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Portugal tem 100 casos confirmados de varíola dos macacos
Sociedade 3 min. 31.05.2022
Surto

Portugal tem 100 casos confirmados de varíola dos macacos

As erupções cutâneas são um dos sintomas desta doença viral.
Surto

Portugal tem 100 casos confirmados de varíola dos macacos

As erupções cutâneas são um dos sintomas desta doença viral.
Foto: Getty Images/iStockphoto
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Portugal tem 100 casos confirmados de varíola dos macacos

Lusa
Lusa
Portugal atingiu os 100 casos confirmados do vírus Monkeypox, a maioria na região de Lisboa e Vale do Tejo, segundo dados divulgados esta terça-feira pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

A DGS adianta, em comunicado, que foram confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) mais quatro casos de infeção humana pelo vírus Monkeypox, o que fez subir para uma centena o número de infeções, até ao momento, no país.

“Todas as infeções confirmadas são em homens entre os 20 e os 61 anos, tendo a maioria menos de 40 anos”, refere a DGS, adiantando que os casos identificados se mantêm em acompanhamento clínico, “encontrando-se estáveis”.

A especialista em varíola da Organização Mundial da Saúde (OMS), Rosamund Lewis, considerou na segunda-feira improvável que o surto de Monkeypox se transforme numa pandemia como a covid-19, apesar do rápido aumento de casos no último mês.


Wirtschaft, Paulette Lenert, Stelle Kyriakides Foto: Anouk Antony/Luxemburger Wort
Varíola dos macacos. Luxemburgo vai declarar 21 dias de quarentena para infetados
Até ao momento, não há registo de casos no país. Mas o Ministério da Saúde está em alerta.

"Não acreditamos que este surto seja o início de uma nova pandemia porque é um vírus já conhecido, temos as ferramentas para controlá-lo e a nossa experiência diz-nos que não é transmitido tão facilmente em humanos como em animais", adiantou.

Casos aumentam com o envelhecimento de vacinados

Desde que o Reino Unido reportou o primeiro caso confirmado de Monkeypox em 7 de maio, a OMS recebeu 257 notificações de casos confirmados em laboratório e cerca de 120 suspeitos distribuídos por 23 países.

Em declarações à agência Lusa, o infeciologista Jaime Nina, do Hospital Egas Moniz, em Lisboa, adiantou que o vírus e a doença já são conhecidos desde os anos 50, mas só a partir do final dos anos 70, princípio dos anos 80, é que começaram a ser diagnosticados casos em humanos.

“Tem havido um crescente número de casos humanos à medida que as últimas pessoas vacinadas contra a varíola vão sendo cada vez mais velhas”, disse Jaime Nina.

“À medida que vão nascendo crianças que não foram vacinadas, vai aumentando a percentagem de pessoas que são suscetíveis, o que explica em parte o aumento de número de casos endémicos”, explicou, lembrando que a vacina deixou de ser obrigatória quando a doença foi eliminada no mundo.

Jaime Nina referiu que a esmagadora maioria dos casos (97%, 98%) são na República Democrática do Congo.

Há duas variantes ou subespécies de Monkeypox, uma da África Oriental (a bacia do Congo) e da África Ocidental, fundamentalmente da Nigéria, adiantou.


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Pelo menos dois dos 96 doentes com 'Monkeypox' em Portugal tiveram necessidade de internamento, mas já tiveram alta, disseram hoje à Lusa infeciologistas, adiantando que todos os casos confirmados até agora tiveram uma evolução favorável.

Na semana passada, uma equipa do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) fez a sequenciação completa do vírus Monkeypox, e segundo a qual a variante que está em Portugal, em Espanha, Inglaterra, entre outros países, é oriunda da Nigéria.

Vacinação em massa "não parece indispensável"

Jaime Nina apontou como hipótese para a entrada do vírus um animal importado da Nigéria infetado ou alguém que veio da Nigéria no período de incubação.

“O que está diferente - ainda não está publicado e não se sabe se serão todos casos assim – é que, tradicionalmente, o 'Monkeypox' transmite-se por contacto direto, muito próximo, a maioria em crianças” e, em Portugal todas as infeções confirmadas são em homens.

Jaime Nina disse que nos casos de que teve “melhor conhecimento” o contágio foi por relação sexual, o que disse fazer sentido porque “é o contacto mais próximo”.

Questionado se a vacina contra a varíola seria eficaz, o infeciologista disse que “é bom saber que há uma vacina e é bom saber que há ‘stocks’ de vacina”, mas, disse, “de momento, não me parece indispensável”.


Varíola dos macacos. "Não estamos na mesma situação que a covid-19"
Gérard Schockmel, especialista em doenças infecciosas nos Hospitais Robert Schuman e perito da Agência Europeia de Medicamentos, deu uma entrevista onde fala sobre o surto atual da varíola dos macacos.

“O vírus tem um R0 [indicador de transmissibilidade] baixo (…) nalguns casos nem chega a um, extingue-se espontaneamente. Não é um vírus muito transmissível”, salientou.

“Se se confirmar na sua nova forma de transmissão, que é sexual, à partida, não será necessário fazer a vacinação em massa, tanto mais que a vacina da varíola não é uma vacina bem tolerada, dá efeitos secundários graves”, informou.

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