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OPINIÃO: CARTAS À REDACÇÃO: É respeito, não é xenofobia
A questão linguística no Luxemburgo continua a dar que falar

OPINIÃO: CARTAS À REDACÇÃO: É respeito, não é xenofobia

Foto: Marc Wilwert
A questão linguística no Luxemburgo continua a dar que falar
Sociedade 5 min. 12.11.2014

OPINIÃO: CARTAS À REDACÇÃO: É respeito, não é xenofobia

Por Alexandra Ferreira - As línguas oficiais do Luxemburgo são o luxemburguês, o francês e o alemão. Não é por haver muitos Portugueses no Luxemburgo que o português tem de ser também uma língua oficial do país.

Por Alexandra Ferreira - As línguas oficiais do Luxemburgo são o luxemburguês, o francês e o alemão. Não é por haver muitos Portugueses no Luxemburgo que o português tem de ser também uma língua oficial do país.

Portanto, nas escolas é muito normal a língua utilizada ser uma das três línguas. (E na aula de inglês, é claro que se fala o inglês.) Não se trata de xenofobia, mas de respeito perante o professor, que certamente não percebe o português, e perante os outros alunos luxemburgueses, que obviamente se encontram no pais deles e não são obrigados a perceberem o português.

Mas há infelizmente alguns portugueses aqui no Luxemburgo que teimam em não querer entender isso. Aproveitam cada migalhinha para poderem atirar um problema à cara dos luxemburgueses, chamarem-nos racistas e fazerem-se passar por coitadinhos.

Quando leio “A comunidade portuguesa preocupada ...” [CONTACTO de 29/10/2014, ndR], revolta-me. Certas pessoas que se auto-intitulam “os defensores da comunidade portuguesa” tomam a liberdade de falar em nome da comunidade portuguesa. Mas eles representam os portugueses que descrevi anteriormente. A maioria dos portugueses da minha geração e mais, apoiam plenamente a ideia de que nas aulas se deve falar a língua do país, e certamente não o português. É normalíssimo. Basta ler os diferentes e numerosos comentários que os portugueses têm publicado [nas redes sociais] para ver quem está a favor e quem está contra.) Faz parte da integração. Claro que isso dos castigos não esta correcto e não defendo, mas é preciso analisar.

Eu nasci aqui no Luxemburgo. Quando entrei na escola há 31 anos, também não percebia nada de luxemburguês, assim como a maioria da minha geração, pois éramos os filhos dos primeiros emigrantes portugueses no Luxemburgo que só falavam português. Já nem me lembro como aprendi, mas aprendi. Não fiquei minimamente traumatizada por isso e só me trouxe vantagens na minha vida profissional e social. Hoje, tenho filhos e em casa só falamos português com eles porque quero que saibam a língua materna, porque tenho orgulho na minha cultura, quero que eles a conheçam. Mas no ATL sempre lhes falaram só em luxemburguês e eu sempre apoiei isso. E eles lá foram aprendendo. Não sei como, mas aprenderam. Agora entraram para a escola a saberem falar o luxemburguês e o português. E posso dizer-vos que, para eles, só lhes traz vantagens também.

Quanto aos luxemburgueses racistas: há racistas em todo lado, até em Portugal. Mas há que não pôr todos no mesmo saco. Quando a minha mãe emigrou para cá há 39 anos, porque Portugal não tinha nada para lhe dar, foi aqui acolhida com respeito. Trabalhou na limpeza em casa de luxemburgueses e foi sempre respeitada por eles, mesmo sendo uma simples mulher de limpeza portuguesa (e não tenho vergonha da minha mãe). Ajudaram-na em muitas coisas e hoje quando se encontram na rua, continuam a falar-lhe com o devido respeito.

Os meus pais adaptaram-se ao país que os acolheu e não estiveram à espera que o país se adaptasse às necessidades deles. Nunca quiseram ser vistos como coitadinhos e fizeram pela vida. Fizeram com que eu e meus irmãos nos integrássemos na comunidade luxemburguesa, sem esquecer a portuguesa, e que aprendêssemos a língua. Certamente que isso contribuiu para a minha formação e me ajudou a ter a vida que tenho hoje no Luxemburgo.

E é com essa ideologia que vou tentar proceder com os meus filhos, visto eles também viverem no Luxemburgo. E aconselho os “novos” portugueses que tencionam ficar por aqui a fazerem igual, porque quem fica a ganhar, são os vossos filhos.

Eu, como filha de portugueses, também nunca vivi injustiças da parte dos luxemburgueses. Não digo que não haja. Ovelhas negras há sempre em todo lado. Mas tenho um trabalho numa instituição luxemburguesa onde me respeitam, tenho um círculo de amigos luxemburgueses e portugueses, vivo com as duas culturas.

Se os portugueses começarem por respeitar o país que os acolhe, terão de certeza respeito em troca. Se assim não o fizerem, entram numa luta de braço de ferro que ninguém quer perder. Eu acho que o Luxemburgo já faz muito pelos portugueses. Só vou mencionar o facto de podermos arranjar documentos administrativos traduzidos em português. Em Portugal, também há isso, documentos traduzidos em russo?

Não acho correcto querermos impor as nossas leis a um outro país. Se acolho um estranho em minha casa, também não vou gostar que ele queira impor as suas regras em minha casa.

Para finalizar. Não percebo bem porque os meios de comunicação de Portugal e os políticos de Portugal são metidos ao barulho. Será que em Portugal não há problemas que chegue [para] que tenham de meter-se nos dos outros países? Aqui estamos no Luxemburgo. Penso que temos a Embaixada portuguesa se houver alguma coisa a discutir com as autoridades portuguesas! (...)

Alexandra Ferreira,

carta chegada por email


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