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Morte Maria João Abreu. "Ela andava com dores de cabeça mas já não foi a tempo"
Sociedade 10 4 min. 14.05.2021

Morte Maria João Abreu. "Ela andava com dores de cabeça mas já não foi a tempo"

Morte Maria João Abreu. "Ela andava com dores de cabeça mas já não foi a tempo"

Sociedade 10 4 min. 14.05.2021

Morte Maria João Abreu. "Ela andava com dores de cabeça mas já não foi a tempo"

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Colegas recordam as preocupações de saúde da atriz, nos últimos tempos e o desmaio durante as gravações da novela, quando ocorreu a rotura do aneurisma cerebral. Cardiologista explica como ocorrem estes AVC no cérebro, que podem ser fatais, como aconteceu.

A atriz Maria João Abreu que faleceu ontem, aos 57 anos, não tendo sobrevivido às graves complicações provocadas por um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico, que sofreu dia 30 de abril, resultante da rotura do aneurisma cerebral. Desde esse dia, a atriz estava internada no Hospital Garcia da Orta, em Almada, tendo sido submetida a cirurgias e tendo estado em coma induzido até ao fim.

A Maria João “andava com algumas dores de cabeça e estava preocupada, mas já não foi a tempo”, disse com voz embragada o ator Tiago Aldeia esta tarde no Programa da Júlia dedicado à atriz. Tiago Aldeia contracenava com a atriz na sitcom “Patrões fora”, da SIC.

Também o ator e grande amigo João de Carvalho salientou as queixas de dores de cabeça de Maria João Abreu. “Eu dizia-lhe, ‘não podes andar sempre com dores de cabeça, tens de ir ao médico’”, lembrou este ator que considerava a atriz “uma irmã”. A mulher de João de Carvalho faleceu também com um aneurisma cerebral. “Eu aconselhava-a a ir fazer uma ressonância magnética para ver o que realmente se passava”, lembrou este ator. 


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A atriz estava internada há duas semanas, no hospital Garcia de Orta, depois de ter sofrido uma hemorragia devido a um aneurisma cerebral.

Dores de cabeça intensas

As dores de cabeça são um dos sintomas do aneurisma cerebral, podendo mesmo ser o único, explica ao Contacto o cardiologista Manuel Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia.

O aneurisma cerebral ocorre devido à dilatação de uma artéria que leva o sangue ao cérebro. E esta dilatação pode tornar mais frágil a parede da artéria ao ponto de a romper. 

“As dores de cabeça geralmente significam que a parede já tem um orifício pequenino ainda, por onde sai o sangue, pouco, mas que já vai fazendo pressão no cérebro”, explica Manuel Carrageta, salientando que estas dores podem ser repentinas e únicas, ocorrendo no momento da rotura do aneurisma cerebral ou tornarem-se frequentes e ir aumentando de intensidade com o tempo.

O AVC hemorrágico ocorre quando se dá mesmo o rompimento da parede da artéria sanguínea e o sangue se espalha pelo cérebro. A gravidade deste AVC depende do volume da hemorragia. “A caixa craniana é um osso, não é elástica e, por isso, a hemorragia provoca uma pressão enorme sobre as zonas cerebrais importantes”, refere este cardiologista português.

"Saiu consciente para o hospital"

No caso de Maria João Abreu a hemorragia foi muito grave. A rotura do aneurisma cerebral da atriz ocorreu durante as gravações da novela “A Serra” tendo a atriz desmaiado, na tarde de 30 de abril. Foi logo assistida localmente até chegar a ambulância que a levaria para o Hospital Garcia da Orta, em Almada.

“Eu estava no estúdio quando tudo aconteceu e fiquei muito assustada, pressenti que era algo grave”, contou a atriz Tânia Neto chorosa durante o programa de Júlia Pinheiro, ontem à tarde. A atriz confessa que não conseguiu se controlar, mas como Maria João Abreu “saiu consciente do estúdio” a caminho do hospital ficou com esperança. “Pensei que tinha sido um ‘abre olhos’ para pararmos e refletirmos um pouco”, confessa Tânia Neto.

Esta atriz como todos os seus colegas confessavam a dor que sentiam com a partida de Maria João Abreu “uma grande amiga, sempre pronta a ajudar”, “dona de um riso único”, com “um coração enorme”.

As causas do AVC 

No Hospital Garcia da Orta, Maria João Abreu foi submetida a cirurgias e colocada em coma induzido. Realçando não ter “qualquer informação” sobre o caso da atriz, Manuel Carrageta explicou que, quando a hemorragia é muito grave, o que acontece é os doentes entrarem “em morte cerebral”, porque o tecido cerebral não é oxigenado.   


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“O cérebro suporta apenas seis minutos sem ser irrigado, depois dá-se um enfarte cerebral. É como o enfarte cardíaco só que acontece no cérebro”, adianta este especialista.

Nos casos “mais graves e infelizes, de morte cerebral os doentes acabam depois por falecer devido a uma paragem cardiorrespiratória”. Foi o que terá sucedido à atriz Maria João Abreu.

Em muitos casos, as pessoas desconhecem que têm um aneurisma cerebral até ao momento do rompimento. As dores de cabeça, um dos sintomas mais frequentes, podem ser súbitas e intensas ocorrendo no próprio momento do rompimento, ou frequentes e irem aumentando de intensidade com o tempo. Náuseas e vómitos, pescoço duro, visão dupla, convulsões e desmaios podem ser outros sintomas do aneurisma cerebral.

O aneurisma pode ser detetado através de exames médicos, como uma TAC, ressonância magnética ou angiografia cerebral. Uma vez diagnosticado há tratamentos para diminuir o risco de rutura. Quando rompe é uma situação a emergência médica e o doente tem de ir imediatamente para a sala de operações para se fechar a rutura. Quanto mais rápido isso ocorrer há mais chances da hemorragia afetar menos zonas cerebrais e deixar sequelas. 

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