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Portuguesa é a primeira pessoa a morrer com um palito na garganta
Sociedade 2 min. 14.04.2019

Portuguesa é a primeira pessoa a morrer com um palito na garganta

Portuguesa é a primeira pessoa a morrer com um palito na garganta

Foto:DR
Sociedade 2 min. 14.04.2019

Portuguesa é a primeira pessoa a morrer com um palito na garganta

Uma mulher de Coimbra foi às urgências com queixas de algo preso na garganta. O exame de raios X não acusou nada. Diagnosticaram-lhe problemas psicológicos e uma gripe. Afinal tinha um pedaço de palito preso na garganta. Morreu em casa sozinha, dias depois. O caso deu origem a um artigo numa revista científica internacional.

Este é um caso deveras insólito que aconteceu em Coimbra, que poderia ser um guião de um episódio do CSI, e que até já deu origem a um artigo na publicação científica “The Journal of Forensic and Legal Medicine” e noticias na imprensa internacional.

Uma mulher de 50 anos, de Coimbra, fez uma refeição de pão com salame e depois disso começou a sentir “algo preso na garganta”. O incómodo era grande e decidiu recorrer às urgências hospitalares. Examinaram-lhe a garganta, fizeram-lhe um  exame de raios X e uma laparoscopia que não acusaram nada.

Os sintomas persistiram e os médicos decidiram olhar para o seu historial médico. Descobriram que por ter enviuvado, esta mulher possuía um historial clínico de doenças psicológicas. Enviaram a paciente para a psiquiatria, pensando que poderiam estar perante um caso de “globus pharyngeus”, um episódio que se caracteriza por uma sensação de nódulo na garganta devido à contração dos músculos do pescoço. Caso que estaria ligado ao seu quadro depressivo.

Nesta especialidade, consideraram que a mulher estava saudável. De volta à medicina geral, os médicos diagnosticaram-lhe então uma gripe, receitando-lhe antibióticos e recomendando o regresso às urgências caso os sintomas se agravassem.

Cinco dias depois, a mulher foi encontrada morta em casa, com o pijama coberto de sangue e ferimentos na cara e na cabeça.

Perante este cenário, e ainda sem a autópsia feita, a família chegou a suspeitar do envolvimento do namorado da mulher – eles viviam juntos – na sua morte, devido sobretudo aos ferimentos na cabeça e ao sangue encontrados no cadáver.

Só os resultados do exame forense revelaram a verdadeira causa: o palito. A infeção do pedaço de palito, que estava alojado no interior da garganta interferiu com os nervos vitais da mulher, ligados ao cérebro, aos pulmões e ao coração, provocando-lhe uma paragem cardiorrespiratória. Foi assim que ela morreu, como explica o artigo publicado na revista científica.

Um dos autores do artigo e patologista do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, César Lares dos Santos, explicou à imprensa que durante a autópsia se verificou que a garganta tinha muito pus e este foi causado pela infeção do pedaço de palito.

Este especialista alertou ainda que os médicos devem “estar extra-vigilantes”, pois neste caso concreto, o palito não podia ser encontrado pelos médicos do hospital porque pequenos objetos, até moedas, podem não ser vistos no exame de raios X.

 Os médicos “devem sempre manter um elevado nível de suspeita até para cenários patológicos menos comuns. Depois, devem evitar diagnósticos pré-concebidos como os que estão associados a alterações psiquiátricas”, vincou César Lares dos Santos. Esta foi a primeira vez que foi registada uma morte provocada por um palito preso na garganta, segundo este patologista. Os dados que a sua equipa possui indicam casos de doentes que engoliram acidentalmente palitos mas que lhes provocaram lesões na laringe, sem grande gravidade.

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