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PISA. Luxemburgo é o país onde o estatuto mais determina o desempenho dos alunos
Sociedade 5 min. 13.05.2021

PISA. Luxemburgo é o país onde o estatuto mais determina o desempenho dos alunos

PISA. Luxemburgo é o país onde o estatuto mais determina o desempenho dos alunos

Foto: Shutterstock
Sociedade 5 min. 13.05.2021

PISA. Luxemburgo é o país onde o estatuto mais determina o desempenho dos alunos

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
A avaliação trienal de alunos de 15 anos, de todo o mundo, feita pela OCDE, mostra que, no Grão-Ducado, os estudantes com maior nível socioeconómico superam em 122 pontos os alunos mais desfavorecidos.

 A ligação entre o estatuto socioeconómico e o desempenho dos estudantes é maior no Luxemburgo do que em qualquer outro país participante do PISA, o programa internacional de avaliação de estudantes, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Os resultados de 2018, da avaliação trienal de alunos de 15 anos, de todo o mundo, feita pelo organismo e publicada na semana passada, mostra que, no Grão-Ducado, os estudantes com nível socioeconómico mais vantajoso superam em 122 pontos os alunos mais desfavorecidos, no desempenho das competências de leitura, o principal domínio avaliado no último relatório do PISA. Em 2009, a diferença de desempenho relacionada com o estatuto socioeconómico tinha sido de 115 pontos pontos no Luxemburgo (e de 87 pontos em média nos países da OCDE), o que denota um agravamento na influência que esta variável tem no desempenho dos alunos, entre esse ano e o mais recente analisado pele organização internacional.

Entre os países da OCDE, apenas em Israel se observou uma lacuna igualmente grande (121 pontos), no relatório de 2018. Contudo, os países que fazem fronteira com o Grão-Ducado surgem logo a seguir. Na Alemanha, 113 pontos separaram aqueles dois grupos de alunos, nas competências de leitura, e na Bélgica, França, mas também na Suíça, essa diferença foi maior que 100 pontos.

Segundo o documento, que apresenta conclusões detalhadas para alguns países, esta diferença na performance dos alunos, consoante o seu estatuto socioeconómico, é, no Luxemburgo, 33 pontos superior à da média atual da OCDE: a diferença de 122 pontos, no país, compara com uma diferença média de 89 pontos, no conjunto dos estados da organização que participam no relatório.


Crise sanitária intensifica desigualdade entre alunos
Esta é uma das principais conclusões do balanço intermediário sobre o impacto da covid-19 nas escolas.

O PISA sublinha que o Luxemburgo supera também a média da OCDE no que respeita à percentagem de alunos que frequentam escolas cuja capacidade para fornecer instrução é dificultada, pelo menos em certa medida, pela falta de pessoal docente. Uma das conclusões do relatório na análise ao Grão-Ducado é que essa é a situação nas escolas frequentadas por 84% dos alunos menos favorecidos do ponto de vista socioeconómico e também em estabelecimentos frequentados por 50% dos alunos mais favorecidos. Para o primeiro caso, a média da OCDE situa-se nos 34%, enquanto no segundo é de 18%.Segundo o reportado pelas administrações escolares, 85% dos professores de escolas onde a frequência de alunos com estatuto socioeconómico superior é mais elevada tem o grau de mestrado, uma percentagem que baixa para 75% nas escolas onde esses estatuto é inferior.

O nível social e económico influencia igualmente as ambições profissionais dos estudantes, com os mais desfavorecidos a manifestarem expectativas mais reduzidas em relação às suas ambições académicas. “No Luxemburgo, cerca de um em cada três alunos menos favorecidos [social e economicamente] não espera completar o ensino superior”. Nos alunos mais favorecidos essa proporção é de um em sete.

Além da leitura, a matemática e as ciências foram áreas secundárias de avaliação no último relatório do PISA e também aqui o desempenho dos alunos do Luxemburgo aparece fortemente ligado ao seu estatuto socioeconómico, tendo determinado uma variação de 19% na matemática, no PISA 2018, comparando com uma variação de 14% em média nos países da OCDE, e 21% no desempenho da ciência, valor igualmente superior ao da média da OCDE, fixado em 13%.No que respeita à leitura, no Luxemburgo, cerca de 18% dos estudantes mais favorecidos tiveram alto desempenho nessa competência, ou seja atingiram o nível 5, contra apenas 1% dos estudantes mais desfavorecidos. Mais uma vez o Grão-Ducado supera a média da organização, na iniquidade: nos melhores em leitura, na OCDE, 17% foram estudantes favorecidos e 3% estudantes desfavorecidos.

O relatório assinala ainda que apenas cerca de 8% dos estudantes desfavorecidos, no Luxemburgo, conseguiram pontuar (positivamente), no primeiro trimestre, no desempenho da leitura. “Esta é uma das mais pequenas proporções observadas entre os países participantes no PISA”, nota o texto. Apenas a Bulgária, o Peru e os Emirados Árabes Unidos apresentaram valores mais baixos relativamente aos resultados positivos dos alunos menos favorecidos para a mesma categoria, enquanto o Canadá, a Estónia, a Irlanda e o Reino Unido pontuaram acima da média da OCDE, com 13% face a 11%, respetivamente.

Alunos do Luxemburgo abaixo da média nas várias competências 

Eliminando a diferença social e económica entre os estudantes, a classificação do Luxemburgo no mais recente relatório do PISA não alcançou bons resultados, nas áreas analisadas.

Os alunos do Grão-Ducado obtiveram 470 pontos em leitura, em média, no PISA 2018, um valor abaixo da média da OCDE (487 pontos) e do desempenho médio de quase todos os países europeus, incluindo Portugal, que teve 492 pontos.


PISA. Alunos do Luxemburgo abaixo da média da OCDE na leitura e nas ciências
Resultados de 2018, da avaliação trienal de alunos de 15 anos, de todo o mundo, feita pela OCDE, mostra também que, no ano em análise, mais de metade dos estudantes, dessa idade, no Grão-Ducado, estavam ligados a contextos de imigração.

O desempenho em ciência também não foi muito melhor que o da leitura, alcançando 477 pontos, em média, valor inferior ao da organização, neste campo, que se situou nos 487 pontos, e um dos mais baixos observados em todos os países europeus. Na matemática, os estudantes no Luxemburgo obtiveram 483 pontos, uma pontuação novamente abaixo da média da OCDE (489 pontos), que colocou o país entre o 25º. e o 29º. lugares na média de desempenho matemático, a par da Hungria, Itália, Lituânia, Rússia, Eslováquia, Espanha e Estados Unidos.

O relatório revela ainda que o desempenho médio em leitura e ciência no Luxemburgo foi mais baixo em 2018 do que nas avaliações anteriores, em 2012 e 2015.Os resultados da mais recente avaliação do PISA mostram ainda que a performance dos alunos diminuiu 11 pontos na leitura e 6 pontos na ciência, entre 2015 e 2018. Já o desempenho médio da matemática, em 2018, ficou próximo do nível de 2015, mas 10 pontos abaixo do valor de 2003.Para este relatório do PISA, foram avaliados cerca de 600 mil alunos, representando 32 milhões de jovens da faixa dos 15 anos, das escolas dos 79 países e economias participantes, da OCDE.  

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