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ONU quer proteger um terço da superfície terrestre para travar extinção em massa
Sociedade 3 min. 14.01.2020 Do nosso arquivo online

ONU quer proteger um terço da superfície terrestre para travar extinção em massa

ONU quer proteger um terço da superfície terrestre para travar extinção em massa

Foto: AFP
Sociedade 3 min. 14.01.2020 Do nosso arquivo online

ONU quer proteger um terço da superfície terrestre para travar extinção em massa

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Proposta ambiciosa vai ser analisada pelos governos mundiais numa cimeira na China, em outubro.

Pelo menos um terço dos oceanos e dos solos a nível mundial devem estar protegidos até 2030 de forma a travar a extinção de espécies que põe em risco a continuação da vida na Terra, defende um documento da Organização das Nações Unidas (ONU) que será proposto aos governos mundiais, na cimeira sobre biodiversidade a ter lugar na China, em outubro.

O documento da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) é a primeira versão da proposta a ser submetida às 196 partes (países) participantes numa crucial cimeira que vai ter lugar na cidade de Kunming, no sul da China. Nesta primeira versão, agora tornada pública, estão estabelecidas as metas para travar a sexta grande extinção em massa, que alguns cientistas estimam que já esteja em curso. Considera-se que esta cimeira irá estabelecer um novo paradigma para a biodiversidade tal como o Acordo de Paris de 2015 o fez em relação às alterações climáticas.

Além de definir como objetivo a atingir em menos de dez anos a proteção de um terço da superfície terrestre, o documento propõe ainda que 10% desse território esteja sujeito a medidas de proteção extrema, de forma a recuperar áreas selvagens e garantir a proliferação de espécies animais e vegetais.

O documento que será votado na convenção, conhecida como COP15, propõe ainda reduzir em 50% a poluição dos ecossistemas causada pelas atividades agrícolas, plásticos e outras fontes poluentes.


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O novo paradigma de proteção da natureza a nível internacional propõe ainda garantir que a recolha e o comércio de espécies selvagens esteja até 2030 em "níveis legais e sustentáveis".

Várias recomendações estão definidas, como a da eliminação total de subsídios que de alguma forma sejam nocivos para a recuperação de habitats naturais. E garantir que até 2030 todos os incentivos e regulamentações levem a que as atividades económicas sejam positivas ou de impacto neutro para a biodiversidade.

No site da CDB refere-se que 2020 poderá ser um "super ano" para a biodiversidade. Não só com a cimeira da China, onde se "irá negociar um novo quadro de salvaguarda da vida na Terra", mas também com outros encontros internacionais. No site, a conferência da ONU sobre os oceanos e o congresso da União Internacional para a Conservação da Natureza, são referidos como momentos decisivos. "Eventos ao longo do ano juntarão países e pessoas para encontrar soluções contra a crise ecológica que ameaça o bem-estar humano".


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Deputados europeus propõem medidas ambiciosas

Esta semana o Parlamento Europeu irá igualmente tomar uma posição forte sobre a biodiversidade. Os deputados da comissão do ambiente (de momento a maior comissão, com 76 membros) propuseram uma resolução, que vai ser debatida e votada esta semana, e onde estará a posição da União Europeia a ser apresentada no final do ano na China.

Na resolução defende-se que "é necessário um quadro internacional sob a forma de acordo vinculativo" para pôr termo ao declínio global da biodiversidade.

No documento que os eurodeputados vão votar defende-se que também a Europa consagre o "objetivo claro" de conservar pelo menos 30% do seu território sob a proteção de zonas naturais até 2030. 

Os deputados da comissão de ambiente defendem ainda que haja "financiamento adequado para a biodiversidade no próximo quadro financeiro plurianual 2021-27)", bem como práticas sustentáveis na agricultura, silvicultura e pescas.


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