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Mulheres atacadas nas ruas de França por usarem saias "curtas"
Sociedade 4 min. 25.09.2020

Mulheres atacadas nas ruas de França por usarem saias "curtas"

Mulheres atacadas nas ruas de França por usarem saias "curtas"

Foto: DR
Sociedade 4 min. 25.09.2020

Mulheres atacadas nas ruas de França por usarem saias "curtas"

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Casos ocorreram em Estrasburgo e Mulhouse. Numa das agressões três homens espancaram uma mulher.

Três mulheres foram assediadas e agredidas, esta semana, em diferentes localidades francesas pela forma como estavam vestidas. Segundo os agressores, usavam roupas "curtas".

Uma das situações passou-se, esta quarta-feira, 24 de setembro, em Mulhouse (Haut-Rhin), levando à detenção, no mesmo dia, de um homem de 18 anos, acusado de ter agredido duas jovens mulheres com o argumento de que uma delas usava uma roupa que considerava "demasiado curta".

De acordo com o France Bleu Alsace, na quarta-feira à tarde, duas amigas, com 19 e 20 anos, estavam à espera de transporte numa estação de eléctrico, no centro de Mulhouse, quando o jovem se dirigiu a uma delas, que usava um calção mini-short e lhe perguntou se não queria vestir uma peça ainda mais curta. Segundo fonte policial ouvida por aquela rádio a discussão subiu de tom e o homem empurrou a mulher, que caiu ao chão, e agarrou, pelo pescoço, a amiga desta, que o tinha tentado deter.

Uma testemunha no local alertou a polícia, que prendeu rapidamente o agressor confesso - isento de condenações anteriores, mas já conhecido das autoridades. Apesar de reconhecer os factos, o indivíduo alegou que não tinha intenção de agredir verbalmente a mulher, mas sim de a provocar. 

A vítima apresentou queixa e o jovem foi condenado hoje, quinta-feira, a dois meses de pena suspensa, segundo fontes policiais citadas pela AFP. Depois de ter admitido culpa pelos atos, o Ministério Público de Mulhouse decidiu a condenação a uma pena de prisão suspensa de dois meses, 75 horas de serviço comunitário e obrigação de completar um estágio de cidadania. 

Este ataque acontece poucos dias depois de uma estudante de Estrasburgo, ter sido violentamente agredida por um grupo de homens.

Na sexta-feira, 18 de setembro, três homens abordaram a vítima porque estava a usar uma minissaia. “Um dos deles disse 'olha para esta p**** de saia'”, testemunhou a jovem de Estrasburgo. 

Elisabete, nome pelo qual é identificada, terá respondido às ofensas verbais e os homens agrediram-na. Segundo contou a jovem à mesma rádio, dois dos homens imobilizaram-na com os braços, enquanto o terceiro a agrediu, deixando-lhe marcas visíveis no rosto. 

Mas não foram só as agressões a deixar marcas na jovem, que afirmou à rádio francesa que a situação foi testemunhada por cerca de 15 pessoas que nada fizeram. “Foi como se ninguém tivesse visto nada e nada estivesse a acontecer. Isto é o que mais me revolta nesta história”, disse a jovem.

 Os agressores acabaram por fugir.   

"Gravíssimo e inaceitável"

Este caso, em particular, levou a reações do governo francês, que o definiu como “gravíssimo e inaceitável", através de uma declaração lida publicamente pelo porta-voz do executivo, Gabriel Attal.

"Os factos descritos são muito graves. Não podemos aceitar que hoje uma mulher se sinta em perigo, seja assediada, ameaçada ou espancada por causa de uma saia”, sublinhou.

Polícia pede mais efetivos para combater violência contra as mulheres  

Na sequência deste ataque, Marlene Schiappa, a ministra responsável pela cidadania, que em 2018 iniciou uma lei contra o assédio nas ruas, anunciou na quarta-feira, em Estrasburgo, o recrutamento de 80 "assistentes sociais" adicionais até ao final de 2021 nas esquadras de polícia e nas gendarmarias para "reforçar o apoio" às mulheres vítimas de "violência sexual e baseada no género". 

Anunciou também o aumento das multas de 90 euros para o dobro.

Mas para os sindicatos da polícia são necessários mais agentes nas ruas para combater a violência contra as mulheres.

Isso "não resolve absolutamente o problema da violência contra as mulheres em Estrasburgo", afirmou Michel Corriaux, secretário regional do sindicato da Alliance Police Nationale, citado pelo site Actu.fr.

O responsável acrescentou que "em Estrasburgo quase 30 membros do pessoal não foram substituídos em 2020, particularmente após saídas e transferências. Isto representa uma falta total de 60 polícias atualmente".

 Imagens de videovigilância podem ajudar a identificar agressores

A jovem agredida em Estrasburgo apresentou queixa no dia seguinte à agressão. A investigação está agora a cargo do Departamento de Segurança do Baixo Reno e os agressores, ainda a monte, se forem detidos, enfrentam uma pena de três anos de prisão e uma multa de 45.000 euros. 

A polícia está a analisar imagens de videovigilância para chegar à identidade dos agressores.

"Estão em curso análises de videovigilância do Eurometropole para tentar identificar os perpetradores", afirmou Michel Corriaux ao mesmo site. 



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