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Mutação da variante Delta está a deixar especialistas em alerta
Sociedade 5 min. 21.10.2021
Covid-19

Mutação da variante Delta está a deixar especialistas em alerta

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Mutação da variante Delta está a deixar especialistas em alerta

Sociedade 5 min. 21.10.2021
Covid-19

Mutação da variante Delta está a deixar especialistas em alerta

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
A AY4.2 já foi detetada em vários países europeus e o seu crescimento está a ser seguido de perto, sobretudo no Reino Unido.

Uma mutação da variante Delta do vírus SARS-CoV-2, que provoca a covid-19, está a deixar especialistas e governos de novo em alerta.

A estirpe AY4.2 já foi detetada em vários países europeus e o seu crescimento está a ser seguido de perto, sobretudo no Reino Unido, onde a sub-variante se está a espalhar e que registou 52.009 novos infetados nas últimas 24 horas, ultrapassando a barreira dos 50.000 casos, pela primeira vez, desde 17 de julho.

Apesar de ainda não se saber se a AY4.2 é mais contagiosa, as autoridades britânicas estão a acompanhar e a monitorizar a sua evolução. A variante dominante no país continuar a ser a Delta, mas os últimos dados oficiais apontam, segundo a BBC, para que 6% dos novos casos de covid-19, que foram sequenciados geneticamente, sejam dessa nova sublinhagem.

 Também esta quarta-feira, o governo israelita confirmou ter registado, no país, o primeiro caso desta subvariante da Delta numa criança de 11 anos, que tinha estado na Europa, o único continente onde os casos estão a aumentar, como referiu a Organização Mundial de Saúde (OMS) esta semana, e a bater novos recordes, como está a acontecer em alguns países do leste do continente, como a Ucrânia e Roménia.


Pfizer/BioNTech anuncia eficácia de 95,6% em vacina de reforço contra a covid-19
O estudo feito pelo consórcio foi realizado no período em que a variante Delta se tornou a principal a circular nos países.

Nos Estados Unidos da América também já foram detetados casos e alguns especialistas vieram a público pedir atenção a esta nova mutação.

"Precisamos de investigação urgente para descobrir se esta delta plus é mais transmissível, se tem uma evasão imunitária parcial", defendeu, na sua página de Twitter, Scott Gottlieb, ex-comissário da agência de medicamentos americana, a FDA, lembrando que esta subvariante já circula no Reino Unido desde julho e que se tem vindo a propagar, embora ressalve que não há "indicação clara de que seja consideravelmente mais transmissível". Ainda assim defende que "devemos trabalhar para caracterizar mais rapidamente estas e outras novas variantes. Temos as ferramentas" para isso.

A par da preocupação com a possibilidade de uma maior transmissibilidade está também a de esta subvariante poder ser mais resistente às vacinas atuais. Para já as evidências ainda são poucas.

O que se sabe sobre a subvariante AY.4.2? 

À semelhança do que acontece com os outros vírus, o SARS-CoV-2 já sofreu várias mutações e existem milhares de variantes a circular em todo o mundo.

Uma das variantes mais contagiosas, até a data, é a variante Delta (original), que foi classificada como uma variante de preocupação após ultrapassar a variante Alfa (conhecida como variante britânica) para se tornar a dominante em circulação na maior parte dos países do mundo. A Delta foi apontada como sendo mais contagiosa que a Alfa, mas não tem posto em causa a eficácia e a proteção das vacinas anti-covid já desenvolvidas. 

Em julho deste ano, refere a BBC, a AY.4.2, a subvariante da Delta foi identificada no Reino Unido, cuja propagação tem vindo a aumentar lentamente desde então. 

Do que se sabe até agora é que inclui algumas novas mutações que afetam a proteína 'spike', que o vírus utiliza para penetrar nas células humanas. 

Apesar disso, até à data, não há indicação de que ela torne o vírus consideravelmente mais transmissível, mas esse é um fator que os especialistas estão a estudar. As mutações - Y145H e A222V - foram encontradas em várias outras estirpes, desde o início da pandemia.  


Delta é a única variante em circulação em Portugal
A variante Delta do vírus SARS-CoV-2 é a única em circulação em Portugal, sendo responsável por 100% das infeções em todas as regiões do país, anunciou hoje o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

No Luxemburgo a variante Delta é a dominante, tendo sido sequenciada uma dúzia de sublinhagens, pelo Laboratório Nacional de Saúde (LNS). No entanto, não foi detetado nenhum caso da subvariante AY.4.2.

Em Portugal já foram identificados 10 casos da nova AY.4.2, espalhados pelas últimas semanas, e alguns com ligação ao Reino Unido.

O investigador do Instituto Nacional de Saúde (INSA) João Paulo Gomes afirmou, esta quinta-feira, que a nova sublinhagem da variante Delta do vírus SARS-CoV-2 não tem tendência crescente em Portugal nem há provas de que afete a eficácia das vacinas.

“Não existe ainda qualquer evidência científica que sugira que esta sublinhagem da Delta seja mais transmissível ou coloque sequer em perigo a eficácia das vacinas. De facto, nas últimas semanas têm surgido vários exemplos da emergência de novas combinações de mutações, mas que acabam por não ter impacto epidemiológico”, afirmou à Lusa, o investigador do INSA.

Acelerar a vacinação e as doses de reforço

Face ao aumento de contágios, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, instou esta, quarta-feira, os cidadãos a vacinarem-se com a dose de reforço quando chegar a sua vez.

O líder conservador reiterou que, apesar do recente aumento do número de infeções, o seu executivo “continuará com o seu plano”, por agora, e assegurou que a atual situação da pandemia é bastante melhor que há um ano, graças ao programa de vacinação.


Vacinação parece ser igualmente eficaz contra a variante Delta, mas ainda há falta de dados.
Grande estudo francês revela que vacinas reduzem em 90% o risco de doença grave e morte
Vacinação parece ser igualmente eficaz contra a variante Delta, mas ainda há falta de dados.

Johnson recebeu apelos de vários setores, como o da saúde, para instaurar o seu chamado Plano B, ou plano de contingência, que reintroduziria o uso obrigatório de máscara em espaços interiores e a recomendação de teletrabalho.

A falta de uma distribuição geográfica equitativa das vacinas, sobretudo pelos países mais pobres, é outra das preocupações que acresce face à previsibilidade de surgirem novas mutações do vírus, que podem surgir mais facilmente nos locais com menos cobertura vacinal.

O número oficial de mortes por covid-19, no mundo, é atualmente de 4,9 milhões, mas sem uma repartição equitativa de vacinas nos países onde as taxas de imunização ainda são baixas este número pode duplicar em 2022, adverte a OMS.

“O número de mortes pode chegar a 10 milhões no próximo ano, pelo que não vacinar o mundo seria um fracasso, algo contra os nossos interesses e a nossa segurança”, declarou o embaixador da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o financiamento sanitário mundial e ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown, em conferência de imprensa.

Com agências


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