonathan Rowland na viagem. Os emails mostram também que Thirsk enviou ao duque a sua agenda de viagem no dia 10 de março - quinze dias antes da visita. 

No dia seguinte, Andrew enviou o plano para Jonathan Rowland e perguntou em quais eventos Rowland estaria interessado em participar. "Este é o meu esboço de programa para a China", disse ele. "Em que eventos precisas de estar presente? Podes dizer à Amanda que precisamos apenas de os alertar para a tua chegada?". 

Rowland respondeu: "gostaria de ir a tudo aquilo a que me deixarem chegar". E continuou afirmado: "Se não for relevante para o nosso negócio, sentar-me-ei em silêncio e, se não for possível, não me juntarei a vocês. Deixo que sejam vocês a decidir".

Desta forma, as conversas divulgadas pelo Daily Mail expõem um  conflito de interesses no qual o duque usou a posição como enviado comercial para atuar como um facilitador para os Rowlands. 

Jonathan chegou a acompanhar o membro da realeza britânica numa missão comercial oficial à Arábia Saudita, onde conheceu o príncipe Sultão Bin Salman Bin Abulaziz al Saud, o segundo filho do atual monarca do país. 

A relação entre o banqueiro e o príncipe era próxima. Numa das conversas, já depois do escândalo de Epstein, Jonathan terá sugerido a André que as suas atividades comerciais deveriam continuar "fora do radar".

O Palácio de Buckingham não emitiu até à data nenhum comunicado oficial sobre o assunto. 

O escândalo Epstein 

Numa entrevista recente com a estação de  televisão pública BBC, o duque de York tinha como objetivo 'limpar' a sua reputação e esclarecer as acusações que recaem sobre si, nomeadamente sobre os encontros sexuais com Virginia Roberts-Guiffre. 

A mulher acusa o príncipe de 59 anos de abuso sexual quando esta tinha apenas 17 anos. Virginia assegurou que foi forçada "em repetidas ocasiões" a ter relações sexuais com o duque de York, entre 1999 e 2002. 

Quando confrontado com a situação, o duque de York negou tê-la conhecido. Apesar do testemunho de Virgínia e uma fotografia em que o príncipe surge com o braço à volta da cintura da jovem, André afirmou que os encontros nunca aconteceram.  

Duas fotografias de 2010, reveladas pela imprensa, colocam em questão a veracidade das palavras de André. Numa delas, o membro da família real surge na casa de Epstein, em Nova Iorque, a despedir-se de uma jovem quando esta sai de casa. 

"[Ter ficado em casa dele] incomoda-me todos os dias porque não é algo próprio de um membro da família real e nós tentamos manter os mais altos padrões e práticas e eu envergonhei-os, tão simples quanto isso", disse na entrevista à BBC. 

A estadia ocorreu já depois de uma primeira condenação de Epstein, em 2008, por prostituição de menores. "Era um lugar conveniente para ficar. Pensei muito e concluí, com a retrospetiva que se pode fazer, que foi definitivamente uma decisão errada. Mas, na altura, achei que era uma atitude certa e honrosa", reforçou. As palavras do duque do York não convenceram a opinião pública.

Epstein foi acusado de montar uma rede de tráfico de dezenas de jovens menores nas suas mansões em Nova Iorque, e na Florida, há mais de dez anos.


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