Escolha as suas informações

Planeta Terra atinge hoje o limite do uso sustentável dos recursos naturais de 2019
Sociedade 3 min. 29.07.2019

Planeta Terra atinge hoje o limite do uso sustentável dos recursos naturais de 2019

Planeta Terra atinge hoje o limite do uso sustentável dos recursos naturais de 2019

Foto: Shutterstock
Sociedade 3 min. 29.07.2019

Planeta Terra atinge hoje o limite do uso sustentável dos recursos naturais de 2019

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
Três dias mais cedo do que em 2018. A partir desta segunda-feira, a humanidade vive a crédito, devorando muito mais do que a natureza pode oferecer num ano. Neste momento, consumimos os recursos de 1,75 planetas como o nosso por ano.

“Todos os anos é apresentada uma estimativa sobre o dia em que a humanidade atinge o limite do uso sustentável de recursos naturais disponíveis para esse ano, ou seja, o orçamento natural, habitualmente designado como ‘Overshoot Day’ (Dia de Sobrecarga da Terra)” e esse dia é esta segunda-feira, divulgou a Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável. 

A organização internacional Global Footprint Network (GFN), que calcula esta estimativa e fornece aos decisores mundiais as pesquisas e ferramentas para que a economia mundial se desenvolva dentro dos limites ecológicos da Terra, explica que o cálculo é feito tendo em conta a "contabilidade precisa do uso e da capacidade de regeneração dos recursos ecológicos de mais de 200 países e regiões desde 1951 até aos nossos dias, baseada em dados das Nações Unidas (ONU)".

29 de julho é a data mais recuada desde que o planeta entrou em défice ecológico no início dos anos 70.  De acordo com o Le Monde, há vinte anos a data fatal foi 29 de Setembro, dois meses mais tarde do que este ano. Em 1979, este dia aconteceu no início de Novembro. 

No entanto, este adiantamento no calendário não é inevitável. "Viver dentro dos meios do nosso planeta é tecnologicamente possível, financeiramente benéfico e nossa única chance de um futuro próspero", disse, em 2018, Mathis Wackernagel, CEO da GFN.

“Atualmente, considerando a média mundial, estamos a consumir cerca de 1,75 planetas com a nossa voracidade de produção e consumo. A sobrecarga só é possível porque estamos a esgotar o capital natural da Terra, o que põe em causa o futuro da humanidade”, alerta a Zero. 

Medidas para inverter a tendência

A associação propõe a adoção de “novas práticas”, nomeadamente na alimentação e na mobilidade. Na alimentação, a Zero defende a promoção de uma dieta alimentar “saudável e sustentável”, com a “redução do consumo de proteína de origem animal e um aumento significativo do consumo hortícolas, frutas e leguminosas secas. 

A associação defende, igualmente, a aposta na mobilidade sustentável, melhorando o acesso e as condições de operação dos transportes públicos e estimulando as formas de mobilidade suave. 

Foto: Global Footprint Network National Footprint Accounts

Luxemburgo e Portugal não são exemplo

De acordo com cálculos da Global Footprint Network, o Luxemburgo é um dos países que mais desperdiça os recursos naturais da Terra. O grão-Ducado esgotou os seus recursos naturais muito mais cedo do que o resto do mundo. Segundo o Luxemburger Wort, se todo o mundo tratasse os recursos naturais da mesma forma, estes teriam esgotado a 16 de Fevereiro.

Em 2019, apenas o Qatar está à frente do Luxemburgo. O país no Golfo Pérsico já tinha atingido o seu dia de congestionamento terrestre a 11 de Fevereiro.  

A Zero refere que também que Portugal “é um contribuinte ativo para esta situação”, uma vez que, “se todos os países tivessem a mesma pegada ecológica que o país, seriam necessários 2,5 planetas”. Este ano, o país gastou os seus recursos naturais disponíveis no dia 26 de maio, 21 dias mais cedo do que no ano passado.

Mas há cenários mais complicados. Se toda a população mundial vivesse como a dos Estados Unidos, seriam necessários 5 planetas Terra para um ano de consumo, 3,2 para a Rússia, 3 para a Alemanha, 2,2 para a China, mas apenas 0,7 se a humanidade vivesse em sintonia com a população da Índia. 


Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.


Notícias relacionadas