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"Parte da população continuará a empobrecer para encontrar alojamento"
Sociedade 2 min. 12.01.2022
Entrevista

"Parte da população continuará a empobrecer para encontrar alojamento"

Jean-Michel Campanella, presidente da associação Mieterschutz Lu/Défense des Locataires.
Entrevista

"Parte da população continuará a empobrecer para encontrar alojamento"

Jean-Michel Campanella, presidente da associação Mieterschutz Lu/Défense des Locataires.
Foto: Anouk Antony
Sociedade 2 min. 12.01.2022
Entrevista

"Parte da população continuará a empobrecer para encontrar alojamento"

Tiago RODRIGUES
Tiago RODRIGUES
O drama da habitação no Luxemburgo não é coisa nova. Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais difícil comprar casa no país. Para Jean-Michel Campanella, presidente da associação Mieterschutz Lu/Défense des Locataires, esta realidade não deverá mudar tão cedo.

Segundo o Eurostat, os preços aumentaram 13,6% entre 2020 e 2021. Na última década, verificou-se uma subida de 111%. Um balanço do Observatório da Habitação indica ainda que em 170 mil proprietários, mais de metade ainda está a pagar um empréstimo ao banco e os valores podem chegar aos 1642 euros mensais. As pessoas que querem viver no Luxemburgo começam a procurar alternativas à compra de um imóvel.

É cada vez mais comum haver pessoas à procura de alternativas à compra de uma casa no Luxemburgo?

Sim, é isso mesmo. Há uma forte procura, mas poucas alternativas concretas.


Desde 2010, o preço das casas no Luxemburgo aumentou 111%.
Num ano o preço das casas aumentou 13,6% no Luxemburgo
Desde 2010, o preço das casas no Luxemburgo aumentou 111%, revela o Eurostat.

Quais são essas alternativas?

Atravessar fronteiras e comprar uma propriedade na Alemanha, França ou Bélgica. Havia o projeto da cooperativa habitacional Ad Hoc, mas não conseguiram o seu terreno em Kirchberg, apesar de um projeto sério que estava em curso há vários anos.

Existem também algumas unidades de habitação agrupadas, mas continua a ser uma opção muito marginal porque não é muito bem apoiada pelos decisores municipais, apesar da crescente procura. As casas pequenas também podem ser mencionadas, mas isto também permanece marginal por enquanto. O projeto alternativo clássico consiste em comprar uma casa através da Société Nationale des Habitations à Bon Marché.

A autoconstrução poderia ser uma solução no futuro?

Dificilmente, porque implica que as pessoas tenham muitos conhecimentos na construção ou formação e este tipo de projeto exige muito tempo de trabalho e empenho pessoal. Penso que isto é apenas para um pequeno segmento da população.


Luxemburgo. Rendas de 1300 euros para famílias com 2700 euros mensais
Seis em cada dez residentes está a pagar empréstimo de habitação ao banco ou paga uma renda. Só 6% dos inquilinos conseguem ter renda reduzida. Está cada vez mais difícil pagar a renda da casa no país.

Quais são os principais desafios que o aumento dos preços dos imóveis coloca às famílias e indivíduos que vivem no país?

Perda de poder de compra devido ao custo da habitação. Dificuldade em encontrar habitação ou mudar de habitação.

O que acontecerá no futuro se os preços continuarem a subir?

Aqueles que não têm meios para viver no Luxemburgo, mas que fazem o país trabalhar, continuarão a atravessar a fronteira para obter alojamento. As pessoas que irão viver no Luxemburgo serão cada vez mais pessoas com elevado poder de compra ou pessoas que têm a sorte de ter acesso a habitação social ou subsidiada. Parte da população continuará a empobrecer para encontrar alojamento. 


Nova legislação para apoios à habitação. O que vai mudar?
As principais alterações à lei da habitação foram ontem apresentadas pelo ministro Henro Cox e passam por mudanças na criação de habitação acessível e nos subsídios individuais.

Tornar-se-á mais difícil encontrar trabalhadores para certos empregos de baixa ou média remuneração porque os migrantes não conseguirão encontrar alojamento no Luxemburgo. Pense na construção, no artesanato e nos cuidados de saúde... Cada vez mais pessoas com baixos rendimentos terão de aceitar habitações precárias que não cumprem a legislação... A coabitação forçada a longo prazo continuará a prevalecer.

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