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Países Baixos registam primeira morte no mundo de pessoa reinfetada com covid-19
Sociedade 4 min. 13.10.2020

Países Baixos registam primeira morte no mundo de pessoa reinfetada com covid-19

Países Baixos registam primeira morte no mundo de pessoa reinfetada com covid-19

Foto. Anouk Antony
Sociedade 4 min. 13.10.2020

Países Baixos registam primeira morte no mundo de pessoa reinfetada com covid-19

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Reinfeções ainda são raras mas começam a chamar a atenção de especialistas de vários países sobre as possibilidades de imunidade após uma primeira infeção com o novo coronavírus.

Os Países Baixos registaram a primeira morte no mundo de uma pessoa contagiada pela segunda vez pelo SARS-CoV-2.

Trata-se de uma mulher holandesa de 89 anos, que também sofria de uma forma rara de cancro de medula óssea.

Segundo as explicações dadas, esta terça-feira, 13 de outubro, pela virologista holandesa Marion Koopmans, a paciente teve de ser internada na primeira vaga da pandemia do novo coronavírus, após desenvolver sintomas como febre alta e tosse forte. Apesar disso, teve alta após cinco dias e testou negativo em dois exames após o desaparecimento dos sintomas.

O facto de sofrer de uma doença conhecida como Macroglobulinemia de Waldenström, uma forma rara de cancro de medula óssea, manteve o sistema imunológico debilitado.

Assim, e dois meses depois de superar a covid-19, a idosa iniciou novas sessões de quimioterapia, mas começou a ter febre, tosse e falta de ar apenas dois dias após o reinício do tratamento.

Submetida ao teste para o novo coronavírus (PCR), acusou positivo, o mesmo não se verificando com os anticorpos adquiridos com a primeira infeção. A mulher de 89 anos fez dois testes sorológicos para detetar se ainda tinha anticorpos contra o vírus, no sangue, e o resultado foi negativo, não evidenciando assim imunidade ao coronavírus.

Acabou por ser hospitalizada, com o agravar dos sintomas. Oito dias após ser internada, a sua saúde piorou drasticamente e morreu em duas semanas.

"Seguramente morreu de covid-19, mas também estava muito doente", disse Koopmans, que participa numa investigação sobre reinfeções realizada pela Universidade de Oxford.

A virologista holandesa destacou que hoje existem cerca de 25 casos conhecidos de reinfeções em todo o mundo e, na sua maioria, desenvolveram-se sintomas menos graves do que durante a primeira infeção.

No entanto, um estudo publicado na revista Lancet, especializada em artigos e estudos da área de saúde e da ciência, revelou recentemente que um jovem de 25 anos, do estado do Nevada, nos EUA, acusou novamente positivo ao novo coronavírus e desenvolveu sintomas mais graves do que da primeira vez que foi infetado, obrigando à sua hospitalização e a ajuda respiratória com suporte de oxigénio.

 Tal como no caso da idosa holandesa de 89 anos, também o jovem - que não tinha outros problemas de saúde associados - foi reinfetado num intervalo de dois meses, depois de ter sido dado como recuperado da covid-19.

Esse jovem de 25 anos foi infetado com duas variantes distintas de SARS-CoV-2 num período de 48 dias, o  que pode indicar que a exposição anterior ao covid-19 pode não se traduzir numa imunidade garantida.

Embora os cientistas consideram que as reinfeções ainda são "exceções", é possível que comecem a surgir mais casos.

Para a virologista  holandesa Marion Koopmans, "uma questão importante é saber se isso é algo típico da covid-19", pois em muitos casos o segundo contágio ocorreu apenas dois meses após a primeira infeção.

Várias possibilidades 

Os médicos que investigaram o caso do paciente americano de 25 anos partiram dele, assim como de outros conhecidos de reinfeção em outros países, para taraçar algumas possibilidades que podem explicar uma maior gravidade da segunda infeção. 

Uma das hipóteses avançada é a possibilidade de o paciente encontrar uma carga muito alta do vírus que causou uma reação mais aguda na segunda vez.

Outra pode ter a ver com o facto de o paciente ter tido contacto com uma versão mais virulenta do vírus ou então que o mecanismo de aumento está dependente de anticorpos (significando que a presença de anticorpos pode piorar uma infeção subsequente), tal como já ocorreu com outras doenças como o dengue.

Finalmente, outra explicação alternativa seria uma coinfecção simultânea de ambas as estirpes do vírus. No entanto, isso significaria que a segunda estirpe não teria sido detetada em abril de 2020.

Os investigadores também destacam que este caso e outros casos de reinfeção confirmados ocorreram entre pacientes que apresentaram sintomas de covid-19, o que significa que há a possibilidade de muitas infeções e reinfeções entre os indivíduos poderem ser assintomáticas e, portanto, provavelmente, não detetadas nos testes atuais.

“No geral, há uma falta de sequenciamento genómico abrangente de casos Covid-19 positivos tanto nos EUA quanto no mundo, bem como uma falta de triagem e testes, o que limita a capacidade de diagnosticar, monitorizar e obter rastreamento genético para o vírus”, disse.

Os casos de reinfeção, ainda que raros, lançam dúvidas no debate sobre a imunidade contra o SARS-CoV-2 e sobre a eventual duração dessa imunidade.

“Os exemplos de outros coronavírus, responsáveis por gripes comuns e pela síndrome respiratória aguda grave (SARS) e a síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS), mostram que não há imunidade vitalícia”, afirmou recentemente a especialista da Organização Mundial da Saúde, Maria van Kerkhove.

Já Mark Pandori alerta que as pessoas que já estiveram expostas ao novo coronavírus devem continuar a tomar precauções, incluindo o distanciamento físico, o uso de máscara e a higienização das mãos, uma vez que a possibilidade de reinfeção não está excluída.  

com agências

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