Escolha as suas informações

OMS avisa que a reabertura das fronteiras externas da UE pode ser um erro
Sociedade 2 min. 25.06.2020

OMS avisa que a reabertura das fronteiras externas da UE pode ser um erro

OMS avisa que a reabertura das fronteiras externas da UE pode ser um erro

AFP
Sociedade 2 min. 25.06.2020

OMS avisa que a reabertura das fronteiras externas da UE pode ser um erro

Confrontada com o avanço "galopante" da pandemia, a OMS lembra que não meios epidemiológicos 100% fiáveis para garantir a segurança a bordo e admite a multiplicação de "casos importados" em todo o mundo.

A menos de uma semana da data marcada para a reabertura das fronteiras externas da UE, fechadas desde 16 de março, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) lembra que não só não há meios epidemiológicos 100% fiáveis para decidir "quem pode ou não entrar num avião", como a retoma das viagens intercontinentais pode ter efeitos imprevisíveis tanto nos países onde a pandemia está a recuar como nos países, na grande maioria latino-americanos, onde a propagação do vírus está longe de atingir o pico.  

A delegação regional da Organização Mundial de Saúde (OMS) comprometeu-se a fazer chegar a Bruxelas um documento com várias recomendações e avisos sobre a medida que não recolhe consenso no bloco dos 27 que compõe a UE, mas deverá entrar em vigor já a partir de 1 de julho. Manifestamente alarmados com a hipótese de uma segunda vaga da pandemia, os especialistas vincam que "não há nenhum instrumento de diagnóstico ou filtros epidemiológicos que nos permitam adoptar um critério de quem pode ou não pode embarcar num avião" e que a decisão de reabrir as fronteiras externas "deve ser tomada na perspectiva da gestão desse risco". 

Numa conferência de imprensa virtual, o diretor de Emergências de Saúde da OPAS, Ciro Ugarte fez questão de repetir que "estamos a ver que os países que tinham controlado a doença podem apresentar surtos no seu país, e podem mesmo gerar o que se chama um segundo pico da doença, por vezes superior aos anteriores".

Sentido de responsabilidade 

Sem vacina nem certezas absolutas sobre o vírus que já chegou a 196 países com milhões de mortes e infeções associadas, a delegação da OMS do continente Americano apela à responsabilidade dos vários governos envolvidos. Uma atitude irrefletida pode determinar o avanço da pandemia. "Avaliar quando, como, de e onde retomar o tráfego dependerá de vários aspectos, mas principalmente da capacidade do país para gerir o fluxo de viajantes e como eles podem seguir esses viajantes quando entram no país", resume o painel de especialistas. 

No caso específico da gestão sanitária nas fronteiras, a OPAS diz que é um erro continuar a dar "ênfase aos viajantes internacionais e aos migrantes, quando na realidade os casos aparecem dentro do país" e reforça que os governos devem reforçar a aposta na "capacidade dos serviços de saúde de prestar cuidados de saúde a casos importados que são susceptíveis de aparecer". 

EUA, Brasil e Rússia sem autorização para entrar 

A UE ainda não especificou se tenciona proibir voos não essenciais dos países actualmente mais afectados pelo Covid-19, mas a Comissão Europeia está a considerar restringir o acesso a viajantes e turistas dos EUA, Brasil e Rússia, que lideram o ranking dos países mais afetados pelo novo coronavírus. 

A decisão final só deverá ser conhecida na sexta-feira. Irão, Arábia Saudita, Afeganistão,  África do Sul, México e grande parte da América do Sul provavelmente estarão também fora da lista de permissões para entrar no Velho Continente.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.