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"O mundo está traumatizado". Famílias de Daunte Wright e George Floyd unidas na dor
Sociedade 19 3 min. 14.04.2021

"O mundo está traumatizado". Famílias de Daunte Wright e George Floyd unidas na dor

"O mundo está traumatizado". Famílias de Daunte Wright e George Floyd unidas na dor

AFP
Sociedade 19 3 min. 14.04.2021

"O mundo está traumatizado". Famílias de Daunte Wright e George Floyd unidas na dor

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
As famílias dos dois afro-americanos mortos pela polícia em Minneapolis, no espaço de um ano, juntaram-se em conferência de imprensa para partilhar a dor e o luto.

Numa conferência de imprensa conjunta, as famílias de Daunte Wright e George Floyd falaram sobre os paralelos entre os dois casos de violência policial e o luto que estão ainda a passar. 

"O mundo está traumatizado, assistimos à morte de outro homem afro-americano. Todos os dias acordo, nunca pensei que este mundo pudesse estar em tanta desordem como está agora", disse Philonise Floyd, irmão de George Floyd. "Minneapolis, vocês já não podem varrer isto para debaixo do tapete. Estamos aqui e lutaremos por justiça para esta família, tal como lutaremos por justiça para o nosso irmão", continuou, num discurso emocionado. 

Protestos continuam pelo terceiro dia 

Centenas de pessoas manifestaram-se na terça-feira, pela terceira noite consecutiva, contra o assassínio de um jovem negro pela polícia de Brooklyn Center, um bairro de Minneapolis, no Estado norte-americano do Minnesota.

O procurador do condado de Washington, Pete Orput, assegurou à televisão CNN que espera apresentar hoje uma decisão sobre a acusação contra a já ex-oficial da polícia de Brooklyn Center Kim Potter, pelo tiroteio que custou a vida a Daunte Wright, de 20 anos.

“Espero ter uma decisão sobre as acusações” hoje. “Acabo de receber a extensa documentação e (quando estudar) tomarei uma decisão”, acrescentou, segundo a rede. A agente que atirou e matou o afro-americano Daunte Wright apresentou a sua demissão na terça-feira, juntamente com o chefe da sua esquadra.

Os protestos acontecem todas as noites desde o incidente de domingo e alguns tornaram-se violentos. Na terça-feira, o protesto começou pacificamente, mas em poucos minutos o caos espalhou-se perto da esquadra de polícia do Brooklyn Center.

Os polícias usaram gás pimenta e dispararam bombas de fumo contra os manifestantes, que atiraram garrafas de água e outros objetos contra os polícias que usavam equipamento antimotim.

Manifestantes também foram vistos a subir uma barreira perto da instalação da polícia, segurando uma faixa que dizia “Justiça para Daunte Wright”, de acordo com os meios de comunicação locais, que também confirmaram a deslocação de membros da Guarda Nacional na área.

Após a entrada em vigor do recolher obrigatório, às 22:00, a maior parte dos manifestantes retirou-se e apenas algumas dezenas permaneceram na área, enquanto a polícia protegia as instalações da esquadra.

O responsável da Patrulha Estadual de Minnesota, Matt Langer, disse que o comando unificado do Brooklyn Center fez “mais de 60 detenções” na terça-feira à noite, muitas das quais por “motins e outras condutas criminosas”.

O incidente deu-se no domingo num subúrbio de Minneapolis – onde decorre o julgamento do polícia acusado de matar o afro-americano George Floyd. O subúrbio foi colocado sob recolher obrigatório após a morte do jovem.

No domingo, o veículo onde Wright seguia foi intercetado e as autoridades pediram ao jovem para se identificar. Os agentes perceberam depois que Wright tinha um mandado pendente por não comparecer em tribunal pelos crimes de posse ilegal de arma e por resistir à detenção.

As filmagens do incidente, divulgadas na segunda-feira, mostram que, quando um agente algemava Wright fora da viatura, o jovem resistiu e voltou a entrar no veículo.

Já com Wright ao volante do carro, e a debater-se com outro polícia, a agente avisa-o em voz alta que vai usar o “taser”, enquanto aponta a pistola. Enquanto Wright se coloca em fuga na viatura, ouve-se a agente exclamar “dei-lhe um tiro!”.

As famílias dos dois afro-americanos mortos pela polícia em Minnesota organizaram uma conferência de imprensa conjunta na terça-feira para demonstrar sua “união”.  

Com Lusa

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