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Papa pede a cabeleireiros para dizerem 'não' à cusquice
Sociedade 2 min. 30.04.2019

Papa pede a cabeleireiros para dizerem 'não' à cusquice

Papa pede a cabeleireiros para dizerem 'não' à cusquice

Foto: AFP
Sociedade 2 min. 30.04.2019

Papa pede a cabeleireiros para dizerem 'não' à cusquice

Papa Francisco já frisou várias vezes que considera a coscuvilhice "um ato terrorista".

Vindo do Sumo Pontífice, o pedido aos cabeleireiros parece no mínimo estranho. Numa audiência com profissionais de cabeleireiro ontem no Vaticano, o Papa Francisco pediu a estes profissionais que "não caiam na tentação de falar da vida dos outros”. Isto, porque, como explicou, os mexericos e a bisbilhotice sempre "estiveram associados" aos salões de cabeleireiros.

Noutras ocasiões no passado, Francisco já tinha frisado que a "coscuvilhice" é "um ato terrorista" porque "a língua mata". E noutras tantas alertou para a necessidade de evitar os mexericos entre amigos e vizinhos, dado ser um dos fatores de mal-estar e de quezílias tão desnecessário.

No início desta semana, o Sumo Pontífice alargou o pedido aos cabeleireiros, barbeiros e esteticistas, ao receber 230 profissionais italianos numa audiência no Vaticano. O grupo de peregrinos ligados a congregações do seu Santo Padroeiro, S. Martinho de Porres, veio de toda a Itália para ser recebido pelo Papa. Em Itália, os estabelecimentos de cabelo e barbearias estão tradicionalmente encerrados à segunda-feira, por isso, o grupo de profissionais aproveitou o dia de folga para se deslocar a Roma. 

O peruano Martinho de Porres foi um religioso barbeiro-cirurgião (na altura as duas profissões estavam ligadas), que nasceu em 1579 e sempre combateu a injustiça social. Porres chegou mesmo a ser coroado santo por S. João XXIII em 1962. Quatro anos depois, o beato Paulo VI proclamou-o padroeiro dos barbeiros e cabeleireiros, como lembrou o Papa Francisco durante a audiência desta segunda-feira, 29 de abril.

Os salões de cabeleireiros e agora, os cada vez mais concorridos, centros de beleza são muitas vezes considerados 'templos' da bisbilhotice e mexericos.

"Tratem sempre bem os vossos clientes, dentro do espírito do cristianismo, com amabilidade e cortesia, com palavras de conforto e coragem. E evitando cair na tentação de falar da vida dos outros, o que facilmente acontece no vosso contexto laboral. Todos sabemos", proferiu o Santo Padre a estes profissionais.

Francisco pediu ainda a estes profissionais, que "atuem sempre com retidão e contribuem para o bem comum da sociedade" no seu trabalho. 

O líder da Igreja Católica alerta frequentemente para a necessidade de evitar mexericos na vida em sociedade. A 14 de novembro de 2018, frisou-o numa audiência geral, na praça de S. Pedro no Vaticano, referindo-se ao oitavo mandamento católico: "Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo".

"Os coscuvilheiros são pessoas que matam os outros, porque a língua mata, é como uma faca. Tenham cuidado, as pessoas coscuvilheiras são terroristas, atiram a bomba aos outros e vão embora", proclamou na altura.

Mesmo os mexericos no interior da Igreja Católica e a proliferação das 'fake news' são algumas das preocupações manifestadas pelo Santo Padre que apela a que se "procure sempre a verdade". "É grave viver com comunicações não autênticas, porque impedem relações recíprocas e amor ao próximo", considera o Sumo Pontífice.