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Pandemia com impacto sem precedentes na vida das crianças
Sociedade 2 min. 10.03.2021 Do nosso arquivo online

Pandemia com impacto sem precedentes na vida das crianças

Pandemia com impacto sem precedentes na vida das crianças

Foto: AFP
Sociedade 2 min. 10.03.2021 Do nosso arquivo online

Pandemia com impacto sem precedentes na vida das crianças

Diana ALVES
Diana ALVES
Os adolescentes dos 11 aos 16 anos, as crianças oriundas de meios socioeconómicos desfavorecidos e as raparigas são os grupos mais afetados, revela um estudo luxemburguês.

A pandemia está a afetar o bem-estar das crianças, com "repercussões sem precedentes" nas suas vidas. Os adolescentes dos 11 aos 16 anos, as crianças oriundas de meios socioeconómicos desfavorecidos e as raparigas são os grupos mais afetados, segundo um estudo da Universidade do Luxemburgo e da Unicef Luxemburgo, divulgado recentemente. 

O relatório "COVID-Kids" entrevistou cerca de 700 crianças, dos 6 aos 16 anos, oriundas de todo o país, entre maio e julho de 2020, de forma a compreender o impacto da pandemia no seu bem-estar subjetivo, assim como as suas experiências diárias e, em particular, o ensino em casa. O estudo incluiu um inquérito online e entrevistas de grupo e as conclusões não são muito animadoras. 

Se antes da pandemia o nível de satisfação dos mais novos com a vida rondava os 96%, durante o confinamento caiu para os 67%. Também o seu grau de satisfação com a escola diminuiu, passando de 91% para 76%, no caso dos alunos do ensino fundamental, e de 84% para 62%, no dos do secundário. Ainda sobre o ensino, o inquérito mostrou que 63% das crianças do fundamental considerou estar a lidar bem com o trabalho escolar, ao passo que entre os jovens do secundário essa taxa foi de 44%.

Os investigadores concluíram também que "alguns grupos declararam níveis de bem-estar emocional significativamente mais fracos do que outros". Foi o caso dos adolescentes dos 11 aos 16 anos, das crianças oriundas de meios socioeconómicos desfavorecidos e das raparigas. O estudo constatou por outro lado que as preocupações com a saúde também não passam despercebidas às crianças, com um terço a declarar ter receio de adoecer ou de ver algum familiar doente.

O estudo dedica também um espaço à importância da escola para a saúde dos mais novos. Se o ensino à distância se repetir, os autores do estudo defendem que é importante garantir contactos regulares entre as crianças, assim como entre alunos e professores. Este últimos devem assegurar o acesso ao material pedagógico pelos alunos, dizem os autores do "COVID-Kids". 


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Outro dos resultados é que, nem sempre, crianças e adolescentes têm sido ouvidos. O relatório realça que "os direitos da criança preveem que as crianças sejam ouvidas", acrescentando que isso não aconteceu sobretudo durante a primeira fase da pandemia, onde "as suas vozes estiveram largamente ausentes nos debates em torno da covid". Daí os autores do estudo insistirem na importância de ouvir os mais novos e encorajá-los a exprimirem as suas preocupações e ideias. Outras das recomendações consiste em dar a crianças e pais acesso a serviços de prevenção e ajuda de forma a promover o seu bem-estar e saúde mental a longo prazo. Bem como criar espaços que garantam a participação dos mais novos e continuar a investir na investigação sobre o impacto da covid-19 no seu bem-estar.

No âmbito do estudo, Uuniversidade do Luxemburgo e a Unicef criaram o site covidkids.lu para ajudar crianças e adolescentes. A página dá também dicas aos pais ajudar a lidar com os problemas relacionados com a saúde mental dos mais novos.  


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