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Oceanos mais quentes que nunca em 2019
Sociedade 3 min. 14.01.2020

Oceanos mais quentes que nunca em 2019

Oceanos mais quentes que nunca em 2019

Sociedade 3 min. 14.01.2020

Oceanos mais quentes que nunca em 2019

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Segundo um novo estudo, os oceanos estão a aquecer a um ritmo acelerado. E as temperaturas globais também.

 A temperatura dos oceanos atingiu um novo recorde em 2019, demonstrando um aquecimento constante, “irrefutável e acelerado” de todo o planeta, segundo um estudo de uma equipa interdisciplinar de cientistas chineses e norte-americanos, publicado ontem no jornal Advances In Atmospheric Sciences.

A medição da temperatura da camada superior das águas oceânicas é um dos melhores métodos de verificação do aquecimento de todo a superfície terrestre “porque os oceanos são o maior repositório de equilíbrio energético”, escrevem os autores - uma equipa de cientistas chineses e norte-americanos, de vários institutos, que usaram os mais avançados métodos de medição.

“Mais de 90% do aquecimento é absorvido pelos oceanos. O restante manifesta-se sob a forma de aquecimento atmosférico, uma massa terrestre mais quente e mais seca e no derretimento do gelo marinho”.

A equipa apresenta a conclusão de que as temperaturas das águas marinhas (especialmente nos 2000 metros superiores) foram as mais quentes verificadas desde que há registos. “Os gases com efeito de estufa (GEE) emitidos pela atividade humana resultaram num aquecimento de longo termo e inequívoco do planeta”, escrevem os autores.

Com o nome “Aquecimento Global dos Oceanos Continua a Bater Recordes em 2019”, a nova análise demonstra que os últimos dez anos são os mais quentes registados nos oceanos desde sempre e 2019 é o ano mais quente.

Os resultados tornam igualmente evidente que também a taxa de aquecimento está a aumentar. O aquecimento entre 1987 e 2019 é quatro vezes e meia mais rápido que o registado entre 1955 e 1986.

A equipa, onde se inclui o norte-americao Michael E.Mann, um dos mais destacados cientistas de ciências do clima, considera que não há outra explicação para o aumento das temperaturas dos oceanos (e de todo o paneta) a não ser as emissões de gases com efeito de estufa derivadas da atividade humana.

Os cientistas chamam a atenção de que mesmo que se consiga diminuir as emissões de GEE, as águas dos mares continuarão a aquecer e os gelos marinhos continuarão a derreter, devido ao facto de estes sistemas serem lentos a responder e a reequilibrar-se. “Contudo, a taxa e a magnitude do aquecimento oceânico e os riscos associados serão menores com menos emissões. Desta forma, a taxa de aumento (de temperaturas) pode ser reduzida, se houver uma apropriada atuação humana para rapidamente reduzir as emissões de GEE”.

O estudo foi realizado usando um novo e inovador método desenvolvido pelo Instituto de Física Atmosférica chinês que analisou dados de 3.800 sondas de um sistema de observações das águas do planeta conhecido como Argo e de todas as observações existentes dos equipamentos do World Ocean Database.

Oceanos mais quentes geram tempestades mais perigosas e perturbam os ciclos da precipitação, levando tanto a chuvas torrenciais em dados pontos do planeta como a secas e grandes incêndios florestais como os que se registaram no ano passado na Amazónia e os mais recentes na Austrália, referem os cientistas autores do estudo.

Com as ondas de calor nos mares do planeta cada vez mais frequentes e mais intensas, as várias espécies marinhas irão entrar em declínio acelerado.

 “Chegámos à conclusão que 2019 foi não só o ano mais quente de sempre, como registou o maior salto de toda a década, um sério aviso de que o aquecimento provocado por mão humana continua em escalada”, disse Michael E. Mann.