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Caldo de Mancarra da Guiné-Bissau
Sociedade 2 min. 15.06.2022
Gastronomia

Caldo de Mancarra da Guiné-Bissau

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Caldo de Mancarra da Guiné-Bissau

Sociedade 2 min. 15.06.2022
Gastronomia

Caldo de Mancarra da Guiné-Bissau

Ricardo J. RODRIGUES
Ricardo J. RODRIGUES
No Luxemburgo, pusemo-nos a experimentar a cozinha de vários países lusófonos. Trazemos-lhe a receita de uma das especialidades da Guiné-Bissau.

Caldo de Mancarra da Guiné-Bissau

Sira Sani nasceu na Formosa, ilha no arquipélago das Bijagós, onde a Guerra Colonial nunca chegou. "Quando eu era pequena ouvíamos as bombas lá ao fundo em Bissau, e sabíamos que o país lutava pela independência e todos concordávamos com isso. Mas um dia apareceram uns soldados portugueses na nossa casa e a minha mãe convidou-os para comerem connosco. Havia mancarra, como de costume, e eles ficaram a noite toda connosco a comer e a conversar", recorda.

Os moços que se juntaram ao repasto eram do Minho, e ela só conhecia o Minho pela escola – nessa altura Portugal prolongava-se daí a Timor. "Tive a sorte de poder estudar, os meus pais fizeram-me enfermeira. Lembro-me daquela sensação estranha – nós éramos os colonizados, mas sabíamos mais do Império do que eles. Mas depois recordo como eles se sentiram agradecidos por terem uma refeição em família. Voltaram muitas vezes, e conversámos muito. À volta daquele tacho eu percebi que a guerra era coisa que não tinha nada a ver com as pessoas", diz.

Sira Sani foi para Portugal em 2000 com estatuto de enfermeira, apoiar uma familiar doente. Ficou uns anos, mas nunca conseguiu a equivalência dos estudos e em 2015 mudou-se para o Luxemburgo. Trouxe filha e neta, arregaçou as mangas para fazer limpezas, agora está prestes a ver-lhe reconhecida a especialidade. Hoje prepara uma mancarra na sua casa em Bonnevoie e convida José Ross para o repasto, é o presidente da Associação Luso-Guineense. Comentam ambos como a comunidade triplicou na última década, de mil guineenses o Luxemburgo passou a três mil. E é naquele caldo que se apoiam uns aos outros.

Foi a lição que aprenderam de meninos – num prato cheio mata-se a dúvida e o ressentimento. O espírito guineense é este: há sempre lugar para mais um.

Mancarra da Mamã Sani (para 4 pessoas)

Ingredientes: 

  • 1 quilo de peixe fumado
  • Meio quilo de polpa de amendoim (mancarra)
  • 1 mandioca
  • 2 cebolas
  • 1 pimento
  • 2 tomates médios
  • 250 ml de sumo de limão
  • 6 quiabos
  • 1 caldo de peixe Knorr

Preparação: 

Numa terrina, junta-se a mancarra a um tomate e vai-se acrescentando água até formar uma pasta uniforme. Num tacho, juntam-se as cebolas, o outro tomate, o pimento em tiras e o sumo de limão, deixa-se alourar, acrescenta-se o caldo de mancarra e 250 ml de água. 

Nessa altura junta-se a mandioca cortada em cubos, tempera-se a gosto e deixa-se ferver por duas horas. Acrescenta-se o peixe e, assim que a água começar a ferver, deita-se um caldo knorr à mistura. Mexe-se durante 3 a 4 minutos e serve-se com arroz branco e uma puré de quiabos – passados, sem tempero, na varinha mágica.

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