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MpD também vence no Luxemburgo
Sociedade 4 min. 21.03.2016 Do nosso arquivo online
70,3% de abstenção

MpD também vence no Luxemburgo

70,3% de abstenção

MpD também vence no Luxemburgo

Sociedade 4 min. 21.03.2016 Do nosso arquivo online
70,3% de abstenção

MpD também vence no Luxemburgo

O Movimento para a Democracia venceu também as eleições legislativas cabo-verdianas deste domingo no Luxemburgo, marcadas por uma alta taxa de abstenção: 70,3%.

A tradição continua a ser o que era no Grão-Ducado, com o MpD a vencer mais uma vez. O Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV), apesar da derrota, conseguiu encurtar a distância do número de votantes em relação às eleições legislativas de 2011.

O MpD, de Ulisses Correia e Silva, venceu no Luxemburgo com 165 votos, enquanto o PAICV de Janira Hopffer-Almada ficou com menos 10 votos (155), segundo os dados da delegação da Comissão Nacional das Eleições de Cabo Verde (CNE). A terceira força política do arquipélago, a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) conseguiu 12 votos no Luxemburgo, tendo sido ainda registados cinco votos em branco e quatro nulos.

O número de inscritos para votar aumentou de 850, nas legislativas de 2011, para 1.300 (2016), mas o número de votantes diminuiu de cerca de 450 para 332
O número de inscritos para votar aumentou de 850, nas legislativas de 2011, para 1.300 (2016), mas o número de votantes diminuiu de cerca de 450 para 332
Foto: Manuel Dias

Para os vencedores, o momento é de festa pela dupla vitória, no Luxemburgo e em Cabo Verde. "Precisávamos de uma mudança em Cabo Verde e o sentimento é de alegria e satisfação. Sabia que podíamos ganhar, mas não esperava que fosse pela maioria absoluta porque a UCID também entrou na corrida. Só temos de felicitar o Ulisses Correia e Silva e dizer que vamos fazer tudo para ajudá-lo a levar a cabo o projecto de governação", disse ao CONTACTO o representante do MpD no Luxemburgo, Mateus Domingos.

O dirigente do partido "ventoinha" aponta o desgaste dos três mandatos de José Maria Neves e a divisão no PAICV como explicações para os resultados alcançados pelo MpD.

"Havia um desgaste que estava à vista de todos. Mas o partido PAICV estava também fragmentado. Uma possível vitória de Janira seria apenas uma vitória dela, do orgulho pessoal, e não do povo de Cabo Verde. As pessoas deram-se conta disso a tempo e fizeram uma escolha que beneficiasse o povo. O novo Governo vai saber posicionar-se e fazer as mudanças necessárias após 15 anos de PAICV", augura Mateus Domingos.

Entre as hostes do PAICV, também ninguém estava à espera destes resultados. "A nível nacional estes resultados foram uma grande surpresa. Nunca demos estas eleições como fáceis depois dos três mandatos consecutivos de José Maria Neves. Já no Luxemburgo fizemos um bom trabalho e tentámos ao máximo ajudar o nosso partido. A diferença mínima do número de votos em relação ao MpD revela isso. Só temos de dar os parabéns ao adversário e dizer que Cabo Verde também sai a ganhar com o candidato escolhido. Somos um país democrático", desabafou o presidente da secção do PAICV - Luxemburgo, Antão Freitas.

Comparando com as legislativas de 2011, a diferença do número de votantes entre os dois grandes partidos cabo-verdianos era maior nas últimas eleições: na altura o MpD ganhou com 243 votos, enquanto o PAICV tinha alcançado 200 votos.

Uma das mesas de voto na Embaixada de Cabo Verde. Da esquerda para a direita, os integrantes Maria Gomes, Amilcar Lima, Sofia Tavares e Maisa Maria
Uma das mesas de voto na Embaixada de Cabo Verde. Da esquerda para a direita, os integrantes Maria Gomes, Amilcar Lima, Sofia Tavares e Maisa Maria
Foto: Manuel Dias

Do lado da UCID, apesar da eleição de um terceiro deputado, o sentimento é também de derrota.

"Conseguimos um dos nossos objectivos, que era eleger mais um deputado. Mas por outro lado não conseguimos impedir a bipolarização e a maioria absoluta do MpD. Somos contra a maioria absoluta, mesmo se fosse a favor da UCID, porque a oposição não consegue contestar. É um sistema que funciona como se fosse uma ditadura ou regime de partido único, em que as pessoas ficam frustradas porque não conseguem fazer-se ouvir", lamenta o representante da UCID no Luxemburgo, Júlio da Graça, que está a preparar a apresentação oficial do partido no Luxemburgo.

Quanto à taxa de abstenção, subiu vertiginosamente no Luxemburgo nestas últimas eleições: 70,3% (341 votantes para cerca de 1.300 inscritos), quando em 2011 era de 47% (perto de 450 votantes para cerca de 850 pessoas registadas para votar).

"Apesar do grande esforço da nossa equipa, a taxa de abstenção foi decepcionante. Da nossa parte vamos ver como podemos reverter a situação para as próximas eleições [Presidenciais, apontadas para Junho deste ano]", refere Mateus Domingo. Este será o próximo desafio do MpD.

"Se o actual Presidente Jorge Carlos Fonseca se recandidatar, vamos apoiá-lo. Ele está no primeiro mandato e esperemos que haja um segundo".

Da esquerda para a direita: João Pires, Necas Martins, Domingos Ildo, Soraya Tavares, Sandra Monteiro e Aleida Lopes
Da esquerda para a direita: João Pires, Necas Martins, Domingos Ildo, Soraya Tavares, Sandra Monteiro e Aleida Lopes
Foto: Manuel Dias

No PAICV, o único nome que circula como possível candidato às próximas eleições presidenciais é o do primeiro-ministro cessante José Maria Neves. Mas podem surgir outros nomes.

"Vamos agora preparar as batalhas das presidenciais e das autárquicas [fim do ano]. Até agora não sabemos quem vai ser o candidato. Só José Maria Neves já se predispôs. Se aparecerem outros candidatos, vai haver eleições dentro do partido", disse ao CONTACTO Antão Freitas, do PAICV.

Gilson Lopes, delegado da Comissão Nacional Eleitoral de Cabo Verde no Luxemburgo
Gilson Lopes, delegado da Comissão Nacional Eleitoral de Cabo Verde no Luxemburgo
Foto: Manuel Dias

Quem esteve também atento ao processo eleitoral no Luxemburgo e em Cabo Verde foi o embaixador do arquipélago no Grão-Ducado. Carlos Semedo ressaltou o "civismo" e a "maturidade" do povo cabo-verdiano.

"Congratulamo-nos com a maturidade do povo cabo-verdiano, com a sua participação activa e cívica. O povo é soberano na sua escolha e mais uma vez demos prova ao mundo de que somos uma democracia, com alternância política. Foi uma campanha muito cívica, com debates de propostas concretas para o país, sem ataques pessoais e à altura das exigências", disse o diplomata cabo-verdiano a este jornal.

O delegado da Comissão Nacional Eleitoral de Cabo Verde no Luxemburgo, Gilson Lopes, garantiu também ao CONTACTO o "bom desenrolar" do processo eleitoral, "tranquilo e sem queixas".

Henrique de Burgo

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