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Noruega levanta questões sobre vacinação em idosos mais vulneráveis
Sociedade 4 min. 18.01.2021

Noruega levanta questões sobre vacinação em idosos mais vulneráveis

Noruega levanta questões sobre vacinação em idosos mais vulneráveis

Foto: AFP
Sociedade 4 min. 18.01.2021

Noruega levanta questões sobre vacinação em idosos mais vulneráveis

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
Em causa está o grupo etário entre os 75 e os 80 anos de idade, após a morte de 29 pessoas após terem recebido as vacinas contra a covid-19.

A Noruega manifestou esta segunda-feira alguma preocupação sobre a segurança da vacina Pfizer/BioNTech em pessoas idosas e em condições de saúde mais graves, após a morte de 29 pessoas após terem recebido as vacinas contra a covid-19.

Em causa estão as pessoas no grupo etário entre os 75 e os 80 anos de idade. Segundo a Bloomberg, embora não seja claro exatamente quando ocorreram as mortes, a Noruega deu pelo menos uma dose a cerca de 42.000 indivíduos e concentrou-se nas pessoas consideradas de maior risco de contraírem o vírus, incluindo os idosos.

Até sexta-feira, a vacina produzida pela Pfizer e pela BioNTech era a única disponível na Noruega, e "todas as mortes estão assim ligadas a esta vacina", disse a Agência Norueguesa de Medicamentos numa resposta escrita à Bloomberg no sábado.

"Há 13 mortes que foram avaliadas, e estamos cientes de outras 16 mortes que estão atualmente a ser avaliadas", disse a agência. Todos os óbitos relatados estão relacionados com "pessoas idosas com doenças graves", afirmou a agência. "A maioria das pessoas teve os efeitos secundários esperados da vacina, tais como náuseas e vómitos, febre, reações locais no local da injeção, e agravamento do estado de saúde subjacente".

"A Agência Norueguesa de Medicamentos comunicou antes da vacinação que quando se vacina o mais velho e o mais doente, espera-se que as mortes ocorram num contexto relacionado com o tempo de vacinação. Isto não significa que exista uma relação causal entre a vacinação e a morte. Também comunicámos em relação às mortes registadas que é possível que os efeitos secundários comuns e conhecidos das vacinas possam ter sido um fator que tenha contribuído para um desfecho sério ou um resultado fatal", acrescentou a agência. 

Demasiado arriscado

As descobertas levaram a Noruega a sugerir que as vacinas poderão ser demasiado arriscadas para os doentes muito idosos e terminais, a declaração mais cautelosa até agora feita por uma autoridade sanitária europeia. 

Segundo o Instituto Norueguês de Saúde Pública "para aqueles com maior fragilidade, mesmo os efeitos secundários relativamente leves da vacina podem ter consequências graves. Para aqueles que têm uma esperança de vida muito curta, o benefício da vacina pode ser marginal ou irrelevante", considera citada pela Bloomberg.

"Estamos cientes de que também foram relatadas mortes noutros países, mas ainda não dispomos de todos os detalhes", disse a agência norueguesa de medicamentos. Os relatórios oficiais de reações alérgicas têm sido raros à medida que os governos se apressam a lançar vacinas para tentar conter a pandemia global. As autoridades dos EUA relataram recentemente 21 casos de reações alérgicas graves entre 14 e 23 de dezembro após a administração de cerca de 1,9 milhões de doses iniciais da vacina da Pfizer/BioNTech . 

O primeiro relatório de segurança a nível europeu da mesma vacina deverá ser publicado no final de janeiro. Segundo a Bloomberg, o caso norueguês não significa que pessoas mais jovens e mais saudáveis devam evitar ser vacinadas. Mas é um dado a ter em conta à medida que os países começam a emitir relatórios de monitorização de segurança sobre as vacinas.

Emer Cooke, o novo diretor da Agência Europeia de Medicamentos, disse que o acompanhamento da segurança das vacinas covid-19, especialmente as que dependem de novas tecnologias como o RNA dos mensageiros (molécula presente nas células), seria um dos maiores desafios quando as vacinas forem amplamente divulgadas.


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Embora as duas vacinas aprovadas até agora na Europa tenham sido testadas em dezenas de milhares de pessoas - incluindo voluntários com mais de 80 e 90 anos - a idade média dos participantes rondava os 50 anos. No entanto, em muitos países, as primeiras pessoas a serem imunizadas eram mais velhas, m por exemplo residentes séniores em casas de repouso  e com elevado risco de contrair o vírus.

Numa reação ao regulador norueguês, a Pfizer/BioNTech já anunciou que está a trabalhar com as equipas do país para investigar as mortes na Noruega. A agência concluiu que "o número de incidentes até agora não é alarmante, e está em linha com as expectativas", disse a Pfizer numa declaração por email.

Autoridades australianas preocupadas

Após as mortes na Noruega, a Austrália, que tem um acordo para a compra de 10 milhões de doses da vacina Pfizer, está urgentemente à procura de mais informações sobre o assunto junto do produtor, das autoridades sanitárias e do governo da Noruega, disse o Ministro da Saúde Greg Hunt aos repórteres em Melbourne no domingo. 

A Administração de Bens Terapêuticos da Austrália vai procurar "informações adicionais, tanto da empresa, como do regulador médico norueguês", confirmou Hunt. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Austrália vai também contactar o seu homólogo na Noruega sobre esta questão. 

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