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Marco Silva volta a declarar-se inocente do homicídio de Ana Lopes
Sociedade 5 min. 10.11.2021 Do nosso arquivo online
Crime

Marco Silva volta a declarar-se inocente do homicídio de Ana Lopes

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Marco Silva volta a declarar-se inocente do homicídio de Ana Lopes

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Foto: Alain Piron/LW-Archiv
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Marco Silva volta a declarar-se inocente do homicídio de Ana Lopes

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Português foi condenado a prisão perpétua em janeiro deste ano pelo assassínio da ex-namorada e mãe do seu filho, mas desde o início do processo que tem negado a autoria do crime.

Marco Silva, que foi condenado a prisão perpétua pelo homicídio de Ana Lopes, voltou esta terça-feira a declarar-se inocente na primeira sessão do julgamento de recurso no Luxemburgo.

No passado mês de janeiro, o português foi condenado em primeira instância à pena máxima pelo homicídio premeditado da ex-namorada, também de nacionalidade portuguesa, em 2017.  

O julgamento do recurso prossegue na sexta-feira de manhã, 12 de novembro.  Ao contrário de Portugal, onde a condenação máxima são 25 anos, no Luxemburgo os crimes mais graves podem ser punidos com prisão perpétua.


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No início deste ano, os juízes da Câmara Criminal do Tribunal Distrital do Luxemburgo declararam o acusado de 33 anos culpado de ter assassinado a ex-namorada, com quem tinha um filho em comum, na noite de 16 de janeiro de 2017. Depois de matar Ana Lopes, Marco Silva terá levado o corpo no carro que pertencia à vítima até Roussy-le-Village, na zona fronteiriça francesa, e queimado a viatura com o cadáver da jovem no seu interior.

Na altura com 25 anos, Ana Lopes tinha sido dada como desaparecida a 15 de janeiro, em Bonnevoie, na cidade do Luxemburgo. Dois dias depois do alerta de desaparecimento, o carro da portuguesa foi localizado em território francês, em Roussy-le-Village, perto da fronteira com o Grão-Ducado, completamente carbonizado. Mais tarde a autópsia confirmaria que o corpo encontrado na viatura era o de Ana Lopes.  

Marco Silva foi detido seis meses após o homicídio encontrando-se preso desde essa altura. No dia em que conheceu a sentença voltou a afirmar que estava inocente - desde o início do processo que tem negado a autoria do crime - e passados poucos dias recorreu da sentença. Esta terça-feira, na primeira sessão do recurso, voltou a reafirmar o mesmo. "Estou inocente", declarou, citado pelo Luxemburger Wort.

As alegações da defesa de Marco Silva

Entre as provas que levaram à condenação do português pelo crime que chocou o país, estão os vestígios de ADN encontrados pelos investigadores num rolo de fita adesiva encontrado junto ao carro queimado, compatíveis com o ADN do acusado e de um familiar seu, assim como os dados de geolocalização do seu telemóvel.


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No entanto, estes elementos foram sempre contestados pelo acusado e pelos seus advogados de defesa e, refere o Wort, voltaram a ser questionados na sessão do recurso por Marco Silva. Contudo, quando o juiz perguntou repetidamente porque é que a fita não tinha sido encontrada no carro queimado, mas sim nas imediações do local do crime, Marco Silva disse que não lhe competia dar explicações, passando depois a palavra aos seus advogados, Philippe Penning e Gennaro Pietropaolo, que exigiram a reversão da sentença e a absolvição do acusado. 

Na altura da primeira condenação Gennaro Pietripaolo afirmava ao Contacto,  que Marco Silva era  "o suspeito perfeito" para as autoridades. "É ex-namorado, eles tinham um filho mas acho que não é suficiente, há elementos que não estão claros, incluindo certas provas forenses", afirmou então.

Agora, os advogados de defesa voltaram a alegar que o seu cliente e a família foram visados pela polícia desde o início e que os juízes de primeira instância declararam que o homicida tinha de ser conhecido da vítima, sem, no entanto, apresentarem razões para tal, uma vez que Marco Silva estava em casa na noite do crime, de acordo com os testemunhos dos seus pais e da irmã.

A irmã corroborou o álibi de Marco Silva, na primeira instância, confirmando que o irmão tinha estado consigo a ver um filme em casa, mas não conseguiu dar mais pormenores sobre essa noite, uma vez que nas restantes horas estaria a dormir.

Os juízes da primeira instância não acreditaram neste álibi, justificando que os detalhes temporais fornecidos pelos familiares do acusado poderiam ser refutados com dados objetivos da investigação. Segundo os juízes, à hora que Marco Silva afirmou já estar em casa, estava ao volante do seu carro, de acordo com as imagens capturadas por câmaras de vigilância em Bonneweg. No entanto, de acordo com os advogados de defesa, as imagens que estas câmaras captaram também fornecem provas de que o seu cliente não pode ter sido o autor do crime.

De acordo com os advogados, a distância entre a residência de Marco Silva e o apartamento da vítima é coberta por várias câmaras, mas nenhuma das imagens capturadas mostra o acusado a percorrer essa distância na noite do crime.


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Os advogados levantaram também questões sobre a opinião dos peritos sobre os vestígios de ADN encontrados na fita adesiva. Além dos vestígios de ADN da vítima, foram encontrados vestígios de ADN masculino na fita adesiva. De acordo com um dos peritos, tratava-se de uma mistura de ADN de pelo menos duas pessoas e o que pôde ser confirmado foi que um dos vestígios de ADN pertenceria a um membro masculino da família do acusado. De acordo com o outro perito, a hipótese de o ADN ter sido transferido através de contacto direto entre o portador da fita adesiva e o objeto era a mais provável. Por isso, o portador do ADN teria de ter estado no local se a fita tivesse sido utilizada durante o crime. 

A defesa de Marco Silva alegou, porém, que no local onde o corpo da vítima foi queimado, foram encontradas pegadas que correspondiam a um tamanho 44/45 de calçado, sendo que o acusado calça o 42. 

Também a precisão dos dados de geolocalização voltou a ser questionada pelos advogados do português, assim como a forma como o acusado terá regressado ao Luxemburgo após o assassínio, uma vez que o homicida de Ana Lopes terá usado o carro da vítima para levar o carro com o corpo até à fronteira, onde cadáver e viatura foram encontrados carbonizados.

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