O que significa a emergência global de saúde pública
O que significa a emergência global de saúde pública
A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou esta quinta-feira, em Genebra, emergência de saúde pública global para o coronavírus, que já matou 170 pessoas na China e fez cerca de oito mil infetados em todo o mundo - a esmagadora maioria no país.
A decisão da OMS é conhecida depois de o Comité de Emergência se ter reunido hoje, novamente, para avaliar a situação. Há uma semana a organização considerou prematura a declaração de emergência internacional, mas a rápida propagação do vírus e a facilidade do seu contágio levou a que os especialistas do organismo da ONU voltassem a reunir-se para um novo balanço.
Do encontro desta quinta-feira saiu a decisão agora conhecida e que pressupõe a ativação de uma série de medidas de prevenção e coordenação à escala mundial.
Para declarar emergência internacional, a OMS considera a existência de três critérios: o facto de se tratar de uma situação extraordinária, o risco de rápida expansão para outros países e a necessidade de resposta internacional coordenada.
Viagens podem continuar, diz OMS
Apesar desta declaração e de várias companhias de transporte internacionais terem suspendido voos para a China e do anúncio de fechos de fronteira, a Organização Mundial de Saúde opõe-se a restrições de viagens.
"A OMS não recomenda a restrição de viagens, as trocas comerciais e os movimentos e opõe-se mesmo a todas as restrições de viagens", afirmou o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em conferência de imprensa, na sede da organização, em Genebra, Suíça, citado pela AFP.
Segundo o responsável, a "grande preocupação", que motivou a decisão de hoje, e que "não é um voto de desconfiança em relação à China", foi "a possibilidade de o vírus se propagar a países onde os sistemas de saúde são mais frágeis", como África, que regista menos casos mas já se encontra numa situação mais vulnerável para os combater.
O esclarecimento da OMS surge numa altura em que várias companhias aéreas, como a British Arways ou a Lufthansa, suspenderam ou reduziram os seus voos para a China devido à propagação do novo coronavírus, que pode causar pneumonia viral.
O comité da organização, que esteve reunido hoje, assinala, em comunicado, que as restrições à circulação de pessoas e bens durante uma emergência de saúde pública internacional podem ser ineficazes, perturbar a distribuição de ajuda e ter "efeitos negativos" na economia dos países atingidos.
Também a Rússia anunciou hoje a intenção de fechar os mais de quatro mil quilómetros de fronteira com a China e o Cazaquistão ordenou a suspensão de todas as ligações de transporte com o país.
