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Movimento anti-5G no Luxemburgo escreve carta aberta a Bettel
Sociedade 4 min. 29.07.2020

Movimento anti-5G no Luxemburgo escreve carta aberta a Bettel

Mural grafitado em Bonnevoie, capital luxemburguesa.

Movimento anti-5G no Luxemburgo escreve carta aberta a Bettel

Mural grafitado em Bonnevoie, capital luxemburguesa.
Foto: Eberhard Wolf
Sociedade 4 min. 29.07.2020

Movimento anti-5G no Luxemburgo escreve carta aberta a Bettel

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
De acordo com a comunidade científica geral as redes móveis de quinta geração não apresentam qualquer risco para a saúde humana.

O movimento "Stop 5G  Luxembourg" escreveu novamente ao primeiro-ministro Xavier Bettel a 25 de julho para reiterar a oposicão à instalação da tecnologia 5G no Luxemburgo. 

Na carta aberta enviadas às redações, os membros do coletivo mostraram-se "surpreendidos" pela recente atribuição das frequências para as redes móveis de quinta geração, noticiada pelo Contacto a 23 de julho. "As frequências acabam de ser atribuídas a meio do período de férias", critica o grupo que é o autor de uma petição pública para proibir o 5G no país. 

"As frequências serão implementadas no Luxemburgo apesar da recolha de assinaturas para a nossa petição a fim de evitar que elas sejam implementadas não ter terminado, e de ainda estarmos à espera de uma data para o famoso debate na Câmara a que temos direito, tendo em conta o sucesso da nossa petição", pode ler-se também. 

Em fortes críticas ao primeiro-ministro que é também o dono da pasta das Telecomunicações e dos Media, o "Stop 5G  Luxembourg" critica a "inconsistência entre" os comentários de Xavier Bettel e de ter "subestimado os potenciais riscos" associados à implementação desta tecnologia.

"Estamos chocados por ver que os nossos direitos como cidadãos e seres humanos estão simplesmente a ser violados por este procedimento, que visa a imposição autoritária desta tecnologia muito perigosa", consideram. "Nenhum estudo independente a longo prazo pode provar a inocuidade do 5G", dizem mesmo. 

5G é ou não perigoso?

A implementação das redes móveis de quinta geração tem gerado alguma controvérsia em alguns países, tendo levado mesmo a fenómenos mais extremos como destruição de antenas no Reino Unido e Holanda, alguns ligando a tecnologia à disseminação da covid-19 ou outros riscos para a saúde humana. 

Mas de acordo com a opinião da comunidade científica geral, o novo sistema não apresenta qualquer risco para a saúde humana. E no caso da covid-19, países como o Irão fortemente afetados pela pandemia não possuem rede 5G, pode ler-se num artigo recente no jornal The Guardian.

No mesmo sentido, as operadoras de telecomunicações do Grão-Ducado asseguram que a tecnologia é segura e "essencial para o país e para a sua competitividade", afirmou recentemente Gérard Hoffmann, CEO da Proximus Luxembourg, dona da Tango e Telindus, uma das quatro operadoras que venceram o leilão de atribuição de frequências 5G.

Segundo pode ler-se no site da Orange Luxembourg, "as autoridades de saúde mundiais (incluindo OMS, Comité Científico da União Europeia), bem como autoridades sanitárias da vários países confirmam que não há evidência científica que as redes emitidas por ondas de rádio constituem riscos para a saúde quando essas redes operam abaixo do limite estipulado pela OMS."Estes limites são avaliados constantemente por estas autoridades", assegura a operadora. As ondas usadas pelo 5G são as mesmas que já existem para a televisão, rádio ou telemóveis. Têm apenas um espectro maior em relação às anteriores 3G ou 4G, explica. 

No final de junho a Comissão Europeia adotou um regulamento de forma a simplificar e acelerar o desenvolvimento da tecnologia nos Estados europeus, que está a sofrer atrasos devido à pandemia da covid-19. Uma das principais medidas é a de permitir aos Estados a instalação de micro-células para difusão do 5G. No documento, a CE refere que estas micro-células 5G usam menos energia do que a atual rede 4G, o que deverá a garantir níveis de exposição à radiação eletromagnética mais baixos do que o atual limite estabelecido. 

"Os pontos de acesso sem fio para pequenas áreas devem garantir a proteção da saúde e segurança das pessoas, aderindo aos rígidos limites de exposição da UE, que, para o público em geral, são 50 vezes menores do que as evidências científicas internacionais sugerem ter potencial efeito na saúde", lê-se no comunicado da CE. 

Petição vai a debate na rentrée política luxemburguesa

A petição do movimento "Stop 5G Luxembourg" é uma de duas cujo tema irá a debate público no Parlamento, no próximo outono. Como tal, conseguiu angariar mais de 4.500 assinaturas durante as seis semanas em que esteve online, como previsto na lei. Mas como já referido acima ainda não há data específica para tal, algo que o grupo contesta. 

Segundo os planos do atual executivo luxemburguês, todo o país deverá estar coberto pela rede 5G até 2025, em linha com as ambições do bloco europeu.  A Comissão Europeia considera que a quinta geração de redes de telecomunicações "deverá desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento da sociedade e da economia europeias", com oportunidades em setores como "os transportes, a energia, a indústria transformadora, a saúde, a agricultura e os meios de comunicação social". 

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