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O fim trágico de um banqueiro
Opinião Sociedade 2 min. 23.05.2022
João Rendeiro

O fim trágico de um banqueiro

João Rendeiro

O fim trágico de um banqueiro

Foto: Lusa
Opinião Sociedade 2 min. 23.05.2022
João Rendeiro

O fim trágico de um banqueiro

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Foi ele, Rendeiro, quem escolheu a África do Sul, como liça para um combate que acabou por perder.

A odisseia de João Rendeiro terminou, com um lençol transformado em corda e um suicídio, numa infecta prisão sul-africana. Seguiram-se os mais despropositados e apaixonados comentários.

Alguns apressaram-se a dizer que era um fim justo, para um homem que, desprovido de vergonha e carácter, roubou tudo, a todos os que lhe apareceram pela frente.

Para outros, a culpa deste trágico final foi da justiça portuguesa que não cuidou de o hospedar num presidio mais digno e seguro, por exemplo, em Portugal. Esqueceram-se estes que Rendeiro lutou, como pode, contra o seu repatriamento.

Finalmente, há os que acusaram as autoridades diplomáticas portuguesas de não o terem protegido e assim, com essa omissão, terem propiciado tão dramático fim.

Para estes últimos, há que dizer que João Rendeiro, que se saiba, não pediu protecção consular às autoridades portuguesas e, por isso, nenhum auxílio lhe podia ter sido prestado. E que sentido faria um homem entrar em conflito com um Estado e, a meio da contenda, pedir-lhe auxílio? Nenhum. Foi ele, Rendeiro, quem escolheu a África do Sul, como liça para um combate que acabou por perder.

A responsabilidade imputada à Justiça portuguesa também é relativa. De facto, não lhe devia ter dado condições para a fuga e, se ele não se tivesse tornado num insolente contumaz, talvez hoje ainda estivesse vivo. Mas o facilitismo com que o assunto foi tratado acabou por conduzir Rendeiro à tragédia. Para além disto, não vejo que outra culpa possa ser apontada ao sistema judiciário.

João Rendeiro abandonou o país, fugindo à justiça e as várias penas já transitadas que teria de cumprir. Exibiu a sua arrogância, fazendo saber que mantinha uma vida de luxo, repleta de exuberâncias. Disse que jamais voltaria a Portugal e que nunca o veríamos no calvário de uma cadeia portuguesa.


Os cinco meses entre a detenção e a morte de João Rendeiro na África do Sul
João Rendeiro foi condenado em três processos distintos relacionados com o colapso do BPP, tendo o tribunal dado como provado que retirou do banco 13,61 milhões de euros. No dia 28 de setembro do ano passado, anunciou no seu blogue que não iria regressar a Portugal por se sentir injustiçado.

Pouco depois destas exibições televisivas, a Polícia Judiciária já sabia que ele estava na África do Sul, em Durban, hospedado num hotel que lhe proporcionava os hábitos faraónicos. Rapidamente foi feito o pedido de repatriamento que sofreu alguns sobressaltos processuais que atrasaram toda a tramitação.

Mas as coisas continuavam a correr mal, para Rendeiro. A sua advogada renunciou à procuração, com o pretexto de dívidas acumuladas. June Stacey Marks disse até que era ela que estava a suportar despesas de Rendeiro. Por tudo isto, queria uma separação definitiva.

No dia seguinte à sua morte, Rendeiro teria de comparecer em tribunal e por aqui se pode deduzir que já o faria sem advogada. Por responder ficará uma pergunta: terá sido essa circunstância que o encorajou a pegar no lençol?

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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