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Opinião. Um mal nunca vem só
Editorial Sociedade 2 min. 02.04.2020

Opinião. Um mal nunca vem só

Opinião. Um mal nunca vem só

Foto: Joel Marklund/Bildbyran via ZUMA
Editorial Sociedade 2 min. 02.04.2020

Opinião. Um mal nunca vem só

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
A humanidade está a ser posta à prova, por uma crise sanitária, cujas verdadeiras proporções ainda não se conhecem. Uma crise que já desencadeou uma recessão económica que pode ser a maior dos nossos dias.

Já morreram milhares de pessoas, vencidas pela inclemência do coronavírus e muitas outras se vão seguir. Digamos que só agora a infeção está a chegar ao continente americano e à África, regiões que vão multiplicar as cifras da desgraça. Na Europa, os números já são arrasadores e, na maior parte dos países, ainda não foi travado o seu crescimento.

De tudo isto, vai resultar uma crise económica sem precedentes, com milhares de empresas falidas e milhões de desempregados, muitos deles, sem qualquer possibilidade de recuperarem o seu posto de trabalho, seja pela idade avançada, seja porque a economia vai mudar de paradigma.

Esta recessão de escala planetária vai ser muito mais devastadora do que a provocada pela crise subprime, em 2008. Nessa altura, uns milhares de americanos, atingidos pelo desemprego, deixaram de pagar os créditos à habitação e o mundo tremeu, com uma crise que se alongou por mais de 10 anos. E, no entanto, a economia que produz riqueza, continuou a laborar, embora com as dificuldades provocadas pela falência de quase todo o sistema financeiro.

Desta vez, tudo é diferente. O setor financeiro continua a trabalhar, com os constrangimentos impostos pela crise de 2008 que ainda não conseguiu ultrapassar. Mas quase toda a economia produtiva parou. Só a distribuição e comércio de produtos essenciais labora. Todo o resto está encerrado, ou quase, e com os trabalhadores em casa, entregues à angústia de não saberem se este mês ainda vão receber o salário, ou uma parte dele. Por isto, é fácil de perceber que esta crise será mais devastadora que a de 2008. E ninguém de bom senso consegue dizer por quanto tempo se vai prolongar esta situação e que despojos vai deixar.

Esta crise veio, para mudar o mundo. E dificilmente se acredita que seja para melhor. Empresários vão perder as suas empresas, empregados vão perder os seus empregos e, à custa disto, muitos governos vão cair, pelo mundo fora.

Mas, na União Europeia, nem todos perceberam a dimensão da tragédia, como se notou no aberrante discurso do ministro holandês das Finanças. Se a Europa tivesse avaliado a situação, estaria consciente que uma tragédia como esta só se vence com solidariedade e cooperação multilateral. E esse é um dos pilares fundadores da União, mas que continua a ser sacrificado, pelos valores egoístas e tribais de muitos governantes. 

Uma família que não acode aos seus na desgraça serve de pouco, ou mesmo de nada. E é assim que a Europa se está a comportar, porque alguns estados do norte insistem em dar lições de moral aos do sul, desta vez, com a vergasta na mão, indiferentes à dor alheia.

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