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Não existe um "gene gay", revela novo estudo
Sociedade 2 min. 30.08.2019

Não existe um "gene gay", revela novo estudo

Não existe um "gene gay", revela novo estudo

Foto: AFP
Sociedade 2 min. 30.08.2019

Não existe um "gene gay", revela novo estudo

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
A genética pode representar entre 8 a 25 por cento do comportamento sexual entre pessoas do mesmo sexo.

Não há um "gene gay", ou seja, um gene único que define a homossexualidade. No entanto, a orientação homossexual pode ser influência por um grupo de genes presentes na cadeia de ADN. 

Esta é a conclusão de um estudo publicado na revista Science, que  analisou a informação genética de 470 mil pessoas. Os investigadores analisaram os genomas - todo o património genético - de 409.000 pessoas inscritas no projecto britânico Biobank, e 68.500 registadas na empresa de genética 23andMe. 

Os investigadores concluíram que a genética pode representar entre 8 a 25 por cento do comportamento sexual entre pessoas do mesmo sexo, quando se considera todo o genoma.   

De acordo com a BBC, verificou-se que cinco variantes genéticas específicas estavam particularmente associadas ao comportamento sexual entre pessoas do mesmo sexo, incluindo uma ligada à via biológica do olfato e outras às hormonas sexuais. 

No entanto, em conjunto, representam menos de 1% do comportamento sexual entre pessoas do mesmo sexo. E, sobretudo, não há um gene que, por si só, determine a homossexualidade. 

Andrea Gana, autora principal do estudo, afirma que esta conclusão "enfatiza a importância de resistir a conclusões simplistas. É que as variantes genéticas de uma pessoa não antecipam, de forma significativa, se esta vai envolver-se num comportamento sexual com pessoas do mesmo sexo". A cientista adverte que “usar estes resultados para uma previsão, intervenção ou uma suposta ‘cura’ é completa e incondicionalmente impossível”. 

O que é o ADN? 

Foto: Shutterstock

A sigla ADN significa 'ácido desoxirribonucleico' e é um conjunto orgânico cujas moléculas contém informação genética (contando também com as características hereditárias) que determina todas as particularidades que nos distinguem, ou seja, se somos loiros, morenos, magros, altos. Está presente em todas as células do corpo. 

Essa cadeia de ADN é composta por quatro tipos de moléculas: adenina (A), timina (T), guanina (G) e citosina (C). A adenina liga-se à timina e a guanina liga-se sempre com a citosina. No total, há três mil milhões destas moléculas na cadeia de ADN.

O que este estudo sugere é que há cinco locais do genoma humano em que uma alteração numa dessas moléculas parece influenciar ligeiramente a possibilidade de alguém ter uma predisposição natural para desenvolver uma afinidade sexual com alguém do mesmo sexo — mesmo que não seja homossexual.

Desde 1993, quando o cientista Dean Hamer afirmou, pela primeira vez, que a homossexualidade estava prevista no cromossoma X, que esta é uma questão que continua a dividir a comunidade científica.