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"Peço que mantenham os “gestos barreira” e se vacinem"
Sociedade 5 min. 09.06.2021

"Peço que mantenham os “gestos barreira” e se vacinem"

"Peço que mantenham os “gestos barreira” e se vacinem"

Foto: Chris Karaba
Sociedade 5 min. 09.06.2021

"Peço que mantenham os “gestos barreira” e se vacinem"

Redação
Redação
Mensagem de António Gamito, embaixador de Portugal no Luxemburgo.

 Queridos compatriotas,

Em mais um dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, em que não podemos ainda infelizmente estar uns com os outros, como em 2019, devido à pandemia do Covid-19, escrevo-lhes estas linhas sem saber por enquanto o teor dos discursos que as mais altas autoridades portuguesas farão a propósito das comemorações desta data. Não obstante, partilho convosco a minha interpretação da realidade que vivemos e, sem fazer futurologia, proponho-lhes previsões de curto e médio prazo, que espero sejam de consolidação, estabilidade e esperança.

Depois de aprendermos, após muitas hesitações e experiências, a viver com o coranavírus, à custa de muitos mortos, que aqui quero relembrar e de termos sentido na pele as suas duríssimas consequências, pessoais e colectivas, nos planos sanitário, da liberdade de circulação, económico e social, que aprofundaram desigualdades, expuseram pobrezas escondidas, fomentaram “novas escravaturas” de trabalhadores e o aproveitamento da sua ignorância por “gente de colarinho branco”, parece que se conseguiu encontrar o caminho e estabilizar a situação com a testagem em massa e a vacinação. Mas não chega a criação de passes sanitários para “salvar o Verão” ou que nos dão o acesso a determinados locais, para satisfazer “uma pequena parte da economia e a cultura”, que nesta fase, tendo em conta o número de vacinados, está longe de beneficiar a maioria da população, podendo até quebrar a sua coesão. Importa antes acelerar o processo de vacinação e criar a imunidade de grupo e saber entretanto, do ponto de vista científico, por exemplo, se não são necessárias mais inoculações de vacinas para a manter. Não se pode voltar atrás, isso parece ser certo. Seria insuportável.

Disto depende o relançamento com confiança da economia e dos investimentos, sem ter no horizonte novos confinamentos mais ou menos demorados em função de eventuais vagas pandémicas, essencial para retomar o emprego, diminuir as desigualdades e a pobreza, assim como reduzir as dívidas particulares e soberanas, mais carregadas nuns países europeus do que noutros, limitando-lhes a sua ação e as gerações vindouras, em particular os jovens.

Em tudo isto tem trabalhado a União Europeia, nomeadamente a sua corrente presidência rotativa portuguesa, que com mais ou menos dificuldade, pois não é fácil obter consenso entre 27 Estados-membros com interesses, tradições e culturas tão díspares, conseguiu responder, entre outros, a três grandes desafios, que marcarão o nosso futuro: a concertação de medidas para debelar a ameaça do Covid-19; o desbloqueamento de verbas muito relevantes para o relançamento económico e o avanço do pilar europeu dos direitos sociais.

Por cá nunca deixámos de trabalhar. As portas da Embaixada e dos seus serviços de segurança social, consular, de ensino e cultural nunca tiveram fechadas, cumprindo-se apenas os “gestos barreira” para defesa dos funcionários e dos utentes. Não foi fácil trabalhar nestas condições, onde o contacto de proximidade é essencial.

Não obstante e entre outras matérias, conseguiu-se regularizar o problema das pensões pendentes, começar-se a interagir com as entidades de segurança social luxemburguesas e fez-se um primeiro Guia da Segurança Social para a Comunidade Portuguesa; introduziram-se novas regras de gestão e procedimentos no Consulado-Geral que diminuíram o atraso nas marcações e respostas, embora se reconheça que se deve fazer mais; enraizou-se o ensino da língua portuguesa nas escolas públicas luxemburguesas, em todos os níveis de ensino, aumentando-se o seu número de alunos; deu-se a conhecer melhor Portugal e as relações com o Luxemburgo com as exposições sobre “Aristides de Sousa Mendes” e “Portugal e o Luxemburgo”; trouxe-se gente consagrada da cultura portuguesa a par de outros agentes culturais mais jovens que se quis internacionalizar; abriu-se a Coordenação de Ensino e do Centro Cultural a iniciativas com origem na Comunidade Portuguesa; manteve-se com ela a relação possível, devido aos constrangimentos do Covid-19, tendo algumas associações, muito afetadas nas suas atividades, continuado a receber apoios concretos do Governo português; acompanhou-se a situação dos trabalhadores portugueses em situação de pobreza, devido à pandemia e da experiência recolhida elaborou-se um Guia dos Portugueses em Situação de Risco; iniciou-se o combate ao tráfico de trabalhadores portugueses e à exploração da ignorância de alguns dos nossos compatriotas em matérias consulares e da segurança social.

No domínio bilateral, adiou-se para 2022 a visita dos Grão-Duques a Portugal, momento em que se espera colocar o relacionamento entre os dois países num outro patamar, mas o intercâmbio regular de visitas governamentais continuou apesar da crise sanitária. Singularizo ainda a importância que o Luxemburgo dá à Comunidade Portuguesa, não só pela sua contribuição para o seu desenvolvimento, tantas vezes repetida, como quando simbolicamente se falou português no Parlamento local. De sublinhar também a solidariedade demonstrada entre os dois países durante a pandemia, quando Portugal colocou os seus professores de português à disposição da escola luxemburguesa ou quando uma equipa sanitária luxemburguesa ajudou o nosso país no Hospital de Évora a combater o Covid-19. Ainda se procedeu ao incentivo para a criação de uma nova estrutura desenvolvida por verdadeiros empreendedores dispostos a investir num projeto de negócios e serviços desenhado para trabalhar a Grande Região e fazer a interface com Portugal.

No domínio da União Europeia, retomámos o exercício de uma Presidência local, à distância, o que não acontecia há dois semestres, com o diálogo com o Primeiro-ministro Bettel, com o Comissário Europeu do Emprego e dos Direitos Sociais, o luxemburguês Nicolas Schmit e com o Ministro dos Estrangeiros Jean Asselborn.

Gostaria de deixar ainda as seguintes reflexões para a Comunidade Portuguesa: peço que mantenham os “gestos barreira” e se vacinem; que se integrem e exerçam os seus direitos de cidadania para terem um peso proporcional ao seu número nesta sociedade; que inscrevam os vossos filhos no ensino da língua portuguesa; e que modernizem o movimento associativo.

Não seria justo não deixar uma palavra de apreço aos meus colaboradores sem os quais não teria conseguido fazer o que foi feito em circunstâncias tão difíceis e também aos muitos elementos da Comunidade Portuguesa que perceberam e contribuíram para este projeto, tornando-o realidade. Eles sabem quem são. Muito obrigado a todos! Viva Portugal!     

António Gamito, embaixador de Potugal no Luxemburgo     

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