Escolha as suas informações

"O meu filho foi assaltado por três sujeitos de rosto tapado à saída do liceu de Clervaux"
Sociedade 4 min. 19.11.2022
Relato

"O meu filho foi assaltado por três sujeitos de rosto tapado à saída do liceu de Clervaux"

Relato

"O meu filho foi assaltado por três sujeitos de rosto tapado à saída do liceu de Clervaux"

Foto: Lex Kleren
Sociedade 4 min. 19.11.2022
Relato

"O meu filho foi assaltado por três sujeitos de rosto tapado à saída do liceu de Clervaux"

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Uma mãe brasileira relata os momentos de aflição do seu filho de 16 anos, dizendo que a família deixou o Brasil pela insegurança e no Luxemburgo já foram assaltados duas vezes.

Como sempre faz, Miguel (nome fictício), de 16 anos, terminou as aulas no Liceu de Clervaux e dirigiu-se para a paragem do autocarro, perto da escola, para ir para casa. Entre as 14h45 e as 15h00, de segunda-feira, o estudante aguardava a chegada do autocarro quando, de repente, foi abordado por três indivíduos de carapuço e rosto tapado, “apenas tinham os olhos de fora”, que o assaltaram. Na paragem, estavam outros alunos e pessoas mas “foi tudo rápido demais e se calhar não houve tempo das pessoas perceberam”, conta ao Contacto a mãe do jovem, preferindo o seu anonimato e o do filho.

Na semana que passou vários adolescentes foram roubados, sobretudo por outros jovens, em várias localidades do Luxemburgo, de acordo com os relatórios da polícia do Grão-Ducado.

“O meu filho conta que foi tudo muito rápido, pediram-lhe dinheiro, ele abriu a carteira e eles tiraram-lhe uma nota de cinco euros, era a única, depois agarraram no braço e tiraram-lhe o relógio”, explica a mãe do jovem ainda angustiada. Percebendo que os assaltantes também "lhe iriam levar o telemóvel, que tinha no bolso de trás das calças", Miguel decidiu fugir.

“Como aconteceu tudo tão depressa o meu filho não me soube dizer se as outras pessoas na paragem deram pelo assalto, mas aproveitou o momento em que um passageiro se afastou e então ele entrou no autocarro”, conta a mãe, salientando que já no autocarro, o filho olhou para a paragem e “viu que os seus assaltantes estavam a abordar outros adolescentes, se calhar para a roubar também”. Quando chegou a casa “ainda assustado” o filho contou tudo à mãe.

"No Brasil nunca fomos assaltados"

A insegurança foi uma das razões para esta família ter deixado o Brasil, de onde são naturais, e se terem mudado para o Luxemburgo, há cinco anos.

“Além de outras boas razões, viemos para o Luxemburgo também para fugir da violência e assaltos que existem no Brasil. Mas, lá nunca fomos assaltados e, é aqui no Luxemburgo, um país do primeiro mundo e rico e supostamente seguro que o meu filho foi roubado, no meio da rua, em pleno dia. Já antes, quando vivíamos no centro nos assaltaram a garagem e roubaram-nos uma bicicleta. Na verdade é complicado”, realça.


Adolescente agredido e assaltado em Esch-sur-Alzette
Desde o início desta semana este é, pelo menos, o terceiro assalto a jovens com recurso à violência, e em plena luz do dia.

“O meu filho estava assustado e nós falamos muito com ele e dissemos para ele seguir em frente, felizmente não lhe fizeram mal, não lhe tenham batido, ferido, isso é o mais importante. Eu disse-lhe que foi só um relógio e dinheiro, é o de menos, comparado com o que poderia ter acontecido”.

Por “medo”, estes pais e o adolescente não apresentaram queixa à polícia do assalto. “Sinceramente, tenho receio pelo meu filho, e decidimos não apresentar queixa, pois não sabemos se os assaltantes são da escola deles, daquela zona, como podem reagir depois, e tememos que lhe pudesse fazer mal”, assume a mãe realçando que, no entanto, contactou o Liceu de Clervaux a relatar o sucedido e a pedir uma maior proteção na zona em redor da escola. 

“Do liceu disseram-me que têm conhecimento de outros assaltos a alunos, até um no mesmo dia, e que vão tomar uma providência, além de que também estão a dialogar com a polícia para ver se pode haver agentes com maior frequência ao pé da escola”, frisa. E volta a comparar com o Brasil: “Devido à insegurança, no sul do Brasil onde morávamos, em todas as escolas há polícias por perto, para garantir a segurança dos alunos, e aqui no Luxemburgo, mais uma vez realço que é um país rico, isso não acontece mas deveria acontecer”.

“Não só em Clervaux, mas em todas as escolas do país deveria haver policiamento nas entradas e saídas, para uma maior segurança dos alunos. Havendo polícia isso inibe os assaltantes e agressores”, diz esta mãe.


Em dois dos assaltos a polícia já identificou os agressores adolescentes.
Grupos de adolescentes assaltam colegas em Esch-Belval e Clervaux
No roubo em Belval um aluno foi pontapeado e arrastado com violência por três jovens à saída da escola em pleno dia. Houve mais dois assaltos violentos na segunda-feira.

Assaltado por adolescentes?

Na mesma tarde em que Miguel foi assaltado, houve uma queixa à polícia sobre um adolescente que foi assaltado também por três jovens, na estação de Clervaux. Os assaltantes usaram de violência para lhe roubar a carteira, mas a polícia conseguiu encontrar os autores com a carteira roubada em seu poder, na zona da escola perto do local do crime. A carteira foi entregue à vítima e os agressores indiciados pelo Ministério Público.

A mãe de Miguel tomou conhecimento por este assalto através da notícia no Jornal Contacto e acredita que provavelmente poderão ter sido os mesmos autores do roubo do filho, dadas as coincidências e ter havido uma queixa na escola, apesar de em ambos os casos ter sido fora dos portões do liceu. “Podem ter sido eles, só que como estavam de rosto tapado e carapuços na cabeça, o meu filho não lhes viu os rostos e não sabe dizer se eram jovens como ele ou não”.

“Só espero é que com os pedidos da escola e o nosso alerta a situação possa mudar e haver policiamento. O assalto ao meu filho não é caso único. “Além dos roubos, o meus filhos comentam que tem havido brigas à porta da escola e não está seguro”.

O Contacto tem uma nova aplicação móvel de notícias. Descarregue aqui para Android e iOS. Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Foi agredido por seis colegas, na escola e no transporte escolar. O caso repetiu-se e os pais abordaram os professores, a comuna e a até a empresa dos autocarros. Desesperados, apresentaram queixa à polícia em março. Sentem que as autoridades competentes nada fizeram. O novo ano letivo arrancou há menos de um mês e o pesadelo recomeçou.