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O restaurante que quer dar emprego a pessoas com Síndrome de Down
Sociedade 4 3 min. 08.08.2022
Inclusão social

O restaurante que quer dar emprego a pessoas com Síndrome de Down

A filha de Martine Eischen, Catalina, ajuda a preparar a comida de take-away na cozinha do restaurante.
Inclusão social

O restaurante que quer dar emprego a pessoas com Síndrome de Down

A filha de Martine Eischen, Catalina, ajuda a preparar a comida de take-away na cozinha do restaurante.
Foto: Gerry Huberty
Sociedade 4 3 min. 08.08.2022
Inclusão social

O restaurante que quer dar emprego a pessoas com Síndrome de Down

Glenn SCHWALLER
Glenn SCHWALLER
O Madame Witzeg, em Belvaux, quer promover a integração de pessoas com deficiência, mas está a ter dificuldade em recrutar pessoal.

"Estou a ficar um pouco nervosa", admite Martine Eischen, presidente da associação Trisomie21, enquanto faz uma visita guiada ao restaurante Madame Witzeg, em Belvaux.

A missão do estabelecimento é a inclusão de pessoas com Síndrome de Down (doença também conhecida como Trissomia 21), que podem trabalhar na cozinha ou a servir às mesas. "A ideia é que eles trabalhem em equipa", explica a responsável, sublinhando a diferença entre o conceito do restaurante e de outros projetos que procuram integrar estas pessoas no mercado de trabalho.

"Normalmente, há muita separação entre os vários grupos de trabalho e demasiado foco nas atividades individuais", exemplifica. O Madame Witzeg pretende, assim, preencher esta lacuna.

Obras e falta de pessoal atrasam abertura

O contrato de arrendamento do espaço, no rés-do-chão do lar de idosos de Waassertrap, está válido desde janeiro. As mesas estão prontas, a cozinha ainda é provisória, mas está operacional. A sala de almoços e jantares pode receber até 35 clientes e a pista de bowling também pode ser usada. Mas, até agora, ainda não foi servido nenhum cliente no restaurante. E a abertura está claramente atrasada.

Há várias razões para isto. Por um lado, os trabalhos de renovação do espaço arrastaram-se, a pandemia e a guerra na Ucrânia interferiram com os planos do projeto, como em muitos outros casos, e atrasaram as obras.

Por outro lado, a associação tem tido muitas dificuldades para encontrar trabalhadores, um problema que parece contraditório, tendo em conta que há falta de postos de trabalho para pessoas com deficiência, lembra Eischen. "Mas ninguém aparece", refere a presidente da Trisomie21, com desânimo na voz.

Há três anos, quando o projeto foi apresentado, despertou muito interesse entre os membros da associação, refere a presidente, que também tem uma filha com Síndrome de Down. Entretanto, muitos foram ficando reticentes.

A janela permite aos clientes ver para a cozinha
A janela permite aos clientes ver para a cozinha
Foto: Gerry Huberty

Por agora só há oferta de serviços isolados

Atualmente, só uma pessoa com Trissomia 21 trabalha no restaurante. Além dela, há uma cozinheira a tempo a inteiro, que tem de dar conta de outras tarefas, por exemplo do foro administrativo, devido à falta de trabalhadores. Martine Eischen, que já está reformada, acaba por estar muito mais envolvida do que o que estava planeado inicialmente. "Agora, tenho um trabalho a tempo inteiro", declara.

Uma vez que há pouco pessoal, o restaurante só pode, para já, oferecer serviços isolados. Por exemplo, prepara pratos para take-away em alguns dias. Por agora, servir clientes na sala de refeições está fora de questão.

Martine Eischen explica que, para que o restaurante iniciasse o funcionamento normal, teriam de ser recrutados dois cozinheiros, dois educadores e 12 outros trabalhadores.

Contudo, ter Síndrome de Down não é um critério de exclusão para a contratação de pessoal; pessoas com outras deficiências cognitivas podem candidatar-se aos postos de trabalho divulgados. "Os candidatos apenas têm de se integrar."

Projeto incluirá estágios e trabalho em part-time

Além disso, está também a ser considerada a oferta de estágios de até três meses para pessoas com Trissomia 21 que esteja, atualmente, a frequentar oficinas da Ligue HMC ou APEMH. Assim, poderão ter uma noção de como funciona o mercado de trabalho. Também será possível trabalhar em part-time.

Com o objetivo de encontrar os trabalhadores certos, foi lançada uma nova fase de candidaturas que está a decorrer até 15 de agosto. As primeiras candidaturas já foram recebidas, segundo Marine Eischen. O objetivo é ter, pelo menos, um cozinheiro, um mentor e quatro outras pessoas a bordo do projeto para poder avançar com a abertura.

Se for encontrada a equipa desejada, a ideia é levar a cabo uma abertura provisória em setembro, em modo 'soft opening', revela Eischen. "Não queremos abrir oficialmente até conseguirmos mostrar às pessoas o que valemos."

(Este artigo foi originalmente publicado na edição alemã do Luxemburger Wort.)

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