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Motard português vai dar a volta a África em seis meses por causa solidária
Sociedade 4 min. 31.10.2019

Motard português vai dar a volta a África em seis meses por causa solidária

Durante seis meses, Carlos Nunes vai dar a volta a África.

Motard português vai dar a volta a África em seis meses por causa solidária

Durante seis meses, Carlos Nunes vai dar a volta a África.
Foto: Á. Cruz
Sociedade 4 min. 31.10.2019

Motard português vai dar a volta a África em seis meses por causa solidária

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
Carlos Nunes partiu no sábado rumo ao Continente africano para uma aventura que vai implicar uma viagem de mais de 40.000 km. Angariar fundos para a associação grã-ducal ’Togo 50-50’ e conhecer a terra onde nasceu (Moçambique), são os seus objetivos prioritários.

“Nasci em Moçambique, mas não me lembro de nada. Tinha dois anos quando deixei o país e fui para Portugal com a minha família. Estou ansioso por pisar a terra onde nasci. Vai ser um momento muito especial”, diz com alguma emoção.

Carlos vai, finalmente, poder conhecer a terra onde nasceu e realizar um desejo que há muito tem vontade de concretizar. Deverá chegar em Janeiro ou talvez em Fevereiro.

“É a grande vontade de ajudar as crianças, os mais necessitados e conhecer Moçambique, país onde nasci, que me levaram a empreender esta viagem. Já há algum tempo que sentia este chamamento especial de África. Então, decidi que era hora de conhecer esse Continente mágico, onde tenho as minhas raízes, mas em que muitas pessoas ainda passam por grandes dificuldades”, precisou Carlos Nunes antes da partida.

O português, residente no Luxemburgo há 38 anos e apaixonado por motas desde pequeno, vai, neste seu périplo, angariar fundos para a associação ’Togo 50-50’, sediada no Grão-Ducado há 12 anos e que tem por missão principal ajudar crianças desfavorecidas daquele país africano.

“Quero aproveitar esta aventura, também, para ajudar a associação de uma ex-colega que tem feito um grande trabalho em prol das crianças pobres e mais necessitadas do Togo. Neste caso, o aspeto humanitário assume um papel importante para mim”, sublinha.

Viajante do mundo

Mas esta não é a primeira viagem de Carlos Nunes através de um Continente. O ’world biker’ já viajou pela América do Norte e do Sul, recordando terem sido experiências muito gratificantes. “Sou um viajante do mundo. Acredito que esta minha passagem por África também vai ser especial. São cerca de 40.000 km pelos mais diversos tipos de estradas, caminhos e desertos, isto sem contar com os imprevistos que muitas vezes nos obrigam a mudar de itinerário”, explica.

“Mas o que mais me fascina é o espírito de aventura que este tipo de viagens encerra. Não sei onde vou ficar, comer ou dormir. Felizmente, nas viagens anteriores, as pessoas ajudaram-me muito e eu a eles, como podia. Estas vivências humanas constituem experiências de uma riqueza inestimável. A África é um Continente duro, mas puro e com uma magia muito particular que quero aproveitar ao máximo. Já sonho com as paisagens de cortar a respiração e com uma fauna tão rica e diversificada”, revela com um sorriso.

Dois anos para preparar a viagem

Foram necessários quase dois anos para preparar a viagem ao pormenor. Traçar o itinerário, preparar vistos e autorizações, tratar de vacinas e adquirir a moto, entre outras coisas, foram tarefas que Carlos Nunes conseguiu ultrapassar com a ajuda de vários patrocinadores e muita gente amiga a quem o motar luso fez questão de agradecer.

“Não foi fácil conseguir seis meses de licença sem vencimento, ultrapassar toda uma panóplia de burocracias como por exemplo os vistos de entredas em certos países e adquirir a mota especialmente equipada para o trajeto, uma Yamaha Ténéré 700, exemplar único no Luxemburgo. Agradeço a preciosa ajuda aos patrocinadores e a todos os que me ajudaram a preparar este evento tão especial, destacando o excelente trabalho de Angela Parlanti”, congratulou-se.

A viagem de Carlos Nunes poderá ser acompanhada através da página Facebook ’Worldbiker’. 

Claire Ballerini, fundadora da associação 'Togo 50-50'.
Claire Ballerini, fundadora da associação 'Togo 50-50'.
Foto: Á. Cruz

Claire Ballerini, inglesa radicada no Luxemburgo há quase duas décadas, fundou a associação 'Togo 50-50' há 12 anos.  Depois de ter estado naquele país africano com a filha em regime de voluntariado, a reflexóloga de profissão resolveu ajudar crianças orfãs e mais desprotegidas.

"Há alguns anos estive durante um mês no Togo com a minha filha a trabalhar como voluntária e apaixonei-me pelas crianças e pelo país, onde ainda se consegue trabalhar no voluntariado de forma acessível. As necessidades das crianças, muitas delas orfãs, e grande parte da população tocaram-me profundamente. Foi então que decidi criar a associação para recolher fundos e ajudar os mais necessitados", precisa Claire.

"Neste momento, ajudamos dois orfanatos e um dispensário graças à preciosa ajuda de vários patrocinadores e também da venda de artesanato feito pelas crianças e cujas vendas que faço duas a três vezes por ano, revertem a seu favor. Vou todos os anos ao Togo para ver como as coisas estão a correr e quais são as necessidades mais prementes da população."

Claire conheceu Carlos Nunes num bazar de vendas da sua associação, no qual o motard português se mostrou interessado em ajudar a 'Togo 50-50'.

"Foi muito simpático da parte dele, até porque nem o conhecia bem. Ele disse-me que iria fazer a volta a África e que alguns dos fundos que recolher reverterão a favor da nossa associação. Felizmente que ainda existem pessoas de coração grande que gostam de ajudar os mais desfavorecidos", congratulou-se.


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