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OPINIÃO: Agosto de má memória
Sociedade 2 min. 30.08.2017

OPINIÃO: Agosto de má memória

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Sociedade 2 min. 30.08.2017

OPINIÃO: Agosto de má memória

O mês que agora termina deixou um rasto de desgraça, em Portugal, mas não só. Desde incêndios, à trágica queda de uma árvore, durante uma cerimónia religiosa, até ao ataque terrorista de Barcelona, tudo aconteceu, durante um mês que muitos ambicionavam que fosse de férias, de descontracção e de descanso.

O mês que agora termina deixou um rasto de desgraça, em Portugal, mas não só. Desde incêndios, à trágica queda de uma árvore, durante uma cerimónia religiosa, até ao ataque terrorista de Barcelona, tudo aconteceu, durante um mês que muitos ambicionavam que fosse de férias, de descontracção e de descanso.

Recentemente, escrevi aqui sobre terrorismo. Disse, em título, que tínhamos “a guerra à porta de casa”. E, de facto, já está em Barcelona, com 16 mortos, até ao momento em que escrevo. Entre as vítimas mortais, estão duas portuguesas, avó e neta, que se preparavam para gozar uma semana de férias naquela cidade. Mal chegaram, depositaram as malas no hotel e precipitaram-se para Las Rambas, seduzidas pelo encanto da mais emblemática avenida de Barcelona. Pouco depois, um ataque covarde, cometido por um desestruturado mental, interrompeu-lhes o prazer e as próprias vidas.

Dois dias depois, o Estado Islâmico publicou um vídeo, onde um seu porta-voz, falando em Castelhano, dizia que a Península Ibéria votará a ser parte do califado. Isto não é mais que uma ameaça de guerra.

A Espanha já sofreu vários atentados, os mais graves terão sido na estação de comboios, de Atocha, em Madrid e agora este, nas Ramblas. Portugal, com alguma felicidade, tem escapado aos instintos sanguinários dos terroristas. Mas a ameaça merece mais atenção.

O porta-voz do Estado Islâmico dizia mais. Exultava todos os aderentes ao seu movimento a desferirem todo o tipo de ataques, por conta própria. Quer isto dizer que qualquer criatura que se julgue merecedor das bênçãos de Alá, pode pegar num carro e lançá-lo sobre uma multidão indefesa e inocente. Com esse acto covarde – pensará ele – irá resgatar a sua dignidade e ganhar o paraíso, rodeado de tudo o que lhe foi negado em vida. Há milhares de homens convencidos por esta ignóbil falácia que alimenta o terror.

Portugal já tomou algumas poucas medidas de defesa dos locais que, habitualmente, juntam multidões. Mas são ainda insuficientes. É preciso saber, sobretudo, a que distância está o inimigo. Como se tem visto em muitos países da Europa, o próximo monstro pode estar atrás de um computador, na casa ao lado da nossa. Ou numa mesquita, à mercê da capacidade de convencimento de um qualquer imã, destituído de juízo.

Quer isto dizer que a vigilância do Estado e dos cidadãos é fundamental para prevenir o terrorismo. E, mesmo assim, ainda vamos sofrer mais investidas da violência islamita. Queira Deus que eu esteja enganado.

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