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Opinião: CARTAS À REDACÇÃO - Um grito de revolta contra o racismo e o obscurantismo nacionalista
Eduardo Dias

Opinião: CARTAS À REDACÇÃO - Um grito de revolta contra o racismo e o obscurantismo nacionalista

Foto: Manuel Dias
Eduardo Dias
Sociedade 2 min. 12.11.2014

Opinião: CARTAS À REDACÇÃO - Um grito de revolta contra o racismo e o obscurantismo nacionalista

Por Eduardo Dias - Por mais que procurasse, não consegui saber nem a origem, nem os objectivos que se escondem por detrás de um ataque comum contra o Luxemburgo e o seu VALOR mais fundamental: A língua luxemburguesa.

Por Eduardo Dias - Por mais que procurasse, não consegui saber nem a origem, nem os objectivos que se escondem por detrás de um ataque comum contra o Luxemburgo e o seu VALOR mais fundamental: A língua luxemburguesa.

Nenhuma língua é superior a qualquer outra.

O desprezo manifestado por articulistas do “Contacto”em relação ao Luxemburgo e à sua língua mostra que não conhecem nada do Luxemburgo, nem da sua história, nem da sua essência.

O Luxemburgo existe desde do ano 963. O Luxemburgo é um país independente desde 1839. A Língua luxemburguesa fala-se desde há centenas de anos e a literatura luxemburguesa, escrita, existe desde, pelo menos, 1829. O Hino nacional luxemburguês data de 1859. Isto são os factos linguísticos. Quanto à questão de fundo, quero salientar que:

1. Mais do que a praça financeira, a siderurgia ou as instituições europeias, a língua luxemburguesa é o factor de coesão maior deste país e desta nação;

2. Nenhuma língua é superior a qualquer outra.

3. Como dizia o poeta (Fernando Pessoa) “A minha pátria é a minha língua”

4. Quem não quer perceber ou não quiser aceitar este facto têm outros países para irem viver. Países que, certamente, respeitam mais a liberdade dos seus egoísmos linguísticos e as suas paranóias esquizofrénicas.

5. Acusar o Luxemburgo /ou certos directores ou agentes escolares de praticarem actos de “mutilação cultural “ ou de “agressões de obscurantismo nazi” é atentar não só contra o Luxemburgo e os luxemburgueses, mas também contra os milhares de residentes estrangeiros e fronteiriços que encontram neste país condições para melhorarem as condições de vida e que vão “pagar a estupidez” de gente que ateia incêndios baseados em boatos e na ignorância;

5. O Luxemburgo foi o país que, tendo em conta a sua dimensão geográfica e populacional, mais resistiu e mais sofreu com a barbárie nazi;

6. No Luxemburgo, as línguas maternas são protegidas, ensinadas e a Administração central e local utiliza, essas línguas, para comunicar com a população, como certamente nenhum outro Estado o faz.

Por fim, quero lembrar, para aqueles que não sabem ou que não querem saber que “O RACISMO não é uma opinião, é um delito!”

Felizmente que os luxemburgueses são muito mais tolerantes que os “pseudo-lusófonos nacionalistas”.

Eduardo Dias,

conselheiro das Comunidades e sindicalista na OGB-L


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