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Não se conhece o Luxemburgo sem se fazer a Nacional 10
Opinião Sociedade 3 min. 12.03.2022 Do nosso arquivo online
A fava

Não se conhece o Luxemburgo sem se fazer a Nacional 10

A fava

Não se conhece o Luxemburgo sem se fazer a Nacional 10

Foto: Télécran/Luxemburger Wort
Opinião Sociedade 3 min. 12.03.2022 Do nosso arquivo online
A fava

Não se conhece o Luxemburgo sem se fazer a Nacional 10

Ricardo J. RODRIGUES
Ricardo J. RODRIGUES
Os dias de calor estão a chegar, então ala de fazer a Nacional 10, todinha.

É a maior estrada do Grão-Ducado. Mede 117,6 quilómetros e percorre toda a fronteira leste do Luxemburgo, de Schengen a Marnach. A maioria das vezes que a percorri parti de sul, de Schengen, e tinha a Moselle à minha direita. É um começo de viagem extraordinário. O rio de um lado e as vinhas do outro. Num dia de sol, dificilmente haverá lugar mais luminoso no país inteiro. Este primeiro terço da estrada atravessa uma certa versão luxemburguesa da Riviera.

Remich e Grevenmacher podem não ser Nice ou Cannes, mas têm uma aura mediterrânica. Há gente de patins, bicicletas e caiaques. Há carrosséis nos centros da vila e caves de vinho nas aldeias em volta. Há casinos e restaurantes, parques de campismo e spas, embarcações a largar ou a voltar do cais. O problema é quando se chega a Wasserbilig. A marginal solarenga termina e a estrada desemboca num entroncamento que aponta rumos demasiado definitivos: à direita Alemanha, à esquerda a capital. 

Numa Sibéria que mede 10 mil quilómetros de comprido e atravessa oito fusos horários eu não encontrei a mesma diversidade do que em 117,6 quilómetros de Nacional 10 no Luxemburgo.

E é aqui que se tem de tomar a primeira decisão. Damos o passeio por terminado ou vamos comer qualquer coisa a Trier? Estou aqui para fazer o elogio do caminho menos óbvio: sempre em frente. A Nacional 10 segue daqui para Echternach e o que muda verdadeiramente é a paisagem fluvial. Terminou a Moselle, começou o Sûre. A natureza adensa-se à volta do rio, as montanhas elevam-se à esquerda. As colinas são escarpadas e rochosas. Echternach é uma das povoações mais bonitas do Luxemburgo. Daqui, ou se dá o dia por terminado e se volta à cidade, ou então ainda se dá uma última volta pelo Mullerthäl. E não está nada mal escolher essa opção. 

Mas o meu elogio é quando se sabe isso e ainda assim se escolhe seguir a Nacional 10. O rumo é Vianden isso implica a segunda troca de rios – a meio do caminho o Sûre dá lugar ao Our. Vai que muda tudo outra vez. Agora são as Ardenas, floresta de árvores altas e nevoeiros frequentes, onde se travaram algumas das mais sangrentas batalhas da Segunda Guerra Mundial. Aqui resiste um certo país perdido no tempo, rural e despovoado, de alguma forma assombrado. Não se percebe o Luxemburgo sem isto, também: a sua memória. 

Quando cheguei ao Grão Ducado, a primeira coisa que tentei fazer foi perceber o seu território. Visitei todas as 102 comunas do Luxemburgo em meio ano – porque queria conhecer o país onde vivia, de forma honesta. Se moramos num país que não é o nosso o melhor tributo que lhe podemos fazer é conhecê-lo. A Nacional 10 cumpre toda uma fronteira – com a Alemanha – mas tem a vantagem de atravessar duas ou três camadas geográficas deste país. 

A maior viagem terrestre que fiz na vida foi o comboio Transiberiano. Durante semanas percorri o caminho de Moscovo a Vladivostok, e ainda me aventurei a meio pela Mongólia e pela China. E sabem que mais? Numa Sibéria que mede 10 mil quilómetros de comprido e atravessa oito fusos horários eu não encontrei a mesma diversidade do que em 117,6 quilómetros de Nacional 10 no Luxemburgo. Isso deixa-me a pensar na necessidade de nos fazermos à estrada, de desbravarmos alcatrão. Aqui fica a minha sugestão para o início de conversa. Os dias de calor estão a chegar, então ala de fazer a Nacional 10, todinha. Depois falamos.  

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