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"Não consigo respirar". A história de um homem que morreu asfixiado pelo joelho de um polícia
Sociedade 1 3 min. 27.05.2020

"Não consigo respirar". A história de um homem que morreu asfixiado pelo joelho de um polícia

"Não consigo respirar". A história de um homem que morreu asfixiado pelo joelho de um polícia

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Sociedade 1 3 min. 27.05.2020

"Não consigo respirar". A história de um homem que morreu asfixiado pelo joelho de um polícia

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
Durante sete minutos um polícia branco asfixiou George Floyd, um afro-americano que estava algemado e deitado no chão. Revolta popular levou centenas às ruas num grito contra o racismo. Atenção: Imagens podem chocar os mais sensíveis.

"Não consigo respirar. Por favor. Por favor." Foram várias as vezes que George Floyd, um afro-americano de 46 anos, repetiu o pedido de ajuda enquanto um polícia, branco, o asfixiava apoiando-se num joelho. "Por favor, homem! Dói-me o estômago, doí-me a garganta. Dói-me tudo. Preciso de água, alguma coisa. Por favor, agente. Não me mate", suplicou, quase sem fôlego, George Floyd que estava algemado, deitado com a garganta pressionada contra o chão, enquanto outros três polícias observavam sem reagir. As pessoas que passavam pediam para que algo se fizesse "ponham-no dentro do carro", ouve-se num vídeo partilhado pelo The Guardian.

Se esta não fosse a era dos telemóveis, dos vídeos instantâneos e das redes sociais, talvez nunca se chegasse a saber a verdade sobre o que aconteceu no passado fim-de-semana nas ruas de Minneapolis, cidade do Minnesota, nos Estados Unidos da América.

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.

 O relatório da polícia sobre o incidente "foi curto e higienizado" escreveu o New York Times. Segundo o relatório, os policiais receberam uma chamada sobre "uma alegada falsificação". Floyd estaria no seu carro quando os agentes o mandaram sair.

A CBS News citou o depoimento da polícia onde está relatado que "depois de sair (do carro), resistiu fisicamente às autoridades. Os agentes conseguiram algemar o suspeito e notaram que ele parecia estar a sofrer de problemas médicos. Os oficiais chamaram uma ambulância", de acordo com a declaração. O homem faleceu pouco tempo depois, acrescenta o depoimento: "Em momento algum foram utilizadas armas de qualquer tipo por alguém envolvido neste incidente. As câmaras usadas pelo corpo estavam ligadas e activadas durante este incidente".

Porém, os transeuntes filmaram o ocorrido, os vídeos foram partilhados por várias redes sociais exigindo-se justiça pela morte de Floyd, que acabaria por perder a vida, sob custódia da polícia. 

Algumas personalidades famosas que conheciam Floyd pessoalmente, como o rapper Reconcile e o artista de hip hop cristão Corey Paul expressaram publicamente, "antes que se altere a história", que o homem de 46 anos era ativo na comunidade, "uma pessoa da paz". "George Floyd era a definição do lema 'sê a mudança que queres ver'" escreveu Paul num vídeo em que Floyd comenta sobre as gerações mais novas e o quão violentas e "perdidas" estão nos Estados Unidos.

Numa conferência de imprensa, Jacob Frey, presidente da câmara de Minneapolis não conseguiu conter a emoção. "Tudo o que vi estava errado. Foi malicioso. Foi inaceitável. Não há nenhum cinzento ali". "Durante cinco minutos assistimos um agente branco a pressionar o joelho até ao pescoço de um homem negro", disse Frey. "Durante cinco minutos. Este oficial falhou no sentido humano mais básico", lamentou.

Protestos por justiça à morte de George Floyd, em Minneapolis, Estados Unidos da América
Protestos por justiça à morte de George Floyd, em Minneapolis, Estados Unidos da América
Eric Miller// Reuters

Esta terça-feira, centenas de pessoas saíram às ruas de Minneapolis, muitos protegidos com máscaras faciais devido à crise de saúde provocada pela covid-19, para protestar no local em que Floyd foi agredido. Em vários cartazes liam-se as suas últimas palavras "Não consigo respirar". Segundo o The Guardian, em uníssono pediu-se que se processem os agentes envolvidos e em marcha chegaram até a uma das esquadras da polícia da cidade, onde as janelas foram danificadas e os carros-patrulha foram grafitados. 


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Nos media norte-americanos discute-se o que será que acontece quando ninguém está a filmar. Quantos relatórios policiais passam impunes? "Só este ano, as gravações de vídeo alteraram as narrativas oficiais de numerosos incidentes, levantando a questão do que poderia ter acontecido se não houvesse câmaras por perto", escreveu o New York Times. 

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