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Por detrás da vacina Pfizer está uma história de amor em alemão
Sociedade 4 4 min. 11.11.2020 Do nosso arquivo online

Por detrás da vacina Pfizer está uma história de amor em alemão

Por detrás da vacina Pfizer está uma história de amor em alemão

Foto: Biontech/dpa
Sociedade 4 4 min. 11.11.2020 Do nosso arquivo online

Por detrás da vacina Pfizer está uma história de amor em alemão

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
Com sede em Mainz, na Alemanha, a pequena empresa alemã BioNTech desenvolveu uma tecnologia única ao longo dos últimos 25 anos. Agora, carrega a esperança do mundo inteiro sobre os seus ombros, já que anunciou a co-produção de uma vacina 90% eficaz e segura que poderá pôr fim ao pesadelo da covid-19. Por detrás da tecnologia na investigação de uma das vacinas candidatas há uma história de amor.

Ugur Sahin e Özlem Türeci começaram a abrir caminho para encontrar uma solução eficiente na luta contra a covid-19 há mais de 25 anos, sem sequer imaginar que a tecnologia que viriam a desenvolver teria tamanho impacto. Na altura, o casal de investigadores começou por desenvolver uma tecnologia que ajudava o sistema imunitário a 'atacar' as células cancerígenas. Este ano, este método deu provas não na investigação do cancro, mas na produção de uma possível vacina eficaz contra a covid-19.

Ugur Sahin, de 55 anos, descendente de família turca, nasceu e cresceu na Alemanha. Estudou medicina e acabou por trabalhar na área académica, como professor e investigador na área da imunoterapia. Trabalhou nos Hospitais Universitários de Colónia e Saarland, onde conheceu a imunologista Özlem Türeci. E foi nessa altura que a paixão pela investigação médica, nomeadamente na área da oncologia, transpôs-se para a vida pessoal de Sahin e Türeci.

Filha de um médico turco que migrou para a Alemanha, Özlem Türeci, hoje com 53 anos de idade, disse à imprensa alemã que o seu amor pela sua profissão é tal que o dia do seu casamento foi passado a trabalhar no laboratório. 


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Segundo a investigadora, há 25 anos quando iniciaram a empreitada científica juntos, o conceito que propunham foi visto como uma loucura. Mas, juntamente com o marido, hoje cofundador e CEO da alemã BioNTech, persistiram na ideia de trabalhar na área da imunidade a partir do ácido ribonucleico (RNA). Este ácido nucleico é responsável pela síntese de proteínas das células. Os dois acabaram por persuadir um par de gémeos bilionários a investir no seu projeto e construíram uma equipa de cientistas, incluindo cientistas líderes na área das vacinas ligadas ao RNA mensageiro (mRNA). 

Foi graças à tecnologia inovadora que a BioNTech, empresa fundada em 2008 assegurou dez anos mais tarde uma parceria com a gigante farmacêutica americana Pfizer, em 2018, com quase 100 mil funcionários. Na altura, a parceria tinha como objetivo desenvolver vacinas de mRNA destinadas a prevenir a gripe. 

Dois anos mais tarde, a 9 de novembro de 2020 as duas empresas anunciaram resultados promissores para o ensaio em grande escala da Fase 3 do desenvolvimento de uma vacina contra a covid-19. Segundo a Pfizer, o antídoto mostrou uma eficácia de 90% no combate ao vírus responsável por uma pandemia mundial não vista em séculos. 

O início da vacina

Em janeiro, após ter lido um estudo "preocupante" na revista científica The Lancet sobre a propagação de covid-19 numa família que tinha visitado Wuhan, na China, Sahin falou com Türeci. Embora os dois estejam habituados a envolverem-se com frequência em investigações complexas, no mesmo sentido "não houve muito debate sobre este documento", disse numa entrevista no início deste ano à Bloomberg. Ambos sabiam que tinham de fazer algo. 

A 2 de março, após ter encontrado uma lista de 20 candidatos à vacina, Sahin chamou Kathrin Jansen, chefe do departamente de Investigação e Desenvolvimento de vacinas na Pfizer, com quem já tinha trabalhado. A resposta foi positiva e imediata, com a empresa americana a fazer um acordo que poderia valer até cerca de 639 milhões de euros. O governo alemão também apoiou o projeto com 375 milhões de euros.

Quase 11 meses depois, num piscar de olhos no que toca à investigação de fármacos, a vacina experimental BioNTech desenvolvida com a farmacêutica norte-americana presentou esta semana resultados preliminares de um estudo com 43.538 pessoas, mostrando que conseguiu "bloquear"com sucesso mais de 90% dos casos de covid-19. 

Para Sahin e Türeci este sucesso é também uma validação do novo tipo de fármaco que têm perseguido ao longo da sua carreira."É a validação de uma abordagem científica rigorosa bem como uma validação da tecnologia", disse Sahin numa entrevista citado pela Bloomberg. 

Tecnologia em primeiro lugar

A vacina Pfizer-BioNTech seria a primeira a utilizar a tecnologia mRNA, que 'encoraja' as células do corpo a tornarem-se elas próprias "fábricas de vacinas". Atualmente, a rival americana Moderna Inc. está a testar uma tecnologia semelhante numa outra vacina candidata. 

Os resultados desta semana estão longe de ser a última palavra sobre o assunto. Os investigadores ainda estão à espera de todos os dados de segurança, bem como conhecer mais pormenores sobre os efeitos em grupos de alto risco, como idosos, e de saber ao certo quanto tempo dura o efeito protetor.

Segundo a empresa, até ao final de novembro haverá mais conclusões sobre a eficácia da vacina nos 164 casos estudados em pessoas acima dos 94 anos de idade. Caso as conclusões corroborem os resultados preliminares, as empresas poderão conseguir aprovação de emergência nos Estados Unidos ainda este mês. Os reguladores europeus, que iniciaram uma revisão contínua da vacina no mês passado, provavelmente não ficarão muito atrás. 

A ser aprovada a vacina seria o primeiro produto da BioNTech. Embora as raízes da empresa são mais modestas que gigantes norte-americanas de biotecnologia, como a Moderna, na corrida à covid-19 é certo que a BioNTech já deixou uma marca de gigante.

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