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Parlamento Europeu quer voltar ao tempo em que se consertava
Sociedade 2 min. 25.11.2020

Parlamento Europeu quer voltar ao tempo em que se consertava

Parlamento Europeu quer voltar ao tempo em que se consertava

Foto: AFP
Sociedade 2 min. 25.11.2020

Parlamento Europeu quer voltar ao tempo em que se consertava

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Os eurodeputados votaram hoje uma resolução para que seja mais barato reparar e reutilizar que comprar novo. E querem um carregador universal para todos os aparelhos eletrónicos.

Na resolução aprovada hoje no plenário, os eurodeputados apelam à Comissão Europeia para que promova iniciativas que visem a um regresso à cultura da reparação dos equipamentos e eletrodomésticos e não ao atual usar e deitar fora. Para tornar a União Europeia mais sustentável, os eurodeputados sugeriram o termo “direito à reparação”, que tantas vezes é negado ao consumidor, tanto porque os fabricantes não produzem peças e acessórios, como porque as reparações são mais caras do que comprar um produto novo. Uma experiência pela qual todos os consumidores já passaram, sobretudo quando se trata de pequenos equipamentos cujo orçamento de reparação quase equivale a comprar o mesmo produto saído da fábrica.

Os eurodeputados querem que sejam levantadas igualmente todas as barreiras jurídicas que travam o desejo de conservar um bem por tempo indefinido, recorrendo à manutenção. Um desejo de conservação que parece enraizado nas mentes dos europeus. Segundo um inquérito do Eurobarómetro, 77% dos cidadãos da União Europeia preferem reparar os seus dispositivos a substituí-los e 79% considera que os fabricantes deveriam ser juridicamente obrigados a facilitar a reparação dos dispositivos digitais ou a substituição das suas peças individuais.

Os legisladores querem ainda que as garantias dos bens de consumo sejam mais extensas do que as atuais e que haja um melhor acesso à informação sobre reparação e manutenção. O tempo de vida útil de cada equipamento também deverá estar claramente identificado.

Um mercado único europeu mais sustentável passa ainda por combater práticas que reduzem o tempo de vida dos produtos e os condenam à morte precoce. E, de acordo com o texto aprovado, devem ser apoiados os mercados de segunda mão e de troca.

Um só carregador para todos os telemóveis

Aquilo que há mais de dez anos os eurodeputados pedem foi hoje defendido como uma medida urgente para ajudar a eliminar os 16kg de lixo eletrónico que em média cada europeu produz por ano: um carregador universal para todos os dispositivos móveis. Já no início deste ano, foi pedido pelo PE que se criasse até julho uma norma comum para um carregador único a utilizar em qualquer telemóvel, tablet ou computador portátil.

Hoje, os eurodeputados voltaram a apelar a que essa norma seja desenvolvida com urgência.

Vulgarizar a reutilização, revenda e reparação

O marketing deve acompanhar igualmente esta onda de regresso a um passado menos consumista e as contratações públicas devem reger-se pelo mesmo princípio: comprar novo só em último caso. A utilização do rótulo ecológico deve ser acompanhada de uma certificação rigorosa, defende o texto.

O relator da resolução, o eurodeputado francês do grupo dos Verdes, David Cormand salientou que “é tempo de aplicar os objetivos do Pacto Ecológico Europeu como base de um mercado único que promova a durabilidade dos produtos e serviços. Para o alcançar, precisamos de um conjunto vasto de regras que facilitem a adoção de decisões claras e simples em vez de considerações técnicas que carecem de coragem política e que confundem consumidores e empresas. Através da adoção deste relatório, o Parlamento Europeu envia uma mensagem clara: a rotulagem obrigatória e harmonizada referente à durabilidade e o combate à obsolescência precoce ao nível europeu são o caminho certo”.

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