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"Pagamos para que as pessoas não entrem na UE e, ao mesmo tempo, falamos de valores europeus”
Sociedade 2 min. 13.08.2021 Do nosso arquivo online
Fátima

"Pagamos para que as pessoas não entrem na UE e, ao mesmo tempo, falamos de valores europeus”

Fátima

"Pagamos para que as pessoas não entrem na UE e, ao mesmo tempo, falamos de valores europeus”

Foto: Lex Kleren
Sociedade 2 min. 13.08.2021 Do nosso arquivo online
Fátima

"Pagamos para que as pessoas não entrem na UE e, ao mesmo tempo, falamos de valores europeus”

Em Fátima, onde preside à peregrinação internacional aniversária, o arcebispo do Luxemburgo, o cardeal Jean-Claude Hollerich, criticou a forma desumana como são tratados os migrantes e refugiados. A peregrinação termina hoje com a procissão do adeus.

O arcebispo do Luxemburgo, o cardeal Jean-Claude Hollerich, teceu ontem duras declarações à União Europeia (UE) e às autoridades comunitárias pela forma desumana como os migrantes e refugiados são tratados.

Na conferência de imprensa desta quinta-feira que antecedeu a peregrinação internacional aniversária de 12 e 13 de agosto, em Fátima, Portugal, e que este ano é presidida por si, o arcebispo do Luxemburgo, declarou-se “muito preocupado com a política” comum dos Estados-membros em relação a estas populações, considerando que os atos contradizem as palavras e que "é inadmissível que existam grandes concentrações de refugiados nas fronteiras exteriores da União Europeia”, onde estas pessoas “vivem em situações desumanas”.


"Nosso" cardeal Hollerich preside à Peregrinação de agosto em Fátima
Será a segunda vez que o arcebispo do Grão-Ducado irá presidir a esta Peregrinação.

“Fechamos os olhos, deixamos fazer, pagamos para que as pessoas não entrem na União Europeia e, ao mesmo tempo, falamos de valores europeus”, criticou o cardeal luxemburguês, que é também o presidente da Comissão das Conferências Episcopais da UE (Comece).

“Penso que, como europeus, deveríamos ter um momento onde poderíamos dizer, abertamente e honestamente, que temos vergonha deste discurso que é tão diferente da política real em relação aos refugiados”, sustentou, considerando "muito grave" quando “os acordos internacionais não são cumpridos”.

“Como é que um discurso e uma prática são totalmente diferentes? Falamos da nossa humanidade, se não reagirmos com humanidade, perderemos a nossa própria humanidade”, sublinhou Jean-Claude Hollerich, alertando para o perigo de pôr em causa a construção europeia se se perderem estes valores.

A peregrinação, considerada como a dos emigrantes, integra a peregrinação nacional do migrante e do refugiado, sendo esperados milhares de migrantes, esta sexta-feira, no Santuário de Fátima, para o encerramento.


Segurança é objetivo do Santuário de Fátima no regresso dos peregrinos
A peregrinação internacional aniversária de 12 e 13 de agosto, que integra a peregrinação nacional do migrante e do refugiado, começa esta quinta-feira, limitada a 15 mil fiéis nas celebrações.

 A peregrinação aniversária é também o momento mais aguardado da 49.ª Semana Nacional das Migrações, que começou no dia 8 e termina no domingo, e que é subordinada ao tema “Rumo a um nós cada vez maior”. Este é, de resto, o título da mensagem do Papa Francisco para o para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que se assinala a 26 de setembro.  

As celebrações deste ano, em Fátima, voltam a ser limitadas ao número de participantes,  devido à pandemia de covid-19, sendo autorizada a presença de cerca de 15 mil fiéis. Começam às 9h, com a recitação do terço, seguindo-se, uma hora mais tarde, a missa, que inclui uma palavra dirigida aos doentes pela diretora da obra Católica Portuguesa de Migrações, Eugénia Quaresma. As cerimónias religiosas culminarão depois com a procissão do adeus.

com Lusa


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